domingo, 4 de março de 2012

Sistema Cacau Cabruca está na lista de casos de sucesso em sustentabilidade



Modelo de produção conservacionista de cacau é a única do Nordeste em relação que passará por aprovação da Casa Civil

A Bahia é representada pelo sistema agroflorestal Cacau Cabruca em relação de cases de práticas sustentáveis de agricultura em território brasileiro selecionados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para orientar a mídia internacional na cobertura dos principais projetos de sustentabilidade do Brasil para a Rio + 20 – Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. O sistema Cabruca está entre os oito cases selecionados, entre várias iniciativas de todo o Brasil, sendo o único que representa o nordeste do País.


As áreas de Cacau Cabruca juntamente com as áreas originais de Mata Atlântica no sul da Bahia, possibilitaram a conservação do maior bloco do bioma no nordeste do Brasil, sendo este um fator determinante para a indicação. O sistema é considerado conservacionista por manter as árvores nativas da Mata Atlântica sombreando o cultivo do cacau, contribuindo para a conservação da água e do solo e principalmente da biodiversidade – pela manutenção das espécies da flora e por meio de corredores ecológicos para a fauna nativa e também pelo seqüestro de carbono.

Em função destas características, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) na Bahia desenvolveu um marco referencial para a manutenção da sustentabilidade do sistema chamado de “Conservação Produtiva” que consiste em harmonizar a produção de cacau com a conservação da Mata Atlântica.Para Juvenal Maynart, Superintende da Ceplac na Bahia “a indicação mostra que o setor está se fortalecendo e aprimorando a sua imagem ligada a sustentabilidade. A instituição, com sua nova diretoria, tem focado ainda mais em pesquisa e políticas públicas com o objetivo de agregar valor ao produto e mostrar que a produção cacaueira é economicamente sólida, viável e sustentável”.

De acordo com o presidente do Instituto Cabruca e da Câmara Setorial do Cacau, Durval Libânio, a indicação mostra que “a produção sustentável do cacau é referência para o que hoje chamamos de economia verde, um dos pilares de discussão da Rio + 20, merecendo destaque por aliar economia e meio ambiente, com foco na Mata Atlântica, um dos biomas mais importantes do planeta – e também um dos mais devastados – e por promover ações voltadas às comunidades locais do sul da Bahia, que se conscientizam e se beneficiam da agroecologia”.

Apesar de ser nativo da Amazônia, foi na Bahia, com a sombra das árvores da Mata Atlântica, que o cacau prosperou e se desenvolveu. De acordo com informações da Câmara Setorial do Cacau, a Bahia tem 32 mil produtores, responsáveis por 70% da produção de cacau do Brasil – sendo referência também no exterior, o que representa cerca de 160 mil toneladas da amêndoa por ano.

Fonte: Assessoria Painel Florestal

http://painelflorestal.com.br/noticias/cacau/14259/sistema-cacau-cabruca-esta-na-lista-de-casos-de-sucesso-em-sustentabilidade

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Fossa Séptica Biodigestora

Fossa Séptica Não-Contaminante De Lençol Freático - Download fossa.pdf





Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e o Abastecimento, a agricultura de base familiar reúne 14 milhões de pessoas, mais de 60% do total de agricultores, e detém 75% dos estabelecimentos agrícolas no Brasil. É comum nessas propriedades o uso de fossas rudimentares (fossa "negra", poço, buraco, etc.), que contaminam águas subterrâneas e, obviamente os poços de água, os conhecidos poços ”caipiras”. Assim, há a possibilidade de contaminação dessa população, por doenças veiculadas pela urina, fezes e água, como hepatite, cólera, salmonelose e outras.
O processo de biodigestão de resíduos orgânicos é bastante antigo, sendo que a primeira unidade foi instalada em Bombaim, na Índia em 1819; na Austrália uma companhia produz e industrializa o metano a partir de esgoto desde 1911. A China possui 4,5 milhões de biodigestores que produzem gás e adubo orgânico, sendo que a principal função é o saneamento no meio rural (http://www.cdcc.sc.usp.br/escolas/juliano/biodiges.html#6). No Brasil, a ênfase para os biodigestores foi dada para a produção de gás, com o objetivo de converter a energia do biogás em energia elétrica através de geradores. Isso permitiu melhorar as condições rurais, como por exemplo o uso de ordenhadeiras na produção de leite, e outros benefícios que podem ser introduzidos. Esse processo realiza-se através da decomposição anaeróbica da matéria orgânica digerível por bactérias que a transforma em biogás e efluente estabilizado e sem odores, podendo ser utilizado para fins agrícolas. As fases do processo constam de: fase de hidrólise enzimática, ácida e metanogênica (Olsen & Larsen, 1987), as quais eliminam todo e qualquer elemento patogênico existente nas fezes, devido principalmente, à variação de temperatura. Com isso, o processo de biodigestão de resíduos orgânicos é uma possibilidade real a ser considerada para a melhoria do saneamento no meio rural. Em suma, o biodigestor aqui desenvolvido tem dois objetivos: 1) substituir, a um custo barato para o produtor rural, o esgoto a céu aberto e as fossas sépticas e 2) utilizar o efluente como um adubo orgânico, minimizando gastos com adubação química, ou seja, melhorar o saneamento rural e desenvolver a agricultura orgânica.

Figura 1a - Todo o sistema

O sistema (figura 1a) é composto por duas caixas de fibrocimento ou fibra de vidro de 1000 L cada [5], facilmente encontradas no comércio, conectadas exclusivamente ao vaso sanitário, (pois a água do banheiro e da pia não têm potencial patogênico e sabão ou detergente tem propriedades antibióticas que inibem o processo de biodigestão) e a uma terceira de 1000 L [6], que serve para coleta do efluente (adubo orgânico). As tampas dessas caixas devem ser vedadas com borracha e unidas entre si por tubos e conexões de PVC de 4", com curva de 90o longa [3] no interior das caixas e T de inspeção [4] para o caso de entupimento do sistema. Os tubos e conexões devem ser vedados na junção com a caixa com cola de silicone e o sistema deve ficar enterrado no solo para manter o isolamento térmico. Inicialmente, a primeira caixa deve ser preenchida com aproximadamente 20 L de uma mistura de 50% de água e 50% esterco bovino (fresco). O objetivo desse procedimento é aumentar a atividade microbiana e consequentemente a eficiência da biodigestão, dever ser repetido a cada 30 dias com 10 L da mistura água/esterco bovino através da válvula de retenção [1]. O sistema consta ainda de duas chaminés de alívio [2] colocadas sobre as duas primeiras caixas para a descarga do gás acumulado (CH4). A coleta do efluente é feita através do registro de esfera de 50 mm [7] instalado na caixa coletora [6]. Caso não se deseje aproveitar o efluente como adubo e utilizá-lo somente para irrigação, pode-se montar na terceira caixa um filtro de areia, que permitirá a saída de água sem excesso de matéria orgânica dissolvida (figura 1b).

Figura 1b - 3a. caixa projetada para remoção da matéria orgânica

A lista de material necessário para a construção do sistema é a seguinte:

Se não for utilizar o efluente como adubo orgânico, mais:
Areia fina lavada
Pedra britada nº 1
Pedra britada nº 3
Tela de nylon fina - tipo mosquiteiro



Fonte: http://www.cnpdia.embrapa.br/produtos/fossa.html

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Melhora a produtividade do cacau brasileiro, e país pode ser autossuficiente em cinco a seis anos, comemora Josias

A produção de cacau no Brasil, e, especialmente, na Bahia, continua reagindo positivamente e alcançando índices elevados de produtividade, fazendo com que o país possa até conseguir a autossuficiência em cinco ou seis anos. Nesta sexta-feira, 04, o deputado federal baiano, Josias Gomes, com destacada militância política na região cacaueira do estado, comemorou números revelados pelo jornal Valor Econômico, referentes ao cacau brasileiro.

Segundo comenta o parlamentar, “há fazendas com produção de cacau, supervisionadas pela Ceplac-Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, produzindo até 150 arrobas por hectare, depois de anos de anos de baixíssima produtividade por conta da incidência da doença vassoura de bruxa; enquanto isto, indústrias internacionais se uniram a empresas nacionais, sob a coordenação da Associação Produtora de Cacau, e estão alcançando, em fazendas pré-selecionadas, produtividade de até 32 arrobas por hectare, onde antes a produtividade era de 11,5 arrobas por hectare”.

De acordo com a matéria do Valor Econômico, reproduzindo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), com o crescimento da produção de cacau, as indústrias processadoras reduziram a importação do produto, entre 2010 e 2009, em 35%. Ainda segundo o jornal, reproduzindo informações da TH-Consultoria e Estudos de Mercado, a safra brasileira 2010-2011, que termina em abril, deve atingir 195 mil toneladas, 26% mais que na safra anterior.

A Ceplac não para de investir em parcerias acadêmicas visando o combate à vassoura de bruxa e a melhoria da produtividade do cacau. Em dezembro do ano passado, o órgão realizou um debate técnico-cientifíco entre os pesquisadores do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec) e os professores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP. O objetivo foi discutir sobre a possibilidade de utilização de um composto metabólico secundário (alfa tomatina) como fungicida no combate ao fungo Moniliophthora perniciosa, causador da vassoura-de-bruxa do cacaueiro, que vem se revelando eficaz em estudos de labotatório.

Também em dezembro de 2010, foi assinado Acordo de Cooperação Técnica entre a Secretaria da Agricultura e Desenvolvimento Agrário do Estado de Sergipe (Seagri) e a Ceplac. O objetivo do Acordo é o de realizar estudos, pesquisas e implantação de unidades demonstrativas com plantio de cacau de sequeiro e em consórcio com seringueira, açaizeiro, cupuaçuzeiro e frutíferas e sistemas agroflorestais (SAFs).

“O importante é que todos vêm se esforçando, tanto a iniciativa privada quanto o poder público, com destaque para o Governo Federal, através da Ceplac, o Governo da Bahia, visando a recuperação da lavoura cacaueira nacional e a produção de chocolate”, ressalta Josias. Conforme o deputado, “há que ser considerada, também, as parcerias feitas com cooperativas de agricultores familiares visando o beneficiamento do cacau como outra das iniciativas públicas para melhoria da produção cacaueira, e, assim, todos unidos, haveremos de consolidar o Brasil como um dos maiores produtores de cacau e chocolate de todo o mundo”, encerrou Josias.

Comunicação – Deputado Josias Gomes

terça-feira, 21 de junho de 2011

Colheita do cacau começa com atraso no sul da Bahia

Apesar do atraso, a qualidade está sendo considerada boa.

Já o preço baixo pago pela arroba preocupa os produtores.

A colheita em uma fazenda de 12 hectares no município de Uruçuca, no sul da Bahia, começou esta semana, bem diferente do ano passado, quando nesta mesma época, quase 10% já havia sido colhido.

Apesar do atraso, a qualidade do cacau está sendo considerada boa. Os frutos estão perfeitos para a indústria do chocolate, sem ataques de pragas ou fungos.

A expectativa dos produtores para a safra deste ano não é tão boa quanto a do ano passado. De acordo com a Associação dos Produtores de Cacau da Bahia, em 2011, a safra deve ser de 120 mil toneladas, 20% a menos em relação à safra passada.

Henrique Almeida, produtor de cacau há mais de 30 anos e presidente da Associação dos Produtores de Cacau tem uma fazenda com 90 hectares do fruto. Ele ainda não começou a colheita este ano e não está entusiasmado com o preço.

No ano passado, a arroba do cacau foi vendida por R$ 95, agora, o preço de mercado está girando em torno de R$ 76. “Os custos aumentaram, os insumos tiveram aumento em torno de 50%, a mão-de-obra aumentou e estamos tendo redução no preço da arroba”, lamenta Henrique.

Fonte: G1: http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2011/04/colheita-do-cacau-comeca-com-atraso-no-sul-da-bahia.html, em 29/04/2011


segunda-feira, 20 de junho de 2011

ENTIDADES GARANTEM QUE 2010 FOI O ANO DO RESSURGIMENTO DA LAVOURA CACAUEIRA.



Entidades representativas da lavoura cacaueira reuniram a imprensa nesta terça-feira (14), em Itabuna, para mostrar os avanços alcançados em 2010 e os planos para 2011. O presidente da Associação dos Produtores de Cacau (APC) e diretor-geral da Biofábrica, Henrique Almeida; o chefe do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec/Ceplac), Adonias Castro; o presidente da Câmara Setorial do Cacau, Fausto Pinheiro; o secretário-executivo do Instituto Cabruca, Durval Libânio e o do Grupo Pensar Cacau, Águido Muniz foram unânimes ao classificar 2010 como o ano do ressurgimento da lavoura cacaueira no sul da Bahia.

Durval Libânio do Instituto Cabruca, referenciou como bom exemplo a participação premiada dos produtores baianos no Salão do Chocolate de Paris, onde o cacau produzido em Ilhéus foi eleito o melhor da América do Sul. “Outro salto importante foi o início do processo de produção de madeira legal, registrado em Camacan, onde uma empresa licenciou 600 metros deste produto, abrindo uma perspectiva enorme para resolver um dos grandes entraves desta região, que é a extração clandestina de madeira”.

Para Libânio, o sul da Bahia está dando um passo considerável em direção a outras perspectivas ambientais, sociais e econômicas. “Por isso, lutamos também pela indicação geográfica do Sul da Bahia, criação dos cursos de Engenharia Florestal e Engenharia de Alimentos na Uesc, ampliação das ações da Ceplac e pela implementação de um programa de silvicultura que impulsione a economia local a partir do cacau, chocolate e turismo, alcançando não só as zonas rurais como também as zonas urbanas”, completa.
“Foi o fim de uma década difícil para a região”, sentenciou o chefe do Cepec, listando alguns avanços conquistados pela Ceplac na atual gestão. “Diminuiu a incidência de vassoura-de-bruxa no campo e a produção, em alguns casos, dobrou”, diz Adonias Castro, pontuando a intensa pauta da Ceplac de atividades dirigidas ao produtor. “Fizemos mais de 40 eventos de aproximação com o produtor em 2010, ampliamos o diálogo com as instituições parceiras, sobretudo as voltadas para o meio ambiente e intensificamos o esforço para o registro definitivo do Tricovab – o biofungicida elaborado pelos pesquisadores do Centro de Pesquisas do Cacau, desde 1999, com fungo antagônico ao da vassoura-de-bruxa – nos órgãos competentes”.


O presidente da APC e diretor-geral da Biofábrica também enxerga 2010 como um marco para a cacauicultura baiana. “As entidades ligadas ao setor se fortaleceram e estão atuando em parceria, garantindo saltos importantes, como a liberação de R$ 6 milhões pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Ceplac para a Renorbio, destinados às pesquisas relativas à vassoura-de-bruxa e produção de clones resistentes e tolerantes ao fungo Moniliophthora perniciosa, causador da doença. Outro impulso fundamental foi a inclusão do cacau no FNE Verde (Programa de Financiamento à Conservação e Controle do Meio Ambiente), luta capitaneada pelo Instituto Cabruca e defendida por todos nós”, ressalva Henrique Almeida.


O ano de 2010 foi igualmente promissor para o Instituto Biofábrica de Cacau. Segundo Henrique Almeida, a entidade reorganizou suas finanças, quitou dívidas trabalhistas e, principalmente, retomou a produção que estava praticamente estagnada. “A produção de mudas saltou de 146 mil mudas para 1,5 milhão de mudas, graças ao esforço coletivo para redução dos custos e incremento da unidade de fabricação, onde estamos reformando os viveiros, com recursos alocados no Orçamento da União”.


Novo ciclo de desenvolvimento regional:
Os avanços da lavoura cacaueira foram vistos nos setores tecnológico, político e econômico.


Para Águido Muniz, do Grupo Pensar Cacau, tudo isso foi possível graças à parceira entre as diversas instituições. “A Ceplac alcançou um salto qualitativo no campo e a APC abriu novas perspectivas para os produtores”.


O presidente da Câmara Setorial do Cacau, Fausto Pinheiro, pontua a fortalecimento institucional da região que visa, entre outras metas, o financiamento das unidades produtivas de chocolate. “Não seremos mais apenas meros produtores de amêndoas de cacau; queremos entrar no mercado de chocolate”, segundo ele.



Fonte: Instituto Cabruca

terça-feira, 10 de maio de 2011

Agroecologia pode dobrar produção de alimentos em 10 anos

Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual

Ao mesmo tempo em que a alta mundial no preço dos alimentos atinge seu maior patamar em duas décadas e dá força redobrada ao fantasma da fome que persegue as populações pobres dos países economicamente mais vulneráveis, um informe da Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a Agroecologia pode duplicar a produção alimentar nos próximos dez anos. Divulgado na terça-feira (8) pelo Alto-Comissariado de Direitos Humanos, o documento que, segundo a ONU, foi embasado por “uma exaustiva revisão da literatura científica mais recente”, defende a Agroecologia como “meio para incrementar a produção alimentar e melhorar a situação dos mais pobres”.

Os estudos que embasaram o informe foram coordenados pelo belga Olivier de Schutter que, desde 2008, é relator especial da ONU sobre direito à alimentação: “Para poder alimentar a nove bilhões de pessoas em 2050, necessitamos urgentemente adotar as técnicas agrícolas mais eficientes conhecidas até hoje. Neste sentido, os estudos científicos mais recentes demonstram que ali onde reina a fome, especialmente nas zonas mais desfavorecidas, os métodos agroecológicos são muito mais eficazes para estimular a produção alimentar do que os fertilizantes químicos.”

De acordo com os casos relatados no documento da ONU, projetos agroecológicos desenvolvidos nos últimos anosem 57 países em desenvolvimento registraram um rendimento médio de 80% em suas lavouras. Isso significa, por exemplo, um aumento de 116% na média de todos os projetos desenvolvidos na África. “Os projetos mais recentes levados a cabo em 20 países africanos demonstraram que é possível duplicar o rendimento das lavouras em um período de três a dez anos”, afirma Schutter.

A ONU afirma que o modelo agrícola dominante, baseado nas monoculturas e na utilização massiva de agrotóxicos, fertilizantes e outros insumos, “já demonstrou não ser a melhor opção no contexto atual”, além de acelerar o processo de aquecimento global. “Amplos setores da comunidade científica já reconhecem os efeitos positivos da agroecologiasobre a produção alimentar no que se refere à redução da pobreza e à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas”, afirma o documento.

MENOS AGROTÓXICOS

O relatório divulgado pelo Alto-Comissariado de Direitos Humanos da ONU também dá destaque aos países que diminuíram consideravelmente a utilização de agrotóxicos nos últimos anos. São citados no documento países como Indonésia, Vietnã e Bangladesh, que reduziram em até 92% o uso de agrotóxicos na produção de arroz, que é oalimento básico das populações camponesas desses países.

Outro exemplo citado no relatório é o do Malauí, país que era grande consumidor de produtos agroquímicos e agorafaz sucesso com a transição para um modelo agroecológico. Segundo a ONU, essa transição já tirou da extremapobreza 1,3 milhões de pessoas, além de aumentar o rendimento das lavouras de milho do país de uma para três toneladas por hectare. “O conhecimento substituiu os pesticidas e fertilizantes”, comemora Olivier de Schutter.

O relator especial da ONU sobre o direito à alimentação afirma que o Estado tem um “papel fundamental” a cumprir no fortalecimento da agroecologia. “As empresas privadas não investirão tempo e dinheiro em práticas que nãopodem proteger com patentes e que não pressuponham uma abertura dos mercados para novos produtos químicos ou sementes melhoradas”. Schutter também exortou os Estados a darem maior apoio às organizações camponesas que, segundo ele, “demonstraram uma grande habilidade na hora de difundir as melhores práticas agroecológicas entre seus membros”.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Baixo Sul da Bahia - História



No dia 13 de março de 1531, a esquadrilha comandada por Martim Afonso de Souza atracou na Bahia de Todos os Santos, com cinco navios e 400 homens. Prosseguiram para o sul, pois tinham a missão de explorar o litoral e proteger a costa das freqüentes incursões de franceses e espanhóis, fundando povoações que reforçassem a presença lusitana no novo continente.

A Capitania de Ilhéus, à que pertencia na época a região do Baixo Sul, foi doada a Jorge de Figueiredo Correa, mas este não veio povoá-la pessoalmente, senão que enviou no seu lugar o fidalgo espanhol Francisco Romeiro. Este se estabeleceu, em 1537, no Morro de São Paulo, sendo esta a primeira povoação da capitania, seguida, em 1545, pela vila de São Jorge do Rio dos Ilhéus.

Muitas das cidades hoje existentes no litoral sul foram originalmente aldeias fundadas por padres missionários, especialmente jesuítas. No início, os padres visitavam as povoações indígenas e promoviam conversões ao catolicismo, mas logo perceberam que os índios batizados continuavam mantendo seus hábitos e crenças. Veio a política dos aldeamentos de Manoel da Nóbrega e a Bahia transformou-se numa espécie de “campo experimental” dessa prática, que começou em 1549. Entre os primitivos aldeamentos destaca-se Camamu, criado em 1560. O nome deriva de uma espécie de ave aquática chamada “peito negro”. Também Taperoá nasceu de um aldeamento

jesuítico fundado nesse mesmo ano. Camamu tornou-se município em 1891, sendo à época o maior exportador de farinha de mandioca do país e o segundo município mais importante da Bahia.

Em 1565 foram criadas as vilas de Cairu e Santo Antônio de Boipeba, Os colonos se refugiavam nas ilhas porque os aimorés não navegavam. Nessa época, também começou o povoamento da cidade de Valença pelo português Sebastião da Ponte, senhor de engenho do Recôncavo, que já entrou nela fazendo grandes investimentos. Construiu uma igreja, montou um engenho de açúcar e uma fazenda de gado. Além disso, conseguiu fixar uma aldeia aimoré e atraia colonos brancos para suas terras. No entanto, por ter marcado a ferro um colono português branco, acabou preso e terminou seus dias numa cadeia em Portugal. A vila sofreria depois disso um longo retrocesso.

No final do século XVII, havia engenhos em Cairu, Biopeba e Camamu. Os aldeamentos indígenas vizinhos tinham um papel bem definido de produtores de alimentos para os engenhos, além de fornecedores de utensílios e madeiras, mas o principal produto era sem dúvida a farinha de mandioca. Com a explosão da economia canavieira no Recôncavo, a região do Baixo Sul se transforma em fornecedora de farinha de mandioca e outros mantimentos para as regiões açucareiras.

Os interesses dos senhores do Recôncavo levaram a que os engenhos fossem proibidos no litoral do Baixo Sul pelo governador Afonso Furtado, desde meados da década de 1670, com a exceção de um engenho em Cairu, que foi

mantido graças à sua antiguidade. Os senhores de engenho não queriam perder tempo nem recursos na produção alimentar, preferindo comprar os alimentos. O litoral sul teria que ser sinônimo de farinha.

Em 1844 se instala em Valença a fábrica de tecidos “Todos os Santos”. Era o capital comercial se deslocando para o ramo da produção. Os tecidos fabricados eram rudes, para ensacar produtos ou servir para confeccionar as roupas que vestiam os escravos e camadas mais pobres da população. Na época do império, a fábrica de tecidos foi considerada como modelo de organização, do Brasil e da América Latina (CAR, 1995). A fábrica contava com a força hidráulica do rio Una. Tinha uma fundição de ferro e bronze ao lado para a fabricação e reparo das peças. Em 1860, quando a fábrica foi visitada por Dom Pedro II, a mesma contava com 200 a 300 empregados, principalmente mulheres. Um detalhe importante é que a fábrica tinha trabalhadores contratados, mesmo em plena época da escravidão. Mas a empresa enfrentou dificuldades para se consolidar. Na década de 1860, outra fábrica instalou-se em Valença, a “Nossa Senhora do Amparo” e depois ambas se uniram na Companhia Valença Industrial, que posteriormente faliu.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ministério da Agricultura cria selo único para produtos orgânicos


O Ministério da Agricultura instituiu o selo único oficial para os produtos orgânicos. O selo só pode ser usado nos orgânicos produzidos em unidades credenciadas pelo ministério. A instrução normativa foi publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira (6/11).

A exceção da obrigatoriedade de certificação dos orgânicos vale para os produtos da agricultura familiar, que podem ser vendidos diretamente aos consumidores, desde que os agricultores estejam vinculados a uma organização de controle social (OCS).

O selo de certificação serve para dar ao consumidor a certeza de estar levando para casa um produto sem contaminação química. Os orgânicos são cultivados sem o uso de agrotóxicos, adubos químicos e outras substâncias tóxicas e sintéticas, o que os torna mais saudáveis.

A agricultura orgânica busca criar ecossistemas mais equilibrados, preservando a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo. O agricultor orgânico se preocupa com a preservação do meio ambiente e não cultiva produtos transgênicos porque não quer arriscar a diversidade de variedades existentes na natureza.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o selo só é conferido após rigorosos exames de controle de qualidade de solo, da água e reciclagem de matéria orgânica.

Fonte: Agência Brasil <http://www.agenciab rasil.gov. br/noticias/ 2009/11/06/ materia.2009- 11-06.7183725852 /view> .

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

PACOTE DE LULA TENTA PÔR FIM À DISPUTA DO CÓDIGO FLORESTAL



Mauro Zanatta, de Brasília 28/10/2009

Pacote será um conjunto de decretos e MPs para "resolver 70% dos temas" que opõem ruralistas e ambientalistas
O presidente Lula assina na próxima semana um pacote ambiental para a reforma do Código Florestal Brasileiro, em vigor desde 1965. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse ao Valor que será um conjunto de decretos, portarias e medida provisória para "resolver 70% dos temas" que opõem ruralistas e ambientalistas. As medidas vão instituir instrumentos polêmicos como a "cota de reserva legal" e a permissão para a aquisição, e posterior doação à União, de terras em unidades de conservação estaduais ou federais por produtores rurais. "É uma guerra de 20 anos que só se resolve com a legalização das áreas", disse Minc.
No governo, há acordo fechado entre Minc, a Casa Civil e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas persistem resistências no Ministério da Agricultura. Sem contar a oposição de ambientalistas e ruralistas da comissão especial de reforma do Código Florestal na Câmara dos Deputados.
Para angariar simpatias externas, segundo Minc, o acordo exclui qualquer possibilidade de anistia por desmatamentos anteriores, a delegação de poderes na esfera ambiental aos Estados e a redução da reserva legal na Amazônia de 80% para 50% da propriedade. "Sobre isso não tem papo. Se os ruralistas aprovassem algo disso em uma lei, o Lula vetaria", afirmou o ministro.
O pacote vai ampliar em seis meses o prazo que acabaria em 11 de dezembro para a regularização ambiental das propriedades rurais. Pela nova proposta, a adesão voluntária dos produtores proporcionará um prazo de 20 anos para o cumprimento dos compromissos que forem assumidos.
O texto alinhavado pelo ministro, no grupo de trabalho coordenado pela Casa Civil, permite atividades em encostas, à exceção do plantio de cana e grãos, além da criação de gado. Estariam mantidas, assim, as plantações de café, maçã e uva nessas regiões. As demais atividades ficam proibidas. O documento também admite a soma da reserva legal a Áreas de Preservação Permanente em propriedades de até 400 hectares na Amazônia ou 150 hectares nas demais regiões. "Queriam para todo mundo, mas não dá para fazer no Cerrado", disse Minc.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

UM SINAL VERDE PARA O CAMPO


Políticas fundiárias que atravessem o séc. 21 terão de plantar e semear o tema da sustentabilidade

Marcelo Pedroso Goulart* - promotor publico, em Ribeirao preto, SP
O padrão de produção agrícola hegemônico no Brasil descende da 2ª Revolução Agrícola e baseia-se no tripé latifúndio, monocultura e agroquímica. Causa graves impactos socioambientais: a redução da biodiversidade pelo desflorestamento para a implantação da monocultura, a contaminação das águas e do solo por meio do uso excessivo de agrotóxicos, o uso intensivo de água, a compactação do solo em razão do tráfego de máquinas pesadas, o assoreamento dos corpos d"água devido à erosão do solo em áreas de renovação de lavoura, o lançamento de gases tóxicos e materiais particulados na atmosfera durante a queima de pastos, de florestas e da palha da cana-de-açúcar, a pressão sobre os cerrados e as florestas tropicais decorrentes da expansão forçada da fronteira agrícola para a produção de alimentos, a superexploração do trabalho, desemprego, intensa migração nos períodos de safra, êxodo rural, aumento dos conflitos fundiários e uma urbanização caótica. Concentra a propriedade da terra, com a incorporação dos pequenos e médios imóveis rurais pela grande empresa agrícola monocultora. E, ao concentrar propriedade, também concentra renda, riqueza e poder político. Os beneficiários desse modelo predatório de agricultura determinam a pauta dos centros de difusão ideológica, produzindo uma espécie de pensamento único para o campo. É um modelo que não se coaduna com as sociedades democráticas: por isso é preciso mudá-lo. As forças sociais progressistas exigem uma agricultura sustentável que seja ecologicamente equilibrada, economicamente viável, socialmente justa e culturalmente apropriada. O novo modelo pressupõe a diversificação de culturas, a utilização racional dos recursos naturais e a mínima produção de impactos prejudiciais ao ambiente. Deve proporcionar retornos econômicos ao produtor, amoldar-se às características históricas e culturais do povo e garantir soberania e segurança alimentar, contribuindo para a erradicação da pobreza.A implementação desse padrão de produção agrícola passa necessariamente pela mudança da estrutura fundiária, com a desapropriação dos grandes imóveis rurais que não cumprem sua função social. Impõe, portanto, a execução de uma política de reforma agrária séria e consequente.A base jurídica dessa política está na Constituição Federal, que proclamou o direito fundamental à propriedade, a garantir a universalização do acesso à terra. Mais: nossa Lei Maior condiciona a proteção jurídica da relação de propriedade e da posse ao cumprimento da função social. Isso quer dizer que sobre a relação de propriedade incide o interesse de proteção do sujeito-proprietário, mas também incide o interesse difuso da sociedade em obter benefícios sociais decorrentes do cumprimento da função social.A função social do imóvel rural é constituída por elementos de natureza econômica (aproveitamento racional e adequado), ambiental (utilização adequada dos recursos naturais e preservação do meio ambiente) e social (observância das normas que regulam as relações de trabalho e exploração que favoreça o bem-estar dos trabalhadores). A relação de propriedade que tenha por objeto o imóvel rural deve garantir, no seu desenvolvimento, a observância simultânea de todos os seus elementos, sob pena de, desatendendo a um deles, descumprir a função social, deslegitimar-se politicamente e perder a proteção jurídica. Por isso, o grande imóvel rural que não está cumprindo a função social é suscetível de desapropriação para fins de reforma agrária. Ainda que a produtividade, do ponto de vista estritamente econômico, esteja presente, o imóvel rural poderá ser desapropriado se descumprido um dos demais requisitos caracterizadores da função social.Em tempos de aquecimento global e de riscos concretos de destruição do planeta, a temática ecológica apresenta-se como fator determinante das políticas agrícola e agrária e, portanto, deve orientar com primazia a avaliação do cumprimento da função social do imóvel rural. A degradação ambiental - seja ela provocada pelo mau uso dos recursos naturais ou pela não preservação do meio ambiente - produz evidentes prejuízos ao aproveitamento racional e adequado da terra. Há, portanto, vinculação entre os elementos econômico e ambiental da função social, sendo impossível dissociá-los. Inicia-se neste país um movimento promissor que busca as desapropriações para fins de reforma agrária dos imóveis rurais que apresentam elevado passivo ambiental. Partindo dessa premissa e no diálogo entre a luta social e atuação institucional, estão em fase de implantação, em áreas desapropriadas da região de Ribeirão Preto, SP, assentamentos de novo tipo cujas bases são construídas democraticamente entre assentados, Incra e Ministério Público e consolidadas em planos de desenvolvimento sustentável e compromissos de ajustamento de conduta que, entre outras coisas, preveem: o tratamento conjunto dos fatores econômico, sociocultural e ambiental, a organização coletiva e cooperada da produção em sistemas agroecológicos, o controle biológico de pragas e doenças, a produção orgânica de alimentos, a destinação de 35% da área total do imóvel para reserva legal, a recomposição arbórea das áreas ambientalmente protegidas e medidas protetivas da área de afloramento e recarga do Aquífero Guarani.Uma reforma agrária determinada pelo fator ambiental é o paradigma que se apresenta para o século 21. É preciso que o governo cumpra sua parte, destinando recursos para sua efetiva implementação.

*Promotor de Justiça no Estado de São Paulo

FARSESCA AGRÁRIA

Xico Graziano
Preciosas informações sobre o campo foram recentemente divulgadas pelo IBGE
Preciosas informações sobre o campo foram recentemente divulgadas pelo IBGE. Elas confirmam o crescimento da agricultura familiar, cujas unidades passaram de 4,1 milhões para 4,5 milhões. Significam agora 88% do número total de estabelecimentos agropecuários do País. A força do pequeno.
Esse interessante fenômeno da economia rural carece de melhor análise acadêmica. Certamente, porém, o apoio do Estado tem sido fundamental nesse processo, desde a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da agricultura Familiar (Pronaf). Isso ocorreu em 1995.
Os petistas inquietam-se e escondem a inveja. Mas foi o presidente Fernando Henrique Cardoso que, pela primeira vez, formulou uma política específica para essa categoria de pequenos agricultores, articulada então pelo agrônomo Murilo Flores, da Embrapa. Com inédita metodologia, valorizando o uso do trabalho, e não o tamanho da terra, o governo apartou uma parcela dos recursos do crédito rural, direcionando-a para os chamados agricultores familiares. Hoje se colhem os bons frutos dessa importante política agrícola.Estudos conduzidos por Carlos Guanziroli, Antônio Márcio Buainain e Alberto Di Sabbato relatam que, em 2006, os agricultores familiares respondiam por 40% do valor da produção agropecuária, ante 37,9% em 1996. No emprego, incluindo os membros da família, o segmento absorve 13 milhões de pessoas, ou seja, 78,8% do total da mão de obra ocupada no campo. Celeiro de gente trabalhadora.
Os assentamentos de reforma agrária, embora incipientes, também contribuíram para ampliar o espaço da pequena produção rural. Tanto é que as maiores variações positivas na participação da agricultura familiar ocorreram nas Regiões Norte e Nordeste, onde, por sinal, passaram a dominar a produção agropecuária. Fim do coronelismo.
Tais dados, obtidos a partir do último Censo Agropecuário, destroem certo discurso boboca que brada estar o modelo do agronegócio acabando com a pequena agricultura. Acontece justamente o inverso. Novas tecnologias, mercados integrados e apoio do governo robustecem a produção familiar no campo.
Caso único. Em todos os setores da economia ocorre concentração de capital. No sistema financeiro, nos supermercados, nas farmácias, nos postos de gasolina, no comércio varejista, por onde se olha, empresas se fundem, aumenta a escala da produção, as vendas se agigantam. Poucos, aliás, combatem politicamente esse transcurso cruel dos negócios urbanos, em que os grandes engolem os pequenos. Parece normal na moderna economia. Na agropecuária, entretanto, a roda gira diferente. A agricultura familiar se fortalece juntamente com a grande empresa rural. Mesmo assim, curiosamente, o discurso atrasado contra o agronegócio teima em persistir, como se a mentira repetida se transformasse em verdade. Os combatentes da moderna agropecuária, qual dom Quixote, bradam contra moinhos de vento.
De onde surge tal delírio ideológico, conforme o denomina Zander Navarro? Certamente do equívoco, elementar, que distingue agricultura familiar do agronegócio, como se ambas as categorias fossem opostas, e não complementares. Ora, familiar não significa ser miserável no campo, embora muita pobreza exista por lá.
O sucesso do programa de agricultura familiar reside exatamente na ideia de que, ao investir em tecnologia e ganhar produtividade, o pequeno produtor se qualifica para participar do mundo do agronegócio. Assim procedem milhões de antigos agricultores, todos querendo escapar da sofrida subsistência, ganhar seu dinheiro, educar suas crianças, ter saúde, crescer na vida. Uma política agrária moderna procura livrar o agricultor de sua submissão histórica, emancipando-o econômica e culturalmente, transformando-o em pequeno empresário. agronegócio familiar.
Quem, violentamente, combate o agronegócio e, idilicamente, defende os agricultores familiares comete um pecado conceitual. Milhões de excelentes produtores de café, soja, feijão, arroz, leite, carne, mandioca, frutas, verduras dependem do agronegócio para viver. Desejosos do progresso, buscaram financiamentos do Pronaf, aprimoraram-se tecnicamente, organizaram-se em cooperativas, vendem com qualidade. Pequenos na roça, gigantes no mercado.
O discurso esquerdista que opõe o agronegócio à agricultura familiar cheira a um populismo antigo, baseado naquele desejo de tutelar a miséria rural, roubando dos camponeses pobres seu próprio destino. Nada mais adequado à manipulação política do que tratar os pequenos agricultores como coitados, cultivando sua dependência histórica. Falsos líderes gostam da subserviência do povo, um terreno onde a esquerda e a direita autoritárias se confundem facilmente.
As laranjas padeceram noutro dia, arrasadas pelo banditismo rural. A fama da fruta já anda balançada com tanto escândalo financeiro, pois a mídia insiste, sem que ninguém explique direito o porquê, em chamar de laranjas aqueles que disfarçam o crime de lavagem de dinheiro. Desta vez, apanharam diretamente, destruídas pela raiva dos invasores de terras. O laranjal virou personagem de um triste filme agrário. Uma farsesca.
Por detrás, nos bastidores da trama, o argumento ignóbil: laranja não é comida e, não sendo familiar, o agronegócio da citricultura não interessa à sociedade. Portanto, dane-se a produção, esqueça o emprego, pau no laranjal. Besteirol puro.O MST inventa assunto para esconder a insanidade de sua luta autoritária. Ao combater o agronegócio, imagina voltar ao tempo do pé de laranja no fundo do quintal, poleiro de galinhas caipiras. No fundo, paradoxalmente, alimenta-se da miséria rural.
Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.
E-mail: xico@xicograziano.com.brSite: www.xicograziano.com.br

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

NOVIDADE NA ENXERTIA

APRESENTO O SITE www.burrows.com.br , empresa importadora da ferramenta ALICATE DE ENXERTIA DE TOPO, em testes no cacau, valor aproximado de Reais 1.900,00 hum mil e novecentos reais ,até menos dependendo da demanda.
A CEPLAC através do Dr.MILTON CONCEIÇÃO já entrou em contato com essa empresa no sentido de viabilizar a remessa de uma ferramenta para testes de enxertia em campo.
Essa ferramenta é amplamente utilizada em clonagens de uva, kiwi, pera, manga ,etc... o diametro de alcance é de 3mm até 17mm de espessura em enxertia.
UMA VERDADEIRA QUEBRA DE PARADIGMAS EM TORNO DE ENXERTAR EM CAMPO E ATÉ EM VIVEIRO, DESDE QUE AS MUDAS SEJAM COM SUBSTRATO, POIS TEM QUE VIRAR O CAVALO PARA O ENXERTO, SOMENTE ASSIM O ALICATE FAZ O CORTE, COM PRECISÃO CIRÚRGICA.
UM HOMEM CLONANDO EM CAMPO CHEGA A FAZER 800 ENXERTIAS/DIA, PODENDO DISPENSAR ATÉ O SACO PLÁSTICO QUE É COLOCADO PARA NÃO SE PERDER A UMIDADE, DEVIDO AO EQUIPAMENTO RETIRAR O AR QUANDO DO CORTE, PORTANTO DEPOIS DE ENXERTADO POR ESSA FERRAMENTA, É COLOCADO UMA FITA BIODEGRADÁVEL, QUE DURA MAIS OU MENOS TRINTA DIAS E DEPOIS SE DISSOLVE COMPLETAMENTE, RESULTANDO NO NÃO RETORNO DO CLONADOR, PARA RETIRAR FITAS, SAQUINHOS, ETC... DIMINUINDO CONSIDERAVELMENTE A MÃO DE OBRA, TEMPO E RESULTADOS, POIS A PRECISÃO DO CORTE É PERFEITA.
QUANDO DO LANÇAMENTO DAS PRIMEIRAS FOLHAS UTILIZAR IMEDIATAMENTE O INSETICIDA STRON.
SOCIABILIZEI ESSAS INFORMAÇÕES, MAS TENHO CERTEZA QUE ALGUNS A DETÉM E NÃO REPASSAM, FICANDO IGUAL A CARNEIRO VELHO,SOMENTE COMENDO AS PONTAS DE CAPIM E DEIXANDO O RESTO PARA OS BURREGOS. RESUMINDO SOMENTE QUERENDO PARA SI E NÃO DEMOCRATIZANDO AS INFORMAÇÕES A LISTA, O QUE NÃO É ACEITÁVEL NOS DIAS DE HOJE.
PESQUISEM MAIS, VÃO VER TRES TIPOS DE ALICATE DE ENXERTIA O QUE ESTÁ EM EDIÇÃO É O DE ENXERTIA DE TOPO.OS OUTROS DOIS NÃO SÃO RECOMENDÁVEIS A NOSSA LAVOURA DO CACAU.
Paulo Cortizo É Produtor Rural

A REFORMA AGRÁRIA

Dimpino Carvalho*

O país tem uma legislação clara e bem definida com referência à propriedade privada, ponto alto dos sistemas econômicos capitalistas como o do Brasil. Negar ou desconhecer a necessidade urgente de uma reforma agrária no País, não deve passar pelo pensamento de ninguém. Mas, entre a necessidade de se fazer a reforma agrária ideal, fundamentada em princípios científicos, de forma correta, objetiva e transparente e a realidade concreta do dia a dia em que vivemos, há um espaço bastante grande que passa obrigatoriamente pela vontade política, pela clareza da identificação ideológica dessa reforma e, principalmente, para alcançar o fim a que ela se destina.

O caminho que vem sendo percorrido pelas partes, sem terra e governo, não vai chegar a um ponto comum que possa satisfazer as reais necessidades dos envolvidos (sem terra, propriedade privada e governo). A instabilidade e insegurança vivida hoje no campo, vêm tomando forma e dimensão que vislumbram um quadro bastante desgastante para uma sociedade tradicionalmente formada e identificada com a convivência harmoniosa e pacífica entra as pessoas.

Mudar o rumo desse movimento reformista que o povo brasileiro assiste estarrecido é dever supremo do chefe do governo, a não ser que o seu comando tenha interesse oculto na condução do problema como ele se apresenta. Na Câmara tem um grupo de deputados identificados com os problemas que envolvem e agonizam a agricultura. A eles cabe analisar o perigo que rodeia a sociedade como um todo e a responsabilidade de sensibilizar os envolvidos, sem terra e governo, para encontrar os mecanismos da ordem.

Os deputados que retiraram suas assinaturas para a instalação da CPI, campo próprio para a discussão civilizada e democrática de problemas dessa magnitude, deram uma demonstração de insensatez não própria de políticos comprometidos com as causas públicas. São, dessa forma, inconvenientes na função.

O que presenciamos, nesse momento, é a confirmação de que os produtores rurais do Sul da Bahia têm necessidade de representações legítimas retiradas do âmago da categoria. Os deputados de aluguel, se alugam. Já, os legítimos representantes das causa com as quais se comprometeram e foram eleitos, dificilmente fogem a responsabilidade, principalmente, nos momentos decisivos.

Entre os líderes dos produtores de cacau há muitos homens de valor que precisam compreender que a atividade política, quando exercida com dignidade, enobrece o cidadão. Se o mundo político está cheio de políticos ausentes aos princípios fundamentais da ética e da moral, é justamente por falta de valores nos partidos políticos, que clamam e lutam para preencher seus quadros com cidadãos sérios e comprometidos com os problemas econômicos e sociais e não os encontram. A ausência de valores nos partidos políticos deixa espaço à disposição daqueles que recuam quando os seus representados carecem de suas representações.

O instante político brasileiro precisa ser analisado, refletido e o comando mais alto encarar com seriedade o rumo que ele está tomando. O populismo, a irresponsabilidade, o imobilismo, o não vi, não sei, não é a atitude mais coerente para o momento.
Enfrentar com determinação o anarquismo e dar sentido científico à supostamente pretendida reforma agrária e ocupar o espaço próprio na condução do problema, diante do conflito que pode se avizinhar, é dever supremo e inalienável do chefe do Estado.

*é agricultor- Membro da Lista do Cacau e sócio da APC

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A HORA DA SEGUNDA REVOLUÇÃO VERDE


Marc Reichardt

A abundância de alimentos nas grandes cidades faz um importante contraste com a segurança alimentar da população mundial. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), é necessário um aumento de 70% na produção agrícola para que se consiga alimentar os bilhões de habitantes previstos para 2050. Os preços de arroz, trigo e milho do passado recente já causaram uma crise de abastecimento. Hoje os preços voltaram a baixar, mas continuam acima da média. É mais do que necessário debater e colocar em prática ações para minimizar impactos totalmente previsíveis.
Estatísticas indicam que, em breve, o mundo terá quase um bilhão de pessoas passando fome e se forem mantidas as atuais técnicas de cultivo o problema será muito maior. Sabe-se que em 1950 havia 0,52 hectare de terra cultivada para cada habitante e esse número está em queda. Hoje está em torno de 0,25 ha/pessoa e deverá chegar em 0,16 per capta em 2050.Vem caindo vertiginosamente a proporção de terra agriculturável por pessoa. Apenas 40% da terra per capita disponível para plantar alimentos em 1950 estarão disponíveis para o mesmo fim em 2050.
Desde 2005 vem ocorrendo uma alta dos preços dos grãos, com a crescente demanda por alimentos. Sem contar os problemas de falta de água e de terras, das crescentes inundações e secas, além dos problemas energéticos, insumo essencial para o trabalho das máquinas agrícolas e tratamento de grãos. Para se aumentar a produção de alimentos também é necessário aumentar a geração de energia, muitas vezes conseguida com a própria produção de culturas como a cana-de-açúcar. Como agravante, há o aumento populacional e mudança nos hábitos alimentares - em especial na China - onde o aumento do consumo de proteína animal reflete automaticamente no aumento da quantidade necessária de ração para alimentar os animais. Nas décadas de 60 e 70, houve uma grande melhoria na produtividade agrícola, principalmente nos países menos desenvolvidos. Este desenvolvimento ficou conhecido como "a revolução verde". Durante este período, iniciou-se o uso de sementes melhoradas, particularmente as híbridas, insumos industriais, como fertilizantes e defensivos, da mecanização e diminuição do custo de manejo, assim como o uso extensivo de tecnologia no plantio, na irrigação, na colheita e no gerenciamento da produção. Foi importante para aquele momento.
Mas o desenvolvimento econômico e humano acontece em saltos exponenciais. A crise agrícola e alimentar que se avizinha deve obviamente ser cuidada pelas políticas governamentais e ações mundiais da ONU. Mas as políticas globais devem ser direcionadas para o fortalecimento do abastecimento de forma sustentável. E mais do que nunca devem contar com a importante e inestimável colaboração das companhias voltadas para pesquisa e desenvolvimento de novas soluções para o aumento de produtividade dos cultivos.
Ao se manter o uso das tecnologias agrícolas convencionais, pode-se esperar um aumento de apenas 2% ao ano na produção de alimentos. E sabe-se que as áreas de cultivos não tratadas perdem 50% de produtividade com ataques de insetos, fungos e plantas daninhas. É preciso aumentar muito a produtividade para alimentar a população dos próximos 40 anos, com produtos de alta qualidade a preços compatíveis. E os preços dos alimentos só serão menores com o aumento da produção.
Por isso, é urgente uma "segunda revolução verde"! O desejado aumento de 70% na produção de alimentos só será alcançado com o uso de todas as tecnologias disponíveis. É preciso incentivar a rotação de culturas, a irrigação consciente, o uso de novos e inovadores defensivos agrícolas, sementes com maior potencial de rendimento, além da fundamental implantação da biotecnologia agrícola.
De acordo com o Grupo Consultivo em Pesquisa Agrícola Internacional, o uso da biotecnologia vegetal permitirá um aumento do potencial produtivo em 25%. Não podemos alcançar a segurança alimentar sem o uso da engenharia genética. Ela permitirá uma segunda revolução verde.
É urgente uma "segunda revolução verde" para aumentar a produtividade da agricultura.
Marc Reichardt-executivo

A SEGURANÇA ALIMENTAR E A FOME

HILLARY CLINTON
Trata-se de um dos esforços diplomáticos e de desenvolvimento mais ambiciosos e abrangentes já empreendidos pelos EUA
PARA 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo, o esforço diário de plantar, comprar ou vender alimentos é a luta decisiva de suas vidas. Isso interessa a elas e a todos nós.
Pensem na rotina diária da típica pequena agricultora. Ela vive em um povoado rural na África subsaariana, Ásia ou América Latina e cultiva um pedaço de terra que não lhe pertence.
Levanta antes do amanhecer, anda vários quilômetros para pegar água e trabalha o dia todo no campo. Se tiver sorte, sua lavoura não será destruída por secas, geadas e pestes e conseguirá cultivar o suficiente para sustentar a família. Ainda que sobre algo para vender, não haverá estradas para o mercado mais próximo e ninguém com dinheiro para comprar.
Agora, imaginem a vida de um jovem em uma cidade a 160 km daquela lavradora. Ele não tem trabalho -ou tem um um trabalho que paga uma miséria. Vai ao mercado -mas a comida está estragada ou muito cara. Sente fome e, muitas vezes, raiva.
A lavradora tem alimento para vender e ele quer comprar. Mas essa transação não ocorre devido a forças complexas além do controle deles.
Enfrentar o desafio da fome está no cerne do que chamamos de "segurança alimentar": dar possibilidade aos agricultores do mundo para semear e colher safras abundantes, cuidar bem de suas criações ou pescar -e garantir que o alimento produzido por eles chegue aos mais necessitados.
A segurança alimentar não diz respeito só à comida. Representa a convergência de questões complexas: secas e enchentes causadas por mudanças climáticas, mudanças na economia que afetam os preços dos alimentos e ameaçam projetos de infraestrutura e picos no preço do petróleo.
Segurança alimentar diz respeito à segurança. A fome crônica representa uma ameaça à estabilidade de governos, sociedades e fronteiras. Pessoas famintas e subnutridas são tomadas por sentimentos de desesperança e desespero. Isso pode levar a tensões, conflitos e até violência. Desde 2007, rebeliões por comida aconteceram em mais de 60 países.
As falhas na agricultura em muitas partes do mundo têm impacto violento na economia global. A agricultura é a única ou a principal fonte de renda de mais de três quartos dos pobres do mundo. Quando uma parcela tão grande da humanidade trabalha arduamente todos os dias, mas, ainda assim, não consegue sustentar a família, o mundo inteiro é prejudicado.
O governo Obama vê a fome crônica como uma das principais prioridades da nossa política externa. Outros países estão se unindo a nós nesse esforço. Importantes países industrializados prometeram mais de US$ 22 bilhões durante três anos para estimular o crescimento econômico puxado pela agricultura. E, em 26/9, o secretário-geral das Nações Unidas e eu patrocinamos uma reunião de líderes de mais de 130 países para formar uma base de apoio internacional.
Dada nossa experiência em desenvolvimento, sabemos que as estratégias mais eficientes emanam dos que estão mais perto dos problemas, não de instituições ou governos estrangeiros a milhares de quilômetros dali.
E sabemos que o desenvolvimento funciona melhor quando é visto não como ajuda, mas como investimento.
Com essas lições em mente, nossa iniciativa de segurança alimentar será guiada por cinco princípios. Primeiro, sabemos que não existe um modelo único para a agricultura que seja adequado para todos. Portanto, continuaremos a trabalhar com países parceiros para criar e implementar seus planos.
Em segundo lugar, abordaremos as causas subjacentes da fome mediante investimento em tudo, desde sementes melhores até programas de compartilhamento de riscos para proteger pequenos agricultores.
Em terceiro lugar, nenhuma entidade pode erradicar a fome sozinha. Se as partes interessadas trabalharem em conjunto de forma coordenada, nosso impacto pode se multiplicar.
Quarto, instituições multilaterais têm alcance e recursos que se estendem além de qualquer país. Ao dar apoio a suas iniciativas, aproveitamos sua experiência.
Por fim, prometemos compromisso e responsabilidade de longo prazo. Como prova disso, investiremos em instrumentos de monitoramento e avaliação que darão ao público a oportunidade de ver as realizações.
Essa tarefa pode levar anos, talvez décadas, antes de atingirmos a linha de chegada. Mas empenharemos todos os nossos recursos e energias.
Enquanto perseguimos esse objetivo, manteremos o compromisso mais profundo com assistência alimentar emergencial para responder ao clamor por ajuda quando tragédias e desastres naturais fizerem suas vítimas.
Revitalizar a agricultura global não será fácil. Na verdade, é um dos esforços diplomáticos e de desenvolvimento mais ambiciosos e abrangentes já empreendidos por nosso país.
Mas pode ser feito. Vale a pena. Se tivermos sucesso, o futuro será mais próspero e pacífico que o o passado.

HILLARY RODHAM CLINTON é secretária de Estado dos Estados Unidos.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

NOBEL DE ECONOMIA RECONHECE ESTUDOS SOCIOAMBIENTAIS


Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil


Por que algumas culturas identificam e se adaptam quando encaram limites ambientais enquanto outras entram em colapso? Quais os atributos para uma sustentabilidade de sucesso a longo prazo?Estas são algumas perguntas que a economista política e cientista social Elinor Ostrom vêm se fazendo há alguns anos e foi justamente seus estudos sobre o uso cooperativo de bens comuns que a fez ganhar o prêmio Nobel de economia, dividido com o economista Oliver Williamson, que também estuda estruturas de governança para resolver conflitos de interesse.Segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, responsável pela entrega do Nobel, a pesquisadora norte-americana foi escolhida “por suas análises da economia da governança, especialmente dos comuns”. “Elinor demonstrou como as propriedades comuns podem ser gerenciada com sucesso por associações de usuários”, descreveram no anúncio da premiação.Professora e pesquisadora da Universidade do Arizona (EUA), ela foi a primeira mulher a receber o Nobel de Economia. Elinor desafiou a teoria tradicional de que as propriedades comuns, como os recursos naturais, são mal administradas e deveriam ser ou reguladas por autoridades centrais ou privatizadas.Em um dos seus mais recentes trabalhos publicado na revista Science em julho, ela cita estudos de diversos campos de conhecimento que chegaram à conclusão de que algumas políticas governamentais aceleram a destruição dos recursos, enquanto que, por outro lado, alguns usuários de recursos investem tempo e energia para alcançar a sustentabilidade.Com base em diversos estudos sobre como pessoas comuns e funcionários públicos tentam solucionar problemas difíceis relacionados ao gerenciamento de recursos naturais, como estoques pesqueiros, pastagens, madeira e água, Elinor observou que quando trabalham em conjunto, eles desenvolvem mecanismos sofisticados para tomar as decisões e lidar com conflitos de interesse, construindo uma rede de confiança e respeito, o que os levam as soluções.“Que um funcionário tenha um PHD não significa necessariamente que ele saiba mais que as pessoas que vivem de um recurso. (…) Há muito conhecimento local que temos que respeitar”, afirmou nesta segunda-feira (12).Elinor percebeu que as mudanças vinham quando os benefícios da sustentabilidade eram altos o suficiente para compensar os custos em atingi-la. Evitar o colapso ambiental, por exemplo, normalmente significa enfrentar perdas no presente, como suspender a pesca por alguns anos para restabelecer os estoques, em nome de um interesse comum a longo prazo.A cientista, que é diretora fundadora do Centro de Estudos de Diversidade Institucional na Universidade do Arizona, identificou as 10 maiores variáveis que influenciam um grupo a se organizar para fazer sacrifícios agora e se tornar sustentável ou não: tamanho do sistema de recursos, produtividade dos recursos, previsibilidade da dinâmica do sistema, mobilidade das unidades de recursos, número de usuários, liderança e empreendedorismo, normas e capital social, conhecimento de sistemas sócio-ecológicos e modelos mentais e a importância do recurso.Múltiplos conhecimentosElinor chamou a atenção também para a desconexão nas bases científicas usadas por diferentes campos de conhecimento, desde a biologia até a economia, quando estudam grande problemas, como a potencial perda de recursos hídricos e florestais. Sem um quadro comum de conceitos e linguagens para descrever e explicar cada descoberta sobre complexos sistemas sócio-ecológicos, o conhecimento isolado não irá se acumular e reverter em avanços.Para a cientista, o interesse por esta visão de integração de conhecimentos está crescendo e uma rede internacional está se formando, com diversos grupos colaborando para desenvolver mais e aplicar este quadro geral de análise da sustentabilidade em sistemas sócio-ecológicos.“Elinor não é apenas uma cientista brilhante e inovadora que, combinando de uma forma original abordagens na economia, antropologia e ciência política, abriu muitas novas perspectivas para estudos em instituições e políticas, mas ela também é uma cientista extremamente modesta e generosa, que se esforçou muito para compartilhar suas ideias com aqueles que as mais precisam, nos Estados Unidos e no mundo”, disse seu colega Sander van der Leeuw, que é diretor da Escola de Evolução Humana e Mudança Social da Universidade do Arizona.Para Leeuw, ela é um exemplo do tipo de cientista que mais precisamos hoje: transdiciplinar e totalmente comprometida com as grandes questões que as sociedades precisam lidar hoje.
(Envolverde/ CarbonoBrasil)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

MAL-AVENTURADOS OS MISERÁVEIS DE JOÃO PEDRO STEDILE, PORQUE ELES NÃO SERÃO CONSOLADOS


quarta-feira, 14 de outubro de 2009 5:55

Há quase 15 anos, fiz uma reportagem sobre o MST para a revista República e afirmei que o movimento havia se transformado no maior produtor de. IDEOLOGIA do país! Isto mesmo. O MST não produzia arroz, feijão, milho, batata ou soja. Produzia miséria e mistificação, mas resistência - ao capitalismo, bem entendido, e, portanto, à civilização. Uma década e meia depois, a realidade é rigorosamente a mesma, mas ampliada. O movimento se transformou no maior latifúndio improdutivo do país. E num poderoso multiplicador da pobreza.
Não se trata de chute, gosto ou discurso ideológico para confrontar a Teologia da Invasão. O que se tem é uma pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária. Mais uma vez, a senadora Katia Abreu (DEM-TO), que preside a entidade, faz a coisa certa. Em vez de bater boca com mistificadores; em vez de contestar o coitadismo da violência, decidiu revelar a realidade em números. E eles são estarrecedores (Clique aqui com o botão direito e salve a pesquisa Ibope na íntegra ou Clique aqui e confira o resumo)
Nada menos de 37% dos assentados não produzem rigorosamente nada. Apenas 27,7% fazem o bastante para sustentar a família e vender algum excedente. Não conseguem o suficiente nem para as bocas da casa 10,7% dos assentados, e só 24,6% dão ao menos o que comer aos seus com o que extraem da terra. Isso faz com que 49% da renda dos assentados não tenha origem na terra, sendo necessárias as mais variadas formas de complementação: Bolsa Família, seguro-desemprego, trabalho assalariado fora da propriedade etc.
Tudo mais ou menos explicado quando se constata que apenas 15% dispõem de trator. Na MSTelândia, os instrumentos de trabalho predominantes ainda são a enxada, a pá e a foice. Os padres de invasão tentam enfiar um martelo ali, mas só conseguem multiplicar a pobreza sob o signo de sua cruz vilipendiada.
O descontrole do governo é tal, que, a rigor, boa parte das propriedades são ilegais: 46% compraram a terra de terceiros. Ou seja: o assentado original a vendeu - e é bem provável que alguns tenham voltado a se abrigar sob os plásticos pretos de Stedile.
Mas o governo zeloso, tão dedicado a repassar uma grana preta às entidades do MST, ao menos cuida do crédito, certo? Errado! Nada menos de 75% não têm financiamento do Pronaf; 21% têm e estão em dia, e 4%, em atraso.
E aquele estupendo trabalho de alfabetização do MST, naquela mistura ensandecida de Jesus Cristo com Mao-Tse Tung? Há trabalho infantil em 19% dos assentamentos, e 68% dos entrevistados - com mais de 18 anos sempre - são analfabetos. As condições sanitárias mostram o desastre do Brasil nesta área: 14% dos domicílios não têm banheiro ou qualquer instalação sanitária. Entre os outros 86%, 63% utilizam fossa rudimentar.
Paraíso da miséria
Eis aí a sociedade que estes monopolistas da bondade - Stedile e seus sacerdotes da Teologia da Invasão - estão construindo. A miséria dos assentamentos e a abjeção dos acampamentos é sua matéria-prima. Quando eu contestava, no passado, certo padre aqui em São Paulo que fazia dos miseráveis o seu porta-estandarte e das crianças que moram nas ruas o seu abominável "vinde a mim os pequeninos", acusei-o de privatizar os pobres. É isto: Stedile precisa parar de privatizar a miséria rural, de transformá-la em poesia revolucionária. Sociologia e teologia bastardas se juntam para tentar tomar o lugar de políticas públicas.
É evidente que o modelo de reforma agrária é um desastre. Aliás, o seu fracasso é um enorme sucesso, não é mesmo? Ainda ontem, falando no Congresso, Guilherme Cassel, o patético ministro do Desenvolvimento Agrário, fez a defesa dos "movimentos sociais" - como se alguém estivesse contra eles. Não! O que se combate é esta formidável máquina de torrar dinheiro público e produzir pobreza em que se transformou a união de MST, Teologia da Invasão e governo federal. Criem vergonha na cara, senhores! Libertem os pobres!
E por que as coisas estão nesse pé? Porque à privatização da miséria comandada por Stedile correspondeu a terceirização da reforma agrária. O governo a entregou ao MST. É ele quem decide tudo - incluindo o uso dos recursos que deveriam servir de incentivo aos assentados. Esse controle se dá por meio de cooperativas e das tais entidades de fachada. Ocorre que o propósito do movimento é invadir e não consolidar a posse da terra e a produção. Explica-se: cada assentado é, potencialmente, um invasor a menos. Segundo as leis do MST, quem obtém a posse da terra está obrigado a continuar no movimento em benefício dos companheiros acampados. É um ciclo que se auto-alimenta; não tem fim. Quando falta mão-de-obra invasora, o MST vai buscá-la na periferia das cidades médias. Há sem-terra que nunca plantou um pé de couve. Não por falta de terra. É que não saberia distinguir a verdura de um pé de língua-de-vaca (é uma planta, leitor!).
Os oito mil assentamentos no Brasil ocupam 80,6 milhões de hectares. É terra para chuchu. Abrigam 875 mil famílias. Apenas 240 deles conseguiram alguma autonomia. E, atenção!, nem assim conseguem gerar a renda necessária para os assentados.
Mas Stefile, o PT e as esquerdas de modo geral não querem mexer no modelo. Os assentados são os seus miseráveis de estimação. E, em muitos casos, o seu ganha-pão. O pão que falta àqueles que ele pretendem "libertar"!

Por Reinaldo Azevedo , VEJA

INCRA DISCORDA DO IBOPE


Presidente do Instituto não acredita que assentamentos são improdutivos
O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Re-forma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, rebateu ontem os resultados da pesquisa do Ibope sobre a situação dos assentamentos brasileiros. Para o presidente do Incra, a amostra "é muito pequena para se tirar as conclusões apresentadas". A pesquisa, divulgada ontem, foi encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Foram ouvidas mil famílias assentadas; segundo o Incra, existem cerca de um milhão de famílias em assentamentos. "Na minha opinião, essa pesquisa foi direcionada para desqualificar a reforma agrária e dizer que ela não é necessária ao País", declarou Hackbart, em entrevista co-letiva convocada para comentar a pesquisa do Ibope. "Eu digo que a reforma agrária é necessária e não só para produção, mas para diminuir as desigualdades no País", completou.
O presidente do Incra rebateu principalmente a conclusão da pesquisa de que 72,3% dos assenta mentos avaliados não geram renda com a produção, dos quais 37% não produzem nada. "É totalmente equivocado pegar o dado de produção para questionar a reforma agrária porque estamos falando de um universo de pessoas excluídas", afirmou Hackbart. Ele acrescentou que também é função da reforma agrária promover cidadania e dar moradia à população excluída.
Ao comentar os dados divulgados pela CNA, Hackbart anunciou que até o fim do ano o Incra terá os resultados de um levantamento que está sendo feito pela área técnica do instituto para ter dados precisos sobre a produção nos assentamentos. "A amostragem que vamos ter será muito mais representativa e devidamente extratificada, levando em consideração as características específicas das comunidades e das regiões", comentou.
O levantamento, segundo ele, está sendo feito por 3,5 mil técnicos do Incra, tomando como base os dados levantados pelas pesquisas domiciliares do IBGE em todo o País. Apesar de não apresentar dados para rebater a conclusão da amostra do Ibope de que 37% das famílias assentadas nada produzem, o dirigente do Incra citou exemplo de assentamentos que têm algumas produções, como um localizado em São Miguel do Oeste (SC), onde se produz 330 mil litros de leite por dia. "Isso não é nada?", questionou. "Nós não estamos num estágio da reforma agrária em que se possa medir o sucesso do processo pela produção ao mercado", completou.
O presidente do Incra também questionou o dado da pesquisa do Ibope mostrando que 46% dos entrevistados têm a terra adquirida de uma outra pessoa, sem vínculo sanguíneo. Segundo Hackbart, o dado com que o Incra trabalha é uma pesquisa interna, feita em 2004 com dados positivos neste quesito.
SAIBA +
O presidente do Incra, Rolf Hackbart, prefere salientar que a pesquisa interna mostra que apenas 10% das famílias assentadas vendiam as terras recebidas. "Isso é ilegal e nós estamos sempre combatendo essa situação", afirmou o presidente do Incra. Mas ele fez ressalvas que abre brecha para que se acredite na pesquisa divulgada ontem pelo Ibope. O presidente do Incra lembrou que a lei permite que, após 10 anos de titularidade da propriedade, a terra repassada a assentamentos pode ser comercializada.
FONTE : JORNAL DE BRASÍLIA - DF, 14/10/2009

PESQUISA REVELA PRODUÇÃO BAIXA DE ASSENTADOS


Levantamento pedido pela CNA ao Ibope mostra que 47,7% dos beneficiados não produzem o suficiente para a própria família
MST e Incra afirmam que amostragem é insuficiente para conclusões; instituto rebateu com números que apontam direção contrária
JOHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) apresentou ontem uma pesquisa encomendada ao Ibope que mostra que 47,7% das propriedades em assentamentos rurais consolidados não produzem nem o suficiente para a família e que 75% dos assentados não têm um dos principais créditos rurais, o Pronaf.
O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) disseram que a amostra da pesquisa é malfeita e insuficiente para tirar conclusões.
O estudo foi divulgado uma semana após a destruição, por integrantes do MST, de um laranjal no interior de São Paulo.
O Ibope fez mil entrevistas em nove assentamentos em nove Estados (BA, GO, MA, MG, MT, PA, PE, SP e TO). A margem de erro é de três pontos percentuais. Os ouvidos representam 0,1% das 920.861 famílias assentadas, diz o Incra.
A pesquisa mostra ainda que 72,3% das propriedades não geram renda com a produção e que 37% das famílias têm renda de até um salário mínimo. Como a média é de 4,3 pessoas por família, o dado mostra que a situação de boa parte dos assentados é de extrema pobreza, diz Marcelo Garcia, secretário-executivo do Instituto CNA.
Ainda segundo a pesquisa, 46% dos assentados disseram ter comprado a terra de terceiros. A CNA não soube dizer, porém, se a venda era regular.
A qualificação aparece como baixa: 83% dos entrevistados afirmaram nunca ter feito um curso de qualificação profissional. São analfabetos 21% dos chefes de família, e outros 47% estudaram apenas até a 4ª série do Ensino Fundamental.
Para rebater a pesquisa, o presidente do Incra, Rolf Hackbart, apresentou outros dados: R$ 4 bilhões em créditos para instalação desde 2003, levantamento de 2004 que mostra que menos de 10% das famílias venderam a terra ilegalmente e investimento de R$ 50 milhões em educação em 2008.)
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO, 14/10/2009

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"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, e depois perdem o dinheiro para a recuperar. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro.
Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido..." (Confúcio)

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