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domingo, 4 de março de 2012

Sistema Cacau Cabruca está na lista de casos de sucesso em sustentabilidade



Modelo de produção conservacionista de cacau é a única do Nordeste em relação que passará por aprovação da Casa Civil

A Bahia é representada pelo sistema agroflorestal Cacau Cabruca em relação de cases de práticas sustentáveis de agricultura em território brasileiro selecionados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para orientar a mídia internacional na cobertura dos principais projetos de sustentabilidade do Brasil para a Rio + 20 – Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. O sistema Cabruca está entre os oito cases selecionados, entre várias iniciativas de todo o Brasil, sendo o único que representa o nordeste do País.


As áreas de Cacau Cabruca juntamente com as áreas originais de Mata Atlântica no sul da Bahia, possibilitaram a conservação do maior bloco do bioma no nordeste do Brasil, sendo este um fator determinante para a indicação. O sistema é considerado conservacionista por manter as árvores nativas da Mata Atlântica sombreando o cultivo do cacau, contribuindo para a conservação da água e do solo e principalmente da biodiversidade – pela manutenção das espécies da flora e por meio de corredores ecológicos para a fauna nativa e também pelo seqüestro de carbono.

Em função destas características, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) na Bahia desenvolveu um marco referencial para a manutenção da sustentabilidade do sistema chamado de “Conservação Produtiva” que consiste em harmonizar a produção de cacau com a conservação da Mata Atlântica.Para Juvenal Maynart, Superintende da Ceplac na Bahia “a indicação mostra que o setor está se fortalecendo e aprimorando a sua imagem ligada a sustentabilidade. A instituição, com sua nova diretoria, tem focado ainda mais em pesquisa e políticas públicas com o objetivo de agregar valor ao produto e mostrar que a produção cacaueira é economicamente sólida, viável e sustentável”.

De acordo com o presidente do Instituto Cabruca e da Câmara Setorial do Cacau, Durval Libânio, a indicação mostra que “a produção sustentável do cacau é referência para o que hoje chamamos de economia verde, um dos pilares de discussão da Rio + 20, merecendo destaque por aliar economia e meio ambiente, com foco na Mata Atlântica, um dos biomas mais importantes do planeta – e também um dos mais devastados – e por promover ações voltadas às comunidades locais do sul da Bahia, que se conscientizam e se beneficiam da agroecologia”.

Apesar de ser nativo da Amazônia, foi na Bahia, com a sombra das árvores da Mata Atlântica, que o cacau prosperou e se desenvolveu. De acordo com informações da Câmara Setorial do Cacau, a Bahia tem 32 mil produtores, responsáveis por 70% da produção de cacau do Brasil – sendo referência também no exterior, o que representa cerca de 160 mil toneladas da amêndoa por ano.

Fonte: Assessoria Painel Florestal

http://painelflorestal.com.br/noticias/cacau/14259/sistema-cacau-cabruca-esta-na-lista-de-casos-de-sucesso-em-sustentabilidade

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Fossa Séptica Biodigestora

Fossa Séptica Não-Contaminante De Lençol Freático - Download fossa.pdf





Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e o Abastecimento, a agricultura de base familiar reúne 14 milhões de pessoas, mais de 60% do total de agricultores, e detém 75% dos estabelecimentos agrícolas no Brasil. É comum nessas propriedades o uso de fossas rudimentares (fossa "negra", poço, buraco, etc.), que contaminam águas subterrâneas e, obviamente os poços de água, os conhecidos poços ”caipiras”. Assim, há a possibilidade de contaminação dessa população, por doenças veiculadas pela urina, fezes e água, como hepatite, cólera, salmonelose e outras.
O processo de biodigestão de resíduos orgânicos é bastante antigo, sendo que a primeira unidade foi instalada em Bombaim, na Índia em 1819; na Austrália uma companhia produz e industrializa o metano a partir de esgoto desde 1911. A China possui 4,5 milhões de biodigestores que produzem gás e adubo orgânico, sendo que a principal função é o saneamento no meio rural (http://www.cdcc.sc.usp.br/escolas/juliano/biodiges.html#6). No Brasil, a ênfase para os biodigestores foi dada para a produção de gás, com o objetivo de converter a energia do biogás em energia elétrica através de geradores. Isso permitiu melhorar as condições rurais, como por exemplo o uso de ordenhadeiras na produção de leite, e outros benefícios que podem ser introduzidos. Esse processo realiza-se através da decomposição anaeróbica da matéria orgânica digerível por bactérias que a transforma em biogás e efluente estabilizado e sem odores, podendo ser utilizado para fins agrícolas. As fases do processo constam de: fase de hidrólise enzimática, ácida e metanogênica (Olsen & Larsen, 1987), as quais eliminam todo e qualquer elemento patogênico existente nas fezes, devido principalmente, à variação de temperatura. Com isso, o processo de biodigestão de resíduos orgânicos é uma possibilidade real a ser considerada para a melhoria do saneamento no meio rural. Em suma, o biodigestor aqui desenvolvido tem dois objetivos: 1) substituir, a um custo barato para o produtor rural, o esgoto a céu aberto e as fossas sépticas e 2) utilizar o efluente como um adubo orgânico, minimizando gastos com adubação química, ou seja, melhorar o saneamento rural e desenvolver a agricultura orgânica.

Figura 1a - Todo o sistema

O sistema (figura 1a) é composto por duas caixas de fibrocimento ou fibra de vidro de 1000 L cada [5], facilmente encontradas no comércio, conectadas exclusivamente ao vaso sanitário, (pois a água do banheiro e da pia não têm potencial patogênico e sabão ou detergente tem propriedades antibióticas que inibem o processo de biodigestão) e a uma terceira de 1000 L [6], que serve para coleta do efluente (adubo orgânico). As tampas dessas caixas devem ser vedadas com borracha e unidas entre si por tubos e conexões de PVC de 4", com curva de 90o longa [3] no interior das caixas e T de inspeção [4] para o caso de entupimento do sistema. Os tubos e conexões devem ser vedados na junção com a caixa com cola de silicone e o sistema deve ficar enterrado no solo para manter o isolamento térmico. Inicialmente, a primeira caixa deve ser preenchida com aproximadamente 20 L de uma mistura de 50% de água e 50% esterco bovino (fresco). O objetivo desse procedimento é aumentar a atividade microbiana e consequentemente a eficiência da biodigestão, dever ser repetido a cada 30 dias com 10 L da mistura água/esterco bovino através da válvula de retenção [1]. O sistema consta ainda de duas chaminés de alívio [2] colocadas sobre as duas primeiras caixas para a descarga do gás acumulado (CH4). A coleta do efluente é feita através do registro de esfera de 50 mm [7] instalado na caixa coletora [6]. Caso não se deseje aproveitar o efluente como adubo e utilizá-lo somente para irrigação, pode-se montar na terceira caixa um filtro de areia, que permitirá a saída de água sem excesso de matéria orgânica dissolvida (figura 1b).

Figura 1b - 3a. caixa projetada para remoção da matéria orgânica

A lista de material necessário para a construção do sistema é a seguinte:

Se não for utilizar o efluente como adubo orgânico, mais:
Areia fina lavada
Pedra britada nº 1
Pedra britada nº 3
Tela de nylon fina - tipo mosquiteiro



Fonte: http://www.cnpdia.embrapa.br/produtos/fossa.html

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ministério da Agricultura cria selo único para produtos orgânicos


O Ministério da Agricultura instituiu o selo único oficial para os produtos orgânicos. O selo só pode ser usado nos orgânicos produzidos em unidades credenciadas pelo ministério. A instrução normativa foi publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira (6/11).

A exceção da obrigatoriedade de certificação dos orgânicos vale para os produtos da agricultura familiar, que podem ser vendidos diretamente aos consumidores, desde que os agricultores estejam vinculados a uma organização de controle social (OCS).

O selo de certificação serve para dar ao consumidor a certeza de estar levando para casa um produto sem contaminação química. Os orgânicos são cultivados sem o uso de agrotóxicos, adubos químicos e outras substâncias tóxicas e sintéticas, o que os torna mais saudáveis.

A agricultura orgânica busca criar ecossistemas mais equilibrados, preservando a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo. O agricultor orgânico se preocupa com a preservação do meio ambiente e não cultiva produtos transgênicos porque não quer arriscar a diversidade de variedades existentes na natureza.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o selo só é conferido após rigorosos exames de controle de qualidade de solo, da água e reciclagem de matéria orgânica.

Fonte: Agência Brasil <http://www.agenciab rasil.gov. br/noticias/ 2009/11/06/ materia.2009- 11-06.7183725852 /view> .

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

NOBEL DE ECONOMIA RECONHECE ESTUDOS SOCIOAMBIENTAIS


Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil


Por que algumas culturas identificam e se adaptam quando encaram limites ambientais enquanto outras entram em colapso? Quais os atributos para uma sustentabilidade de sucesso a longo prazo?Estas são algumas perguntas que a economista política e cientista social Elinor Ostrom vêm se fazendo há alguns anos e foi justamente seus estudos sobre o uso cooperativo de bens comuns que a fez ganhar o prêmio Nobel de economia, dividido com o economista Oliver Williamson, que também estuda estruturas de governança para resolver conflitos de interesse.Segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, responsável pela entrega do Nobel, a pesquisadora norte-americana foi escolhida “por suas análises da economia da governança, especialmente dos comuns”. “Elinor demonstrou como as propriedades comuns podem ser gerenciada com sucesso por associações de usuários”, descreveram no anúncio da premiação.Professora e pesquisadora da Universidade do Arizona (EUA), ela foi a primeira mulher a receber o Nobel de Economia. Elinor desafiou a teoria tradicional de que as propriedades comuns, como os recursos naturais, são mal administradas e deveriam ser ou reguladas por autoridades centrais ou privatizadas.Em um dos seus mais recentes trabalhos publicado na revista Science em julho, ela cita estudos de diversos campos de conhecimento que chegaram à conclusão de que algumas políticas governamentais aceleram a destruição dos recursos, enquanto que, por outro lado, alguns usuários de recursos investem tempo e energia para alcançar a sustentabilidade.Com base em diversos estudos sobre como pessoas comuns e funcionários públicos tentam solucionar problemas difíceis relacionados ao gerenciamento de recursos naturais, como estoques pesqueiros, pastagens, madeira e água, Elinor observou que quando trabalham em conjunto, eles desenvolvem mecanismos sofisticados para tomar as decisões e lidar com conflitos de interesse, construindo uma rede de confiança e respeito, o que os levam as soluções.“Que um funcionário tenha um PHD não significa necessariamente que ele saiba mais que as pessoas que vivem de um recurso. (…) Há muito conhecimento local que temos que respeitar”, afirmou nesta segunda-feira (12).Elinor percebeu que as mudanças vinham quando os benefícios da sustentabilidade eram altos o suficiente para compensar os custos em atingi-la. Evitar o colapso ambiental, por exemplo, normalmente significa enfrentar perdas no presente, como suspender a pesca por alguns anos para restabelecer os estoques, em nome de um interesse comum a longo prazo.A cientista, que é diretora fundadora do Centro de Estudos de Diversidade Institucional na Universidade do Arizona, identificou as 10 maiores variáveis que influenciam um grupo a se organizar para fazer sacrifícios agora e se tornar sustentável ou não: tamanho do sistema de recursos, produtividade dos recursos, previsibilidade da dinâmica do sistema, mobilidade das unidades de recursos, número de usuários, liderança e empreendedorismo, normas e capital social, conhecimento de sistemas sócio-ecológicos e modelos mentais e a importância do recurso.Múltiplos conhecimentosElinor chamou a atenção também para a desconexão nas bases científicas usadas por diferentes campos de conhecimento, desde a biologia até a economia, quando estudam grande problemas, como a potencial perda de recursos hídricos e florestais. Sem um quadro comum de conceitos e linguagens para descrever e explicar cada descoberta sobre complexos sistemas sócio-ecológicos, o conhecimento isolado não irá se acumular e reverter em avanços.Para a cientista, o interesse por esta visão de integração de conhecimentos está crescendo e uma rede internacional está se formando, com diversos grupos colaborando para desenvolver mais e aplicar este quadro geral de análise da sustentabilidade em sistemas sócio-ecológicos.“Elinor não é apenas uma cientista brilhante e inovadora que, combinando de uma forma original abordagens na economia, antropologia e ciência política, abriu muitas novas perspectivas para estudos em instituições e políticas, mas ela também é uma cientista extremamente modesta e generosa, que se esforçou muito para compartilhar suas ideias com aqueles que as mais precisam, nos Estados Unidos e no mundo”, disse seu colega Sander van der Leeuw, que é diretor da Escola de Evolução Humana e Mudança Social da Universidade do Arizona.Para Leeuw, ela é um exemplo do tipo de cientista que mais precisamos hoje: transdiciplinar e totalmente comprometida com as grandes questões que as sociedades precisam lidar hoje.
(Envolverde/ CarbonoBrasil)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

RURALISMO AMBIENTAL


Miriam Leitão

Imagine um mesmo ministério que juntasse ambientalistas e ruralistas. O ministro inglês Hilary Benn, do Meio Ambiente e agricultura, acha que unir os dois faz todo o sentido
Imagine um mesmo ministério que juntasse ambientalistas e ruralistas. O ministro inglês Hilary Benn, do Meio Ambiente e agricultura, acha que unir os dois faz todo o sentido por um motivo simples: “Poderíamos produzir alimento sem água, sol, terra, chuvas, biodiversidade?” Ele vem ao Brasil em novembro com uma agenda que tem contatos nas duas áreas e para conversar sobre Copenhague.
Por outro lado, o ministério dele não cuida de mudança climática, que fica com o ministro da Energia, Ed Miliband. Perguntei se é possível tratar hoje em dia de meio ambiente separado de mudança climática: — Melhor ter dois ministros verdes num governo que apenas um. Nós dois trabalhamos muito juntos.Energia e mudança climática têm que estar juntos.Sobre agricultura e meio ambiente, não tem que haver competição entre as duas áreas. Elas são interdependentes.Por exemplo: as abelhas estão morrendo, por uma série de razões.
Elas são fundamentais para polinizar as plantas. Se elas desaparecerem estaremos em sérios problemas aqui na Inglaterra. Há tensão, claro. De vez em quando fazendeiros me dizem: “Isso não tem nada a ver com meio ambiente, é produção.” Mas estamos muito perto do tempo em que o aquecimento global vai afetar nossa capacidade de produção. Acho que fica mais fácil conversar quando as duas áreas estão no mesmo ministério.
No verão de 2007 caíram chuvas torrenciais na Inglaterra que afetaram cerca de 500 mil pessoas, e Hilary Benn passou sua primeira noite no cargo no reduto eleitoral de Ed Miliband, em Doncaster North: — Ed e eu passamos a noite conversando com os eleitores dele. Vários nos perguntaram se aquilo era a mudança climática. Para dar uma resposta honesta, não há certeza. Mas os eventos que ocorrerão serão assim.Tem gente que acha que dois graus de temperatura não é nada. Em 2003, tivemos um verão mais quente na Europa. Pessoas morreram por causa disso.Na minha passagem por Londres, semana passada, fiz uma longa entrevista com o ministro Hilary Benn. Falante, expressivo, ele é um dos negociadores da Inglaterra na reunião de Copenhague.
Perguntei sobre o risco de a reunião não chegar a um resultado positivo.— Eu não quero perder tempo agora pensando no fracasso. O que nós decidirmos lá, pode afetar o mundo pelos próximos 20 anos. Eu estava em Bali, quando parecia que ia ser fácil e não foi. É muito difícil negociar por conhecidas razões, mas o mundo estará lá e nós precisamos saber o que cada país tem para pôr na mesa. Temos que decidir o fluxo de financiamento para os países mais pobres. A mudança climática virá de qualquer maneira. Temos que nos preparar — disse.
Perguntei a ele o que pode acontecer na Inglaterra com a mudança climática: — Nós somos uma naçãoilha.
Estamos aqui no sexto andar, mas o primeiro-ministro mora no nível térreo.
Hoje, Londres vive protegida por barreiras construídas em 1953, que têm sido frequentemente elevadas.
Essas barreiras guardam oito milhões de pessoas e 200 bilhões de libras de ativos.
Se houver apenas 10% de probabilidade de as barreiras serem superadas, o que nos interessa são esses 10%, porque se as barreiras romperem nós estaremos em grande risco.
O Ministério acabou de lançar um novo guia para as empresas fazerem a contabilização do carbono, um aperfeiçoamento do processo.
Naquele mesmo dia ele havia tido uma reunião com empresários. Sugeriu que eles se preparassem e perguntou como o aquecimento global afetará os negócios de cada um: se haverá aumento ou queda de demanda para seus produtos, se eles sabiam como suas operações internacionais serão atingidas e qual a situação da cadeia produtiva.— Eu, se tivesse um negócio de fornecimento de água, estaria protegendo meus reservatórios. Nós tivemos, aqui no Reino Unido, dois verões muito secos e depois três verões com muita chuva, inclusive em 2007, na pior enchente que já tivemos. Em Gloucestershire, 300 mil pessoas ficaram sem água porque o reservatório foi atingido e ficou muito perto de afetar o fornecimento de energia.
Nós temos que nos organizar para estar preparados para qualquer cenário.
O ministro deu exemplos de que mudança climática é questão econômica: — Fui ao Panamá. Lá, vi que o canal hoje tem menos água, o que torna mais difícil a passagem dos navios.
Os custos do frete aumentaram e as empresas de seguro elevaram os prêmios.E por que as águas diminuíram? Por causa do desmatamento.
Exemplo concreto do custo econômico da perda de bens ambientais.
Fui a Nairóbi e, no centro agroflorestal, vi a artemísia, uma planta que aumenta a potência das drogas atuais contra a malária.
Vi outra planta, a prunus africana, cujo chá da casca combate o câncer de próstata.
É desse valor econômico da floresta que eu estou falando.Há dúvidas sobre biocombustíveis.
A Inglaterra está introduzindo combustível renovável no transporte, mas ele me falou de três dúvidas: acha que se for massificado o uso, isso tomará terra demais; o etanol de milho tem um balanço carbono quase tão ruim quanto os combustíveis fósseis; dependendo da maneira como o etanol é produzido, o impacto no meio ambiente pode ser muito alto. Um dos assuntos da visita dele ao Brasil será ver a nossa forma de produção de biocombustíveis. Um bom momento para convencêlo da qualidade dos nossos produtos. O Reino Unido é um grande mercado e como tenho dito aqui, está na frente de outros países na busca de uma economia e um consumo que ajudem a mitigar os efeitos da mudança climática.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL



O BNDES possui linha de financiamento específica para conservação de meio ambiente e outras para florestamento, geração de energia alternativa, etc, enquanto que o Banco do Nordeste, em uma única linha denominada FNE VERDE, apoia investimentos em florestamento, reflorestamento, agricultura e pecuária orgânica, geração de energia alternativa e empreendimentos de coleta, reciclagem e destinação final de resíduos domiciliares, comerciais, industriais e hospitalares; produção de cosméticos, remédios e outros produtos fitoterápicos oriundos da flora regional; controle, redução e prevenção da poluição do solo, da água e do ar; recomposição ambiental de áreas degradadas, etc.
O prazo total de financiamento é de até 20 anos com carência de até 8 anos.
A taxa de encargo líquida efetiva média é de 7% a.a. fixa, já incluso o bônus de adimplência.

Banco do Nordeste financia exportação
Além do financiamento com recursos do FNE, nas condições do Cresce Nordeste Exportação, o Banco do Nordeste está repassando financiamento BNDES Exim Pré-embarque. Analise condições BNDES Exim Pré-embarque e Pré-embarque Ágil.
Verifique Apoio à exportação - BNDES Exim.

Financiamento Máquinas e Equipamentos com capital de giro associado
As condições são válidas até 31 de dezembro de 2009, fim do prazo de vigência do programa que reduziu as taxas de juros nas linhas de aquisição de bens de capital. As taxas já incluem remuneração da Instituição Financeira Credenciada, de 3% a.a., no caso de apoio indireto – Bancos Repassadores.

Itens Financiáveis
Obs.: A taxa de juros de 4.5% ao ano é equivalente à taxa de 0,37% ao mês. A taxa de juros de 7% ao ano é equivalente à taxa de 0,57% ao mês.
O BNDES PSI financia até 100% e aceita prazo de amortização limite de 120 meses, com carência máxima de 2 anos. Para ônibus, caminhões, chassis, carrocerias, etc, amortização em até 96 meses.

Analise também condições BNDES Finame.
É passível o financiamento ao capital de giro associado à aquisição de máquinas e equipamentos, em operações realizadas com médias empresas, limitado a 30%. Não se aplica à aquisição de tratores rodoviários e agrícolas, ônibus, chassis e carrocerias.

Importação de Máquinas e Equipamentos
O BNDES está financiando aquisição de máquinas e equipamentos sem similar nacional. Não aceita financiar máquinas e equipamentos já internalizados no país, enquanto que o Banco do Nordeste, apoia aquisições já nacionalizadas.
O nível de participação do BNDES é de até 60% do valor FOB, enquanto que o BNB é até 100% do valor CIF, em reais - sem risco cambial.
Analise Apoio à Importação de Máquinas e Equipamentos.

sábado, 26 de setembro de 2009

MODELO F DE FRACASSO


Lucas Mendes
De Nova York para a BBC Brasil

Henry Ford era o homem mais rico do mundo, mas não era feliz. Isto foi na década de vinte do século passado, quando metade dos carros em circulação no mundo eram fabricados por ele. Controlava todas partes da produção do modelo T menos a borracha dos pneus, que vinha de plantações na Ásia e pertenciam aos ingleses, franceses e holandeses.
O Estado do Amazonas estava na miséria depois que outro Henry, em 1876, numa monumental bio-pirataria, roubou 70 mil sementes das nossas seringueiras e mandou para o Jardim Botânico de Londres. Henry Wickham, um aventureiro expulso de outras praças, acabou com o monopólio brasileiro e com a belle époque amazonense. Pelo roubo recebeu da rainha Vitoria o título de Cavaleiro. Sir Henry.
Os interesses de criador do modelo T e do Amazonas se cruzaram no fim da década de 1920. O Estado empobrecido deu a ele 10 mil quilômetros quadrados para plantar seringueiras na esperança de recuperar a glória perdida. O pedação de terra ficava na margem do Tapajós, 18 horas de barco de Santarém, rio acima.
Quem nos conta a história é o professor Greg Grandin, da New York University, autor do recém-publicado 'Fordlandia - The Rise and Fall of Henry Ford’s Forgotten Jungle City'.
O livro traz novas revelações e detalhes preciosos sobre o faraônico projeto de Ford na selva brasileira. Em resumo, Ford estava muito mais interessado na criação de uma nova sociedade do que na borracha para os pneus.
Antes de chegar lá vale a pena voltar à infância de Ford, que nasceu uma fazenda em Michigan, recebeu uma educação austera, mas, logo que pode, caiu fora do campo. Sua antipatia por vacas, leite e e bichos de fazenda duraria a vida inteira.
Detestava igualmente as grandes cidades. Seu sonho era uma cidade pequena, auto suficiente, agroindustrial. Parte do ano produziria alimentos, noutros meses, fabricaria. Fazia experiências semelhantes em cidades do norte de Michigan, mas a selva era como um laboratório isolado.
Na sua Fordlandia, só dançariam quadrilhas, polcas e valsas, só entraria leite de soja, arroz integral, uma cidade sem álcool, fumo, prostitutas, igrejas nem carnes (era vegetariano).
Ford também não gostava de judeus, bandeiras, países - acreditava numa super Nações Unidas -, nem de sindicatos. Os salários dos empregados dele eram o dobro da média para que pudessem comprar o que fabricavam, mas foi implacável contra os sindicatos. Suas fábricas tinham um Departamento de Sociologia, que controlava toda vida dos empregados, do comportamento social a higiene da casa.
Detestava especialistas. Criou seu carro sem eles , empiricamente: errava, corrigia, errava, corrigia, e quando decidiu criar seu mundo na selva não mandou botânicos nem cientistas examinar as terras e as seringueiras.
Deu tudo errado. A cidade virou uma zona sem lei nem ordem, e 3 anos depois de criada foi quase toda queimada pelos empregados numa rebelião que começou quando um engenheiro decidiu substituir o serviço de mesa do restaurante da fábrica pelo bandejão. No protesto contra a fila da comida não sobrou um relógio de ponto. Os carros e caminhões foram jogados no rio.
Ford era teimoso. Despejou mais dinheiro na Fordlandia. A cidade chegou a ter 25 mil habitantes, cinco mil deles empregados. As ruas eram asfaltadas, as casas tinham banheiros, água corrente, máquinas de lavar, vitrolas, geladeiras. O hospital era um dos mais avançados do país. Os problemas sociais diminuíram, mas as seringueiras não produziram borracha. Na Amazônia elas são nativas, com árvores distantes umas das outras .
Na plantação da Forlandia as árvores eram alinhadas e próximas umas das outras. Foram todas destruídas por diferentes insetos e pragas que não existiam na Malásia, Indonésia e Indochina.
Henry Ford não só perseverou como criou uma outra cidade, Belterra, mais perto de Santarém. Pelas contas de Gradin, ele despejou US$ 250 milhões de dólares na selva.
Quando aprenderam a combater as pragas e as seringueiras iam dar o látex para os pneus, o preço da borracha brasileira deixou de ser competitivo com outras borrachas, inclusive a sintética.
Logo depois do fim da Segunda Guerra, com o pai batendo pino, o filho Henry Ford II assumiu o comando da empresa e uma de suas primeiras decisões foi cortar a verba da Fordlandia e da Belterra. Nunca saiu um quilo de borracha do Brasil para Detroit. O novo mundo de Ford se tornou um modelo F, de Fracasso.
Edmond C. Ganem

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

PLANO CONTRA DESMATAMENTO VAI CRIAR FLORESTAS PÚBLICAS

O plano de ação para prevenção e controle do desmatamento e das queimadas do cerrado que foi ontem à consulta pública procura afastar a ideia de transformar o bioma em santuário ecológico. Em suas 152 páginas, o plano lista prioridades divididas em três eixos: controle e monitoramento; áreas protegidas e ordenamento territorial. Trata, por fim, do incentivo a atividades sustentáveis, incluindo o plantio de cana-de-açúcar para a produção de etanol.Para o conjunto de ações do plano está previsto um investimento de R$ 440,9 milhões. Desse total, R$ 401 milhões virão dos cofres do Meio Ambiente. O restante está classificado como "recursos extras". Um dos braços principais do plano é composto pelas áreas protegidas e ordenamento territorial. Há previsão de investimento de R$ 17,4 milhões em três anos. A maior fatia dessa verba será destinada para a elaboração de planos de recursos hídricos: R$ 5,18 milhões.Entre as propostas está a criação de 16 unidades de conservação integral: 6 em Mato Grosso, 5 no Tocantins, 2 em Goiás, 1 na Bahia, 1 no Maranhão e 1 no Piauí. O plano ainda sugere a criação de unidades de uso sustentável: 15 ao todo, distribuídas em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Bahia e Piauí. Há também previsão para cadastramento e criação de florestas públicas.Com um histórico de conflitos com o governador Blairo Maggi (MT), grande plantador de soja, o ministério não deixou de citar a cultura como um fator de desmatamento. "No Mato Grosso, o plantio da soja foi iniciado pelos cerrados centrais e migrou para o norte cerca de 500 quilômetros, deslocando a fronteira agrícola. Nesse mesmo período, a área desmatada no Estado aumentou em dimensões semelhantes e de forma progressiva", diz o texto colocado para consulta.Outro ponto de destaque é a recuperação de áreas degradadas, com aumento de ofertas de mudas e a disse minação de módulos para uso de múltiplos plantios. Uma das prioridades é desenvolver estudos com espécies nativas, reunindo informações sobre manejo econômico das espécies. A intenção é a de que dados coletados no trabalho sejam usados para nortear políticas de incentivo de manejo na região.
As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo". de 11/09/2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

APICULTORES COMEMORAM RETORNO DO BRASIL ÀS EXPORTAÇÕES DE MEL

O retorno do Brasil às exportações de mel, neste ano, foi comemorado pelos participantes do V Seminário de Própolis do Nordeste e IV Encontro Nacional de Produtores de Pólen que foram abertos na tarde quarta-feira, 2, no Centro de Pesquisas do Cacau da Superintendência da Ceplac no Estado da Bahia. O coordenador dos eventos Ediney Magalhães disse que as exportações de mel de janeiro a julho superaram valores totais do ano passado, já que a receita foi de US$ 43,9 milhões, o que significa 99% a mais do que em 2008.

Além disso, informou que os Estados Unidos adquiriram US$ 28 milhões, a Alemanha US$ 8,99 milhões e o Reino Unido com US$ 3,79 milhões de produtos apícolas produzidos no Brasil nos sete primeiros meses de 2009. “O mercado interno tem atualmente os preços mais compensadores para o pólen, daí não vale a pena exportar, com o preço de US$ 1 oferecido pelo mercado externo”, comentou. Com relação à própolis vermelha, o Japão, segundo ele, paga entre US$ 400 e US$ 500 pelo quilo. “Por isso, devemos arregaçar as mangas para produzir mais”, recomendou.
O representante do ministro Reinhold Stephanes, Zander Navarro, disse que o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento definiu que vai usar todos os esforços humanos, financeiros e políticos, para junto com a Ceplac e demais organizações, fazer que região novamente produza Bem-Estar, prosperidade e desenvolvimento social, já que a percepção é que as áreas rurais podem perfeitamente conviver com agricultura familiar e a tradicional. “O meio rural brasileiro pode ter mais benefícios pela diversidade de produtores, que podem perfeitamente conviver entre si. O meio rural exige formas de cooperação. O País é o único onde cerca de cinco milhões podem prosperar”, afirmou.
O diretor adjunto da Ceplac Edmir Ferraz fez um contraponto entre a harmonia e o labor da sociedade das abelhas na colméia e a capacidade institucional do órgão em atender aos produtores de cacau brasileiros induzindo-os à diversificação, inclusive com projetos de apicultura para agregar renda às propriedades rurais. Falou da ação do Departamento de Desenvolvimento Regional, Emarc e da criação do Centro Regional de Apicultura como resultado do esforço de contribuição da Ceplac, ao longo de sua historia. “Através desse projeto de apicultura construímos uma realidade com a capacidade empreendedora do apicultor de produzir, anualmente, acima de 450 toneladas de mel e 50 toneladas de pólen”, frisou.
A receita anual da apicultura no Sul da Bahia é de R$ 2,3 milhões com mel enquanto com pólen supera R$ 1 milhão. A cerimônia de abertura teve a apresentação do Coral de Servidores da Ceplac, com peças da música popular brasileira, e homenagens ao professor Paulo Sérgio Costa, pesquisador da Uesb e um dos renomados especialistas nacionais na área de doenças das abelhas; ao diretor do Cepec, Adonias Castro Filho; ao superintendente da Ceplac na Bahia, Antonio Zózimo de Matos Costa, pela contribuição de cada um ao desenvolvimento da apicultura brasileira. Também usaram da palavra o coordenador regional do Sebrae Mata Atlantica Renato Lisboa e o vice-presidente da Federação Baiana de Mel (Febamel), Jorge Brito.

Mais informações: http://www.ceplac.gov.br/Apicultura/5º_Seminario/index.htm
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DA CEPLAC
quarta-feira, 2/9/2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

RESÍDUO PRODUTIVO


Estudo da Escola Superior de Agricultura, ligada à USP, comprova a eficácia do uso de esgoto tratado na irrigação de plantações. Técnica ainda não tem legislação consolidada no país
Gisela Cabral

A reutilização de esgoto doméstico na agricultura já é realidade em lugares como Israel e Austrália. Enquanto isso, no Brasil, a técnica vem sendo testada no meio acadêmico, pois seu uso comercial exige legislação específica ainda não consolidada no país. Os resultados das últimas pesquisas na área, porém, têm surpreendido os especialistas. Um desses estudos, desenvolvido pela Escola Superior de Agricultura (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), constatou o aumento em torno de 50% na produtividade de uma cultura experimental de cana-de-açúcar, próximo ao município de Lins (SP). Além disso, a partir da irrigação monitorada, foi possível economizar água, fornecer nutrientes essenciais para a plantação e reduzir impactos ambientais provocados pela deposição de efluentes de esgotos nas águas dos rios.
O pesquisador responsável pelo estudo, Rafael Leal, explica que o líquido resultante das estações de tratamento urbanas, a chamada água residuária, contém elementos que são importantes para a planta como, por exemplo, o nitrogênio. Ele contribui para a formação das proteínas, que são a base de crescimento dos vegetais. "Alguns desses nutrientes, quando lançados nos cursos d'água, podem ocasionar uma proliferação excessiva de algas. Essas plantas podem consumir muito oxigênio, reduzindo a quantidade suficiente para a sobrevivência dos peixes. Já na agricultura, o efeito é benéfico", compara o engenheiro agrônomo. Leal esclarece ainda que, ao contrário do esgoto industrial, o doméstico tem reduzida contaminação por metais pesados, o que possibilita seu uso em plantações.
No estudo em Lins, a reutilização de efluentes reduziu também os custos da produção da cultura experimental de cana da Esalq. Porém, de acordo com o agrônomo, essa redução varia de 30% a 50%, e vai depender do tipo de cultura na qual o método for aplicado.
Praticamente 100% do esgoto do município paulista é tratado por um sistema biológico. Porém, antes do destino final, a água residuária passa por um filtro de areia localizado num patamar mais baixo, que tem o objetivo de conter o excesso de materiais orgânicos. "O intuito é evitar o entupimento do sistema de irrigação com excesso de algas mortas, por exemplo", afirma. Um sistema de bombeamento também foi implementado para conduzir o líquido até a plantação. Para auxiliar no monitoramento da cultura de cana, os pesquisadores ainda contaram com o auxílio de equipamentos como tensiômetros, que servem para avaliar a necessidade de irrigação da área.
Regras
Experimentos baseados em irrigação de culturas com água residuária vêm sendo desenvolvidos pela Esalq desde 2000. Além da cana-de-açúcar, plantações de milho e girassol já foram testadas. Neste momento, a expectativa gira em torno da aprovação de uma legislação específica que libere o uso comercial do método. De acordo com Célia Regina Montes, professora da Esalq e membro do Grupo Técnico de Reuso de Água não Potável, em 2005 foi aprovada pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), do governo federal, a resolução nº 54, que estabelece modalidades, diretrizes e critérios gerais para a prática.
Conforme a pesquisadora, cada uma das modalidades (cinco, no total), entre elas a agrícola e a florestal, precisa de regras próprias. "Desde 2006, colaboramos com o grupo de trabalho da Câmara Técnica de Ciência e Tecnologia (CTC), ligada ao CNRH, para a elaboração da resolução específica para utilização agrícola e florestal. A minuta já está preparada e atualmente tramita nos órgãos competentes, em Brasília, para avaliação", explica. O professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Adriel da Fonseca, também reconhece a importância de uma legislação própria. "A técnica é liberada para uso em diversos países. A pesquisa no Brasil, porém, está tão avançada que recentemente recebi um convite de Israel para expor alguns trabalhos", diz.
Fonseca, que acompanha de perto os resultados dos testes feitos em Lins, propôs a irrigação de capim com água residuária e afirma ter conseguido resultados superiores ao da técnica convencional. "A produção chegou a ter uma melhora de 30%. A economia é de até 80% em relação à adubação nitrogenada. Isso significa cerca de US$ 400 por hectare, dependendo de fatores como tipo do solo e planos de manejo", afirma.
Fonte: Correio Braziliense-DF, 02/09/2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

GOVERNO PROPÕE "TROCAR" DÍVIDA POR FLORESTA


Dívida rural poderá ser paga com florestas O governo estuda incentivar o abatimento de dívidas agrícolas e o uso de áreas degradadas para convencer o produtor rural a investir na ampliação de florestas, o Programa Nacional de Floresta Plantada, em debate, prevê dois modelos para a quitação de dívidas rurais: por meio da emissão de títulos lastreados em florestas plantadas ou da venda futura de créditos de carbono. "Precisamos de terra para plantar, usar áreas degradadas e trocar dívidas pelo plantio de florestas", diz o ministro interino de Assuntos Estratégicos, Daniel Vargas.
Mauro Zanatta, de Brasília
O governo aposta em incentivos ao abatimento de dívidas agrícolas e no uso de áreas degradadas para convencer o produtor rural a investir na ampliação de áreas cultivadas com florestas no país. A proposta da Secretaria de Assuntos Estratégicos também cria alternativas para questões de mudanças climáticas, como pagamento por serviços ambientais, e de produção de energia a partir de fontes renováveis. O Programa Nacional de Floresta Plantada, em debate no governo, prevê dois modelos para a quitação da dívida rural dos produtores por meio da emissão de títulos lastreados em florestas plantadas ou da venda futura de créditos de carbono.
Pela proposta, os débitos rurais, estimados entre R$ 36 bilhões e R$ 130 bilhões, seriam equacionados com a constituição de sociedades de propósito específicos (SPEs) controladas por fundos compostos por produtores, indústrias de papel e celulose e outros investidores. Outra opção seria formalizar parcerias de longo prazo entre produtores e indústrias para a securitização de recebíveis das dívidas de produtores em mercado secundários. "Precisamos de terra para plantar, usar áreas degradadas e trocar dívidas pelo plantio de florestas", diz o ministro interino de Assuntos Estratégicos, Daniel Vargas.
Os "sinais do mercado", segundo ele, são de forte demanda no longo prazo. Vargas afirma haver concordância de produtores e ambientalistas em relação à troca de dívidas. "É um projeto "ganha-ganha" e está muito avançado no governo". Os benefícios ambientais seriam relevantes. As reservas naturais do país em florestas plantadas, avalia, poderiam crescer dos atuais 5,3 milhões para 27 milhões de hectares em 2050. E a fixação de gases causadores do efeito estufa superaria 6 milhões de toneladas de CO2 até lá. A expansão dessas florestas em áreas degradadas poderia ocupar 13 milhões de hectares adicionais até 2050.
Os estudos da SAE mostram que o mercado internacional de madeira e derivados passaria dos atuais US$ 230 bilhões para algo entre US$ 560 bilhões e US$ 840 bilhões até 2020. "É um colosso de recursos para aproveitar. Hoje, temos apenas uma fatia de 3,2% disso. Só para manter nossa participação, teríamos que dobrar a produção no futuro", diz Vargas. A receita bruta da indústria, segundo projeções, saltaria de R$ 30,6 bilhões, em 2009, para R$ 168,5 bilhões até 2050. A arrecadação direta de tributos poderia aumentar sete vezes, para R$ 60 bilhões, e a geração de empregos passaria de 710 mil para 1,6 milhão de vagas diretas.
A equipe da SAE tem mantido conversas reservadas com BM&F-Bovespa, Banco do Brasil, Ministério da Fazenda, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e empresas de base florestal e siderúrgicas para acertar os detalhes dos modelos do novo programa. O governo aposta em um mercado "sólido, crescente e comprador" no longo prazo.
Parte dos ambientalistas vê como positiva a iniciativa do governo. "Finalmente, começamos a cruzar a política de crédito agrícola com as políticas ambientais. Resta ver se haverá o vínculo mais importante, que é a regularização", diz Ana Cristina Barros, representante da The Nature Conservancy (TNC) no Brasil. Embora não tenha detalhes da proposta nem tenha sido consultada, a dirigente da ONG argumenta ser importante a criação de estímulos à regularização das propriedades, como o cadastro rural e o reflorestamento de áreas de Reserva Legal (RL) e de Preservação Permanente (APP).
O abatimento de dívidas em troca do cumprimento do Código Florestal, porém, é polêmico. Na avaliação de parte da sociedade civil, trata-se de "recompensar" aqueles que não cumpriram a lei. A TNC rejeita essa posição. "Estamos falando, na verdade, de algo adicional, de uma remuneração por serviços ambientais prestados", diz Ana Cristina, referindo-se à regulação do clima e à manutenção da água, entre outros pontos, garantidos pela floresta de pé. "Não vejo problema em pagar para a regularização. O governo não pagou para recolher armas ilegais? Por que não pode pagar para as florestas?"
A proposta do governo soa bem aos ouvidos de especialistas. A produção da indústria de base florestal cresceu 6% ao ano nos últimos 15 anos e precisa elevar a base produtiva para atender à crescente demanda. O preço da madeira registrou valorização de 250% desde 2000. Os estímulos ao produtor são atraentes.
"É um investimento sem vínculo com ativos financeiros, elimina problemas de armazenagem e dá ganhos de apreciação da terra", resume o consultor Marco Tuoto, da paranaense STCP Engenharia de Projetos. Mas há desvantagens. "O período de maturação é longo, resulta em baixa liquidez e imobilização de ativos, como a terra". O modelo serviria melhor, diz, para produtores das regiões Sul e Sudeste do país, além do sul do Nordeste. O eucalipto demora sete anos para maturar. O pinus leva entre 18 e 20 anos e a teca, de 20 a 25 anos. Incentivos como adiantamentos de recursos para plantio e certificação e monitoramento da produção seriam importantes para estimular a entrada de produtores rurais no negócio.
(Colaborou Bettina Barros, de São Paulo)
Fonte: Valor Econômico-SP, 01/09/2009

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

GOVERNO ESTUDA CRIAR BOLSA-FLORESTA


Proposta é pagar a famílias e trabalhadores rurais que deixem de desmatar; custo seria de 5% do Bolsa-Família

Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA

O governo federal poderá pagar para quem mantiver a floresta amazônica em pé. Uma proposta apresentada por consultores do Ministério do Meio Ambiente (MMA) à equipe econômica, esta semana, criará uma espécie de mercado nacional de carbono, com um valor mínimo para cada tonelada de emissão evitada no País. Com isso, famílias, cooperativas e grupos que preservarem terão direito a um recurso, uma espécie de bolsa-floresta, por prestação de serviços ambientais.
O argumento é que a floresta em pé tem um valor que pode ser calculado pelo que ela deixa de emitir de CO² e quem a preserva pode receber por isso e ainda saber de antemão com qual recurso contará. A ideia base, preparada para o MMA pelo engenheiro florestal Tasso Azevedo, está sendo discutida com o Ministério da Fazenda.
"A intenção é simplificar muito o processo. Um sistema de transferência de recursos como esse pode empoderar quem está lá na ponta, gerindo a floresta", explica Tasso. A proposta parte da ideia da criação de um estoque nacional de carbono não emitido. Cada tonelada teria um valor mínimo, a ser calculado pelo governo, que seria revertido a quem preservou.
Isso não significa que o governo teria que pagar a todos que deixassem de desmatar. Ao final de um ano, uma empresa ou associação que tivesse um crédito poderia vendê-lo em um futuro mercado internacional de créditos de carbono, se obtivesse um preço além do mínimo estabelecido pelo governo. Mas, uma família que dificilmente teria acesso sozinha a esse mercado também poderia receber pela preservação.
Um exemplo pode ser uma família de assentados no interior da Amazônia. Na proposta preparada pelo MMA, se ela mantiver a área de mata nativa intacta na sua propriedade, terá direito, no final de um ano, a um valor determinado que poderá ser transferido, por exemplo, por um cartão magnético do tipo usado no Bolsa-Família.
A proposta apresentada à equipe econômica mantém, também, a ideia de um valor mínimo a ser recebido pela família que preservar, independentemente do tamanho da terra que possui. Isso seria o equivalente a 400 toneladas de carbono, um crédito mínimo que, se for mantido o preço usado para cálculo, de R$ 10, poderia representar R$ 4 mil ao final de um ano. A cada hectare desmatado, no entanto, o proprietário da terra receberia um pouco menos desse valor.
CUSTO BAIXO
O custo da proposta certamente não pode ser considerado alto. Azevedo calcula que, se o desmatamento da Amazônia fosse zerado com o programa, seria necessário investir R$ 4 bilhões ao ano (caso seja mantido o valor de R$ 10).
No entanto, a expectativa é que o gasto fique em torno de R$ 400 milhões - cerca de 5% do que é gasto por ano com o programa Bolsa-Família. Além disso, o próprio governo poderia revender esses créditos em um mercado internacional de carbono e reaver os recursos.
Um dos maiores entraves é a regularização fundiária na Amazônia, algo que ainda não se conseguiu resolver. Boa parte das terras da região ainda é, na teoria, pública, mas está tomada por grileiros e tem um emaranhado legal que faz com que seja difícil encontrar a origem de certificados de posse de terra. Para preservar será preciso, primeiro, legalizar.
Fonte: O ESTADO DE S. PAULO - SP , 28/08/2009

GOVERNO CRIA REDE DE SERVIÇOS PARA PRODUTOS DA SOCIOBIODIVERSIDADE


Foi finalizada nesta quinta-feira, dia 27, a construção da Rede de Serviços para Produtos da Sociobiodiversidade. Durante encontro, em Brasília, cerca de 80 pessoas que atuam na prestação de serviços de apoio aos Povos, Comunidades Tradicionais, da Agricultura Familiar - além de representantes dos governos federal, estadual e instituições de pesquisa e ensino - participaram da construção da Rede.
A medida tem o objetivo de apoiar o associativismo e o cooperativismo; a formalização dos empreendimentos; a qualificação da gestão; o desenvolvimento de produtos e inovações tecnológicas; o assessoramento para a elaboração de planos de negócios, a qualificação para o acesso a mercados e a criação de redes de comercialização e para acesso ao crédito.//
O Diretor de Geração de Renda e Agregação de Valor do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Arnoldo Campos, explica como funcionará a Rede de Serviços para Produtos da Sociobiodiversidade:
Sonora (Arnoldo campos):
"O Ministério do Desenvolvimento Agrário ficou responsável por coordenar essa Rede. Ela vai ter um portal dentro do site do MDA com as principais informações, as principais instituições prestadoras de serviços; nós vamos ter recursos direcionados para a contratação de serviços que vão resolver parte dos problemas que foram identificados nessas cadeias produtivas, vamos ter coordenadores dentro dos ministérios e dos estados que vão se responsabilizar por determinados grupos de assuntos que precisam de solução técnica, tecnológica de apoio".
Inicialmente, serão implementadas cadeias produtivas de Castanha-do-Brasil e babaçu./ O objetivo é atender 500 mil famílias, beneficiando quase dois milhões de extrativistas.//
A extrativista Cledineuza Oliveira, de 52 anos, mora no município paraense de São Domingos do Araguaia e fala da expectativa com a construção da Rede de Serviços:
Sonora (Cledineuza Oliveira):
"Eu acho que esse encontro, esse estudo que está sendo feito agora, vai melhorar as nossas condições, divulgar melhor os nossos produtos. Vamos ter os técnicos para orientar melhor e ter mais aproveitamento do que a gente já vinha tentando fazer e não tinha essa condição".
A Rede de Serviços de Produtos da Sociobiodiversidade é um projeto desenvolvido no âmbito do Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade. O plano é coordenado pelos ministérios do Desenvolvimento Agrário, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome com a participação da CONAB.
Fonte: Pantanalnews, 28/08/2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Primavera Silenciosa

Rachel Carson
Um dos livros que marcaram o século XX
Ao ser introduzido para uso no combate a pragas, o DDT — o mais poderoso pesticida que o mundo já conhecera — terminou por mostrar que a natureza é vulnerável à intervenção humana. A maior parte dos pesticidas é efetiva contra um ou outro tipo de insetos, mas o DDT era capaz de destruir de imediato centenas de espécies diferentes de insetos. O DDT, cujo inventor recebeu o Prêmio Nobel, tornou-se conhecido durante a II Guerra Mundial, quando foi usado pelas tropas americanas contra insetos causadores da malária. Ao mesmo tempo, na Europa, começou a ser usado sob a forma de pó, eficiente contra pulgas e outros pequenos insetos.
Rachel Louise Carson, escritora, cientista e ecologista norte-americana, no livro Silent Spring (A Primavera Silenciosa), lançado em 1962, mostrou como o DDT penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do homem (chegou a ser detectada apresença de DDT até no leite humano!), com o risco de causar câncer e dano genético. A grande polêmica movida pelo instigante e provocativo livro é que não só ele expunha os perigos do DDT, mas questionava de forma eloqüente a confiança cega da humanidade no progresso tecnológico. Dessa forma, o livro ajudou a abrir espaço para o movimento ambientalista que se seguiu. Juntamente com o biólogo René Dubos, Rachel Carson foi uma das pioneiras da conscientização de que os homens e os animais estão em interação constante com o meio em que vivem.
Quando o DDT se tornou disponível para uso também por civis, poucas pessoas desconfiavam do miraculoso produto, talvez apenas aquelas que eram ligadas a temas da natureza. Uma dessas pessoas foi o escritor E. W. Teale, que advertia: "Um spray que atua de forma tão indiscriminada como o DDT, pode perturbar a economia da natureza tanto quanto uma revolução perturba a economia social. Noventa por cento dos insetos são benéficos e, se são eliminados, as coisas em pouco tempo fogem do controle." Outra dessas pessoas foi Rachel Carson, que propôs um artigo para o Reader's Digest falando sobre a série de testes que estavam sendo feitos com o DDT próximo a onde ela vivia, em Maryland. A idéia foi rejeitada. Treze anos mais tarde, em 1958, a idéia de Rachel de escrever sobre os perigos do DDT, teve um novo alento, quando ela soube da grande mortandade de pássaros em Cape Cod, causada pelas pulverizações de DDT. Porém seu uso tinha aumentado tanto desde 1945, que Rachel não conseguiu convencer nenhuma revista a publicar sua opinião sobre os efeitos adversos do DDT. Ainda que Rachel já fosse uma pesquisadora e escritora reconhecida, sua visão do assunto soava como uma heresia. Então, ela decidiu abordar o assunto em um livro.
A Primavera Silenciosa levou quatro anos para ser terminado. Além da penetração do DDT na cadeia alimentar, e de seu acúmulo nos tecidos dos animais e do homem, Rachel mostrou que uma única aplicação de DDT em uma lavoura matava insetos durante semanas e meses e, não só atingia as pragas, mas um número incontável de outras espécies, permanecendo tóxico no ambiente mesmo com sua diluição pela chuva. Rachel concluía que o DDT e outros pesticidas prejudicavam irremediavelmente os pássaros e outros animais, e deixavam contaminado todo o suprimento mundial de alimentos. O mais contundente capítulo do livro, intitulado "uma fábula para o amanhã", descrevia uma cidade americana anônima na qual todavida — desde os peixes, os pássaros, até as crianças — tinham sido silenciadas pelos efeitos insidiosos do DDT.
O livro causou alarme entre os leitores americanos. Como era de se esperar, provocou a indignação da indústria de pesticidas. Reações extremadas chegaram a questionar a integridade, e até a sanidade, de Rachel Carson. Porém, além de ela estar cuidadosamente munida de evidências a seu favor, cientistas eminentes vieram em sua defesa e quando o Presidente John Kennedy ordenou ao comitê científico de seu governo que investigasse as questões levantadas pelo livro, os relatórios apresentados foram favoráveis ao livro e à autora. Como resultado, o governo passou a supervisionar o uso do DDT e este terminou sendo banido. A visão sobre o uso de pesticidas foi ampliada e a conscientizaçã o do público e dos usuários começou a acontecer. Logo, já não se perguntava mais "será que os pesticidas podem ser realmente perigosos?", mas sim "quais pesticidas são perigosos?" Então, em vez dos defensores da natureza terem de provar que os produtos eram prejudiciais, foram os fabricantes que passaram a ter a obrigação de provar que seus produtos são seguros.
A maior contribuição de A Primavera Silenciