segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O FIASCO DO PETRÓLEO VERDE

Pequenos agricultores que apostaram na mamona estão na miséria. A empresa-símbolo do biodiesel quase faliu. E Lula deixou de insistir tanto no assunto
Ricardo Mendonça, de Canto do Buriti (PI)

O agricultor Antônio da Costa num pé seco de mamona em Canto do Buriti, Piauí. No alto do cacho, à direita, a praga que ataca a plantação. Ao lado, Lula e Miguel Rosseto na primeira colheita no assentamento Santa Clara, em 2005
No dia 4 de agosto de 2005, quando visitou Canto do Buriti, no sul do Piauí, para conhecer um assentamento chamado Santa Clara, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alardeava otimismo com as perspectivas do uso da mamona para a produção de biodiesel. "O nosso petróleo, o petróleo verde da mamona, nunca acaba. Porque acaba um pé, a gente planta outro. Acaba outro, a gente planta outro", disse o presidente, ao discursar para agricultores pobres, empresários e políticos locais. Naquela tarde, Lula não economizou nas promessas: "A mamona pode ser uma das possibilidades para o povo pobre deste país melhorar de vida. E para mim, gente, não tem coisa mais orgulhosa do que ver um pai de família trabalhar, receber seu salário, pegar a mulher e os filhos, ir na bodega mais próxima e encher a casa de comida".
O assentamento Santa Clara, que também recebeu apoio do governo do Piauí, nasceu como o mais ousado projeto de plantação de mamona do país. Em 2004, o governo do Piauí cedeu uma área de 18.000 hectares para a empresa Brasil Ecodiesel fazer uma espécie de reforma agrária privada no local. A empresa distribuiu lotes de 8 hectares para 610 famílias, deu uma pequena casa para cada agricultor e assinou contratos de parceria. As famílias receberiam sementes, insumos, assistência técnica e um adiantamento mensal de R$ 250 por seis meses. Em troca, entregariam a colheita, que no final seria transformada em biodiesel. Após dez anos de trabalho nesse regime, receberiam a posse definitiva da terra.
Quatro anos após a visita presidencial, a realidade do assentamento é completamente diferente daquela idealizada por Lula. A região é frequentemente apontada como palco de denúncias graves, como exploração de trabalho infantil, prostituição, desmatamento e produção ilegal de carvão. Hoje, cerca de 600 famílias continuam assentadas, mas a maior parte dos terrenos está ociosa. As plantações de mamona produziram bem abaixo do esperado. A Brasil Ecodiesel estimava 1.200 quilos por hectare, mas o resultado médio nunca passou de 400 quilos por hectare. Atrasos nas plantações, má qualidade das sementes, falta de apoio técnico e pragas são as explicações mais ouvidas. Aos poucos, a cultura foi sendo abandonada. Hoje, os únicos pés visíveis de mamona são aqueles que nasceram por acaso, no meio do mato, por obra da natureza.
"O que era apresentado como um pioneiro projeto econômico e de inclusão virou um grande problema social", diz Dionísio Carvalho, da Rede Ambiental do Piauí, entidade que acompanha o assentamento desde o início. Muitos agricultores reclamam que não podem sair do local, sob o risco de perder o direito à terra. Alguns dizem que chegam a passar fome. Antônio Alves da Costa, conhecido como Neguinho, é um deles. "Uma vez por mês, saio nesse mato para caçar paca ou tatu", diz, ao lado de um pé seco de mamona. "O rapaz do Ibama já disse que é errado, que não pode. Eu respondi que errado é ver criança passando fome dentro de casa."
Valentim Moreira, de 53 anos, tem problemas parecidos. Ele divide a casa de um dormitório, uma cesta básica e R$ 160 por mês (o adiantamento agora é pago por todo ano) com outras sete pessoas. Dos 8 hectares, usa apenas 1, para subsistência. A renda familiar per capita inferior a R$ 0,70 por dia coloca o grupo abaixo da linha da indigência. Num país que passou quase uma década colecionando notícias sobre a redução da pobreza, Valentim diz ter caminhado no sentido oposto, o do empobrecimento: "O pagamento de R$ 160 chega com dois, três meses de atraso. A cesta atrasa 20, 30 dias. Para pegar o dinheiro na cidade, gasto R$ 7 para ir e R$ 7 para voltar. Na última vez, cheguei lá e só tinha R$ 80. Está cada vez pior", afirma.
Algumas pessoas do local sobrevivem com o Bolsa Família. Outras, como a dona de casa Claudenir Barbosa, grávida do terceiro filho, não conseguem explicar por que foram inscritas no programa, mas não recebem o benefício. "Estou inscrita desde 2006. Eu ligo lá todo mês, e eles dizem para esperar mais um pouco, que só falta liberar o dinheiro, mas nunca sai", diz.
Lançada a R$ 12, em 2006, a ação da Brasil Ecodiesel custava R$ 0,83 na semana passada. Uma queda de 93%
O aspecto mais visível da miséria é o trabalho infantil. Há três semanas, ÉPOCA flagrou crianças com enxada na mão tapando buracos na danificada e empoeirada estrada que dá acesso ao local. Trabalham sob o sol, sem nenhum tipo de proteção, em troca de esmolas jogadas pelos caminhoneiros. "Tem dia que dá para ver mais de 30 crianças aqui", diz o agricultor José da Costa Amorim, para quem o assentamento "está falido". A tia de uma menina de 5 anos e de um garoto de 14 fotografados pela reportagem justifica assim o trabalho infantil: "A gente não gosta, né? Mas, se não tapar buraco, não come".
A explicação dos assentados, do governo e das empresas para todos esses problemas é a mesma: o até agora retumbante fracasso da mamona como matéria-prima para a produção de biodiesel. Apesar do apoio governamental, do interesse empresarial, da abundância de mão de obra, da eficiência energética da semente e do clima favorável, a mamona não se mostrou viável naquele que talvez seja o mais determinante aspecto do mercado: o preço. Fazer biodiesel com mamona sai muito caro.
Para os especialistas do mercado de biodiesel, um dos fatores que inviabilizam a mamona, paradoxalmente, é a qualidade de seu óleo, que tem aplicação nobre no setor químico. "A mamona ainda é cara por três motivos: baixa produtividade, baixa produção e demanda forte para outras finalidades, como produção de cosméticos, tintas e até combustível de foguetes", diz Arnoldo Campos, coordenador do programa de biodiesel do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
A aposta do governo na mamona começou em 2004, com o lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel. A ideia era criar uma cadeia produtiva que incentivasse a agricultura familiar e, ao mesmo tempo, fosse livre das variações de preços das commodities, como a soja, determinadas pelo mercado externo. Para garantir mercado, o governo estabeleceu a obrigatoriedade da adição de um porcentual mínimo de biodiesel ao diesel convencional vendido nos postos. Começou com 2% e hoje está em 4%. Além disso, criou benefícios econômicos para as usinas. Quem compra mamona de pequeno produtor ganha acesso aos leilões da Agência Nacional do Pelóleo (ANP), o único espaço para vender biodiesel à Petrobras.
Como o biodiesel da mamona continuou caro, as usinas começaram a atuar como meros atravessadores. Compram a mamona dos pequenos agricultores para garantir presença nos leilões da ANP, mas não a aproveitam para fazer biodiesel. É mais rentável produzir biodiesel com soja e revender a mamona à indústria química. Hoje, todo o mercado funciona assim. Segundo o governo, 71% do biocombustível é produzido a partir da soja. O restante, a partir do algodão e do sebo animal.
O desencanto com a mamona é tamanho que a área total ocupada pela cultura deverá cair neste ano em relação a 2008, segundo as estimativas da CONAB. No ano passado, em todo o país, foram usados 162,7 mil hectares para a mamona. Neste ano, a estimativa é de 156,6 mil hectares. De acordo com um relatório sobre o tema da ONG Repórter Brasil, que recebeu patrocínio internacional para investigar o setor, a explicação pode estar na falta de credibilidade do programa. "A catastrófica atuação da Brasil Ecodiesel nos últimos anos, com atraso nos pagamentos, quebra de contratos, abandono da produção, entre outros motivos, assustou muitos agricultores, que abandonaram a cultura", diz o texto.
Os problemas recentes do mercado da mamona estão diretamente associados à história da Brasil Ecodiesel. Dona de seis usinas em cinco Estados, ela foi a empresa que mais apostou no uso da mamona para a produção de combustível. Inaugurada em 2003 pelo empresário Daniel Birmann, a empresa acabou se transformando numa espécie de símbolo do programa e xodó do presidente Lula. Além de visitar o assentamento Santa Clara, no Piauí, Lula participou de quatro inaugurações de usinas da Brasil Ecodiesel pelo país. Antes de completar três anos, porém, a empresa passou a enfrentar sérios problemas societários e financeiros que quase a levaram à falência.
As dificuldades societárias começaram quando Birmann foi inabilitado pela Comissão de Valores Mobiliários para exercer cargos em companhias abertas. A penalidade, em 2005, ocorreu por causa de irregularidades na falência de outra empresa de seu grupo. Birmann vendeu sua participação para uma offshore (empresa no exterior) chamada Eco Green, mas a falta de informações sobre os controladores da offshore gerou desconfianças. No mercado, levantaram-se suspeitas de que por trás da Eco Green estava o próprio Birmann. Essa foi uma das explicações para o decepcionante resultado obtido na abertura de capital da Brasil Ecodiesel, em 2006. Os papéis da empresa despertaram baixo interesse.
A situação da Brasil Ecodiesel, de acordo com o diretor financeiro da empresa, Eduardo de Come, se agravou no fim de 2007. Num leilão da ANP, a Brasil Ecodiesel se comprometeu a entregar 170.000 toneladas de biodiesel no semestre seguinte a R$ 1,80 o quilo. No começo de 2008, porém, o preço da soja disparou, como resultado da crise internacional. Na hora de entregar as 170.000 toneladas de biodiesel, o custo de produção já chegava a R$ 3 o quilo. Quanto mais a Brasil Ecodiesel vendia, mais se afundava. "A empresa consumiu capital de giro, se endividou e não conseguiu entregar todo o contrato", diz De Come. "Por fim, veio a crise do crédito, que nos levou a uma reestruturação."
O tamanho do tombo da Brasil Ecodiesel pode ser medido pela variação do preço de suas ações desde o lançamento. No fim de 2006, cada ação foi oferecida por R$ 12. Na semana passada, estava cotada a R$ 0,83, uma desvalorização de 93%. No ano passado, o mercado foi tomado por especulações, segundo as quais o governo cassaria a licença da Brasil Ecodiesel de participação nos leilões da ANP. Seria a falência, mas não ocorreu. Em julho, a empresa terminou a reestruturação. O controle foi pulverizado. Entre os maiores acionistas atuais, está o fundo americano Zartmann, a Eco Green e o empresário Silvio Tini, conhecido no mercado por ser especialista em comprar ações de empresas com dificuldades.
Sobre os problemas no assentamento Santa Clara, Eduardo de Come reconhece que a empresa deixou de fornecer sementes para o replantio da mamona, mas afirma que não pretende abandonar o projeto. "Sentamos com os agricultores com antecedência e anunciamos que iríamos manter o investimento no menor nível possível", diz. "Ainda assim, gastamos US$ 3,5 milhões por ano no local para manter uma escola, um ônibus, um posto de saúde, as cestas básicas e o adiantamento mensal de R$ 160 por família."
O secretário de Relações Internacionais do Piauí, Sérgio Vilela, ex-titular da Agricultura, defende a Brasil Ecodiesel das denúncias de produção ilegal de carvão. "Eles instalaram fornos. Mas o carvão produzido era resultado do desmatamento necessário para a abertura de áreas para o plantio. A empresa errou no atraso do envio de sementes e na falta de preparo da terra."
Vilela defende uma intervenção estatal para tirar o assentamento da miséria: "A reforma agrária privada parecia inovadora, mas falhou. O Estado deveria reassumir a área com um programa de reforma agrária convencional porque a população não pode ficar abandonada".
Por causa do fracasso da mamona, o governo resolveu dar uma nova orientação ao programa do biodiesel e aumentou a participação da Petrobras no setor. Colocou o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rosseto na presidência da Petrobras Biocombustível e, em menos de um ano, inaugurou usinas na Bahia, no Ceará e em Minas Gerais. Há duas semanas, Lula disse que orientou Rosseto a criar uma empresa de biodiesel em cada Estado do Nordeste. Nos discursos, porém, seu entusiasmo com o assunto parece ter diminuído. Em 2005, Lula citou a palavra "mamona" 92 vezes. No ano passado, a mamona apareceu na boca do presidente em 16 oportunidades. Neste ano, até agora, Lula só a citou em 13 ocasiões, a maioria com ressalvas. O "petróleo verde" secou.
Fonte:Época; 10 de agosto de 2009

domingo, 9 de agosto de 2009

A ONDA ORGÂNICA

A maioria dos alimentos consumidos pela população são cultivados com agrotóxicos, mas, felizmente, os itens orgânicos estão cada vez mais disseminados nas mesas brasileiras
Redação Comunidade VIP
Antes de encher o carrinho do supermercado com frutas e verduras, é preciso estar de olho na procedência desses itens tão essenciais no cardápio diário. Nesse sentido, os alimentos orgânicos são os mais indicados para o consumo, por não estarem contaminados com os temíveis agrotóxicos. Produzido sem a utilização de insumos químicos e tóxicos, os orgânicos são feitos com padrões técnicos naturais que buscam assegurar a qualidade do produto final e a conservação ambiental. Outra vantagem diz respeito à qualidade de vida do próprio trabalhador rural, que evita o contato com substâncias prejudiciais à saúde. Já a produção realizada de forma convencional tem objetivo meramente econômico, sem considerar aspectos dos ciclos ecológicos, de saúde humana e ambiental. Sabor e saúde Segundo o nutricionista e permacultor Rafael de Oliveira Poubel, os alimentos orgânicos possuem melhor qualidade nutricional e mais sabor. "Eles impactam menos o ambiente em seu processo produtivo, gerando maior autonomia para os produtores", explica. Vale frisar que não existem leguminosas que absorvem mais ou menos as substâncias químicas. O que ocorre, na realidade, é que algumas culturas são mais atacadas por tipos de pragas e doenças, como é o caso do tomate, da batata, do morango, do mamão, do pêssego, da maçã, da laranja, entre outros. "Esses alimentos possuem muitos problemas fitossanitários e precisam ser tratados com agrotóxicos com muita frequência; por isso, acumulam mais resíduos de veneno", esclarece o pesquisador da Embrapa em Agricultura Orgânica, Francisco Vilela Resende. Porém, ainda existe um obstáculo que impede o consumo em grande escala dos orgânicos pela população. A oferta desses itens ainda é menor que a demanda, fazendo com que eles sejam bem mais caros. Resende argumenta que a culpa pelo valor exorbitante é o custo da certificação, selo que garante ao consumidor que ele está comprando um produto orgânico. "A produção de orgânicos exige maior esforço dos produtores, maior uso de mão-de-obra e manejo das culturas e da propriedade", justifica. Incentivo ao consumo Organizações não-governamentais lançaram projetos de incentivo ao consumo consciente dos alimentos orgânicos. Um exemplo é a compra direta, em que o consumidor passa a procurar o produtor orgânico em pequenas feiras de bairros ou grupos de compra coletiva antecipada. "Nesse caso, os valores passam a ser praticamente os mesmos dos produtos convencionais", observa Poubel. Para ele, o acúmulo de agrotóxicos a longo prazo no organismo pode levar a diversos problemas de saúde, desde processos alergênicos e enxaquecas até mesmo interferência na fertilidade e reprodução humana, comprovadamente verificada em animais. "Alguns dos componentes químicos dos agrotóxicos interferem nas funções hormonais", alerta o especialista. "Os alimentos produzidos de maneira orgânica são os que podem nos levar a uma vida mais saudável e harmônica com a natureza e com a vida em sociedade. Optando por alimentos da agricultura familiar orgânica estaremos contribuindo politicamente para um mundo melhor e mais justo, além de nossa saúde individual", finaliza Poubel. Colaborou a estagiária Karine Sousa Alimentos campeões de agrotóxicos Com o objetivo de avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos naturais que chegam à mesa do consumidor, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou, em 2001, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) que, além de fortalecer a capacidade do governo em atender a segurança alimentar, evita possíveis agravos à saúde da população. As coordenações de vigilância sanitária dos estados da Federação, que estão em parceria com a Anvisa, têm realizado procedimentos de coleta dos alimentos nos supermercados para posterior envio aos laboratórios. No ano de 2008, 17 culturas (abacaxi, alface, arroz, banana, batata, cebola, cenoura, feijão, laranja, maçã, mamão, manga, morango, pimentão, repolho, tomate e uva) foram monitoradas pelo programa com base nos dados fornecidos pela cesta básica do IBGE, além da disponibilidade destes alimentos no comércio de diferentes estados brasileiros. O pimentão foi o alimento que apresentou maior índice de agrotóxicos entre as 17 variedades de produtos comuns na mesa dos brasileiros analisados em 2008 pelo PARA. Foram coletados nos supermercados 101 pimentões para o exame toxicológico, 65 deles continham agrotóxicos em quantidade muito superior à permitida, o que significa um miligrama por quilo, com exigência de 14 dias entre a aplicação e o consumo. Isso de acordo com a legislação internacional adotada pelo Brasil e conhecida por Codex alimentarius. Outro dado que durante as pesquisas chamou a atenção da Anvisa foi o uso de agrotóxicos não permitidos em todas as culturas analisadas. Itens ativos que foram banidos dos países desenvolvidos, como acefato, metamidofós e endossulfam foram encontrados de forma irregular em abacaxi, alface, arroz, batata, cebola, cenoura, laranja, mamão, morango, pimentão, repolho, tomate e uva. "Desde 2008, o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo", afirma o gerente de Toxicologia da Anvisa, José Agenor. Atrás do pimentão, o morango ficou com o segundo lugar, com 36,05% teor de agrotóxicos; seguido da uva, com 32,67%, e da cenoura, com 30,39%. No total, a Anvisa analisou, no ano de 2008, 1.773 amostras de 17 alimentos. De todos os alimentos analisados, 15,28% foram aprovados. No restante, evidenciou-se o uso irregular de agrotóxicos, produtos proibidos ou excesso de aplicação. Mas o programa também apresentou resultados positivos. O famoso arroz com feijão, monitorado pela primeira vez, apresenta índices baixos de agrotóxicos, o primeiro com 4,41% e o segundo com 2,92%. Os dados se encontram de acordo com a legislação da Anvisa. Mas há também os produtos que tiveram queda acentuada na contaminação por agrotóxicos. A batata, que em 2007 apresentava 22,2%, agora registra 2%
Fonte:Tribuna do Brasil-DF 09/08/2009

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

CÓDIGO FLORESTAL / ONGs

Qui, 06/Ago/2009 00:25 Notícias Diárias

Nesta segunda-feira (03/08), mais de 2 mil ONGs e movimentos sociais protocolaram na Casa Civil e ministérios uma carta com contribuições ao debate sobre a alteração do Código Florestal Brasileiro. O documento indica que modificações negativas no Código Florestal podem afetar o clima, o patrimônio natural do País e, ainda, a imagem do Brasil no exterior. Entre as propostas contidas na carta, está o cadastramento georreferenciado dos imóveis rurais em todo o País e a limitação do desmatamento de novas áreas. ONGs e os movimentos sociais defendem que já existem áreas suficientes para produção agrícola e expansão urbana e que seus usos devem ser aprimorados. Outra mudança sugerida é que toda bacia hidrográfica, em todos os biomas, tenha um índice mínimo de vegetação nativa. No documento, as ONGs analisam propostas apresentadas pela bancada ruralista e Ministério da Agricultura e de líderes ruralistas como prejudiciais ao meio ambiente e defende o fim de novos desmatamentos. Também fazem um estudo dos pontos apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente em conjunto com algumas organizações ligadas à agricultura familiar, a serem incorporados na legislação florestal.
Veja aqui a íntegra da carta e um resumo das propostas apresentadas.
Assinam a carta: Articulação do Semi-Árido Brasileiro, Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS), Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia, Rede Cerrado e Rede de ONGs da Mata Atlântica.
Fonte: ISA / Ivan Marcelo Neves

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

ÍNDICE DA FELICIDADE INTERNA BRUTA

Índice da Felicidade Interna Bruta é mais fidedigno do que o PIB
ALC
Sexta-feira, 12 de junho de 2009 (ALC) -
A medida econômica proporcionada pelo Produto Interno Bruto (PIB) é equivocada. Ela não leva em conta capitais sociais, nem mesmo os custos ambientais. Outras alternativas estão sendo buscadas em contrapartida ao PIB, como é o caso da Felicidade Interna Bruta (FIB).
A FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana acontece quando ele se dá tanto no campo espiritual como no material.
Assim, a FIB escora-se em quatro pilares: promoção de um desenvolvimento socioeconômico sustentável e igualitário, preservação e promoção dos valores culturais, conservação do meio ambiente e estabelecimento de uma boa governança.
“Quando os manuais de economia forem corrigidos e todos os custos sociais e ambientais da produção forem incluídos nos preços aos consumidores, perceberemos que a produção e o comércio locais e regionais são mais eficientes”, declara a consultora inglesa Hazel Henderson em entrevista ao Instituto Humanitas (IHU), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).
Henderson destaca que a globalização da produção e do consumo acarretou muito desperdício de energia no transporte e muita destruição da biodiversidade. Ela defende que o comércio mundial deixe de transportar bens e passe a intercambiar serviços.
Na avaliação do economista Ladislau Dowbor, o sistema econômico hoje vigente no mundo ocidental mostra-se destrutivo em termos ambientais e injusto em termos sociais.
“Hoje os bancos estão falindo e dizemos ‘estamos em crise’. Mas quando morrem todos os anos dez milhões de crianças por causas ridículas, como não ter acesso à água limpa, isso não é crise?” – questiona na entrevista concedida ao IHU.
A conta de Dowbor é simples: Ao dividir o PIB do mundo, que é de 60 trilhões de dólares, pela população mundial, que é de 6,7 bilhões de habitantes, chega-se a um resultado que dá cerca de 5 mil reais (2.560 dólares) por família de quatro pessoas, por mês.
“Isso é importante, porque significa que, se o que o planeta produz hoje fosse distribuído de maneira minimamente justa, daria para todo mundo viver de maneira digna e confortável”, garante.
O ambientalista e coordenador do Portal EcoDebate, Henrique Cortez, também faz suas contas. “A produção agrícola mundial é, comprovadamente, mais do que suficiente para alimentar toda a população do planeta. Mesmo assim enfrentamos uma inaceitável crise alimentar”, afirma, assinalando que com a produção hoje registrada daria para alimentar nove bilhões de pessoas.
O economista francês Serge Latouche, também em entrevista ao IHU, tem outro cálculo. Ele lembra que o espaço disponível no planeta Terra é limitado, de 51 bilhões de hectares. Mas o espaço “bioprodutivo” - útil à produção - é mais restrito ainda, em torno de 12 bilhões de hectares. Dividido pela população mundial chegar-se-ia a 1,8 hectares por pessoa.
No entanto, um cidadão dos Estados Unidos consome 9,6 hectares, um canadense 7,2, um francês 5,2 e um italiano 3,8. “Mesmo havendo grandes diferenças no espaço bioprodutivo disponível em cada país, estamos bem longe da igualdade planetária”, aponta.
Para reforçar o seu argumento, Latouche menciona que cada americano consome em média em torno de 90 toneladas de materiais naturais diversos, um alemão 80, um italiano 50. “Em outros termos, a humanidade já consome perto de 40% mais que a capacidade de regeneração da biosfera”, comprara.
Os Estados Unidos, com 4% da população mundial, consomem 25% da energia do planeta, arrola Dowbor na entrevista. “Se adotarmos uma forma de consumo tipo norte-americana, precisaríamos hoje de mais quatro planetas, mesmo não havendo aumento da população”, frisa.
Dowbor assinala que não é possível conciliar a sustentabilidade do planeta com a economia. Ele também questiona a mensuração do PIB e defende uma nova contabilidade, que leve em conta a qualidade de vida das pessoas.
Quando uma equipe é contratada para limpar um curso d’água poluído por dejetos, na verdade o PIB está crescendo com essa contratação, porque se aumenta o fluxo do uso de recursos, exemplifica.
“Mas quando pegamos a Pastoral da Criança que, por medidas preventivas e sem gastar em medicamentos ou com hospitalização, ela reduz a mortalidade das crianças, percebemos que ela não está aumentando o PIB, mas está reduzindo-o, porque reduziu gastos com medicamentos”, avalia Dowbor.
Fica parecendo, pois, que aumentar o PIB sempre é bom, que usar mais recursos também o é, quando, na verdade, a humanidade está gastando os recursos do planeta, contabiliza.
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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)
Edição em português: Rua Ernesto Silva, 83/301, 93042-740 - São Leopoldo - RS - Brasil
Tel. (+55) 51 3592 0416

AGRICULTORES DO SUL E EXTREMO SUL DA BAHIA SE UNEM CONTRA A PROPOSTA DA DEMARCAÇÃO

Agricultores das regiões de Ilhéus, Una, Buerarema e Santa Luzia atingidos pelo relatório do Funai que propõe a demarcação de 47.370 hectares de terras na região, se uniram aos produtores rurais e empresários das regiões de Porto Seguro, Itamaraju e Teixeira de Freitas, também vítimas da proposta de demarcação, para lutar contra o relatório que, segundo eles, traz conflitos e prejuízos irreparáveis para a economia desses municípios. A idéia dos agricultores é fazer um movimento nacional pela mudança dos critérios e dos modelos propostos pela Funai para a demarcação e somar ainda mais forças para mostrar os danos que essa proposta traz para as cidades. Para isso, os agricultores já estão se mobilizando e nesse mês de agosto tem agendadas reuniões na Comissão de Agricultura da Câmara Federal, em Brasília, no próximo dia 12, e na Assembléia Legislativa da Bahia, em Salvador, no dia 20.
Durante a reunião de avaliação dos 100 dias do movimento contra a demarcação no Sul da Bahia, o representante dos agricultores do Extremo Sul, Lindomar Antônio Lembranci, falou sobre os danos que a proposta da Funai vem provocando naquela região onde famílias inteiras foram arrancadas de suas propriedades, sem qualquer justificativa, e atualmente enfrentam sérias dificuldades financeiras. Ele citou o caso de uma viúva que teve sua propriedade rural envolvida na demarcação e que perdeu praticamente tudo. Para evitar novas vítimas desse processo absurdo e injusto é que os pequenos agricultores do Sul e Extremo Sul da Bahia, que convivem com problemas e situações semelhantes, resolveram lutar unidos e pretendem se juntar a outras regiões do Brasil que enfrentam situações semelhantes.
Somente nos municípios Ilhéus, Una, Buerarema e Santa Luzia a Funai pretende demarcar 47.370 hectares, envolvendo centenas de propriedades rurais e atingindo diretamente 20 mil pessoas que dependem dessas terras para sobreviver. A proposta da Funai é tomar essas terras produtivas dos agricultores e entregar para supostos descendentes de índios Tupinambá de Olivença. O presidente da Comissão de Agricultores, Luiz Henrique Uaquim, explica que o movimento dos produtores rurais não é contra os verdadeiros índios, mas sim para garantir aos pequenos proprietários o direito constitucional de propriedade. Segundo ele, a Funai está se valendo de um relatório mentiroso e fraudulento para tirar terras de cerca de 20 mil pessoas para entregar a cerca de 200 pseudos-descendentes de índios.
Após avaliar todas as etapas dos 100 dias de luta, os agricultores decidiram continuar a mobilização para provar os erros e as mentiras contidas no relatório da Funai que propõe a demarcação das terras no Sul da Bahia. Além das reuniões e dos movimentos já agendados, os agricultores estarão apresentando até o dia 17 de agosto um documento contestando oficialmente o relatório da Funai, onde vão provar todos os erros, mentiras, fraudes, vícios e abusos contidos no relatório. Com base em estudos de historiadores e antropólogos, o documento elaborado pelos agricultores vai provar que são os verdadeiros proprietários dessas terras e ainda que, ao contrário do que diz a Funai, não há qualquer registro histórico que confirme a existência dos índios Tupinambá nessa região.
Fonte: http://www.r2cpress.com.br/node/8703#comments

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"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, e depois perdem o dinheiro para a recuperar. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro.
Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido..." (Confúcio)

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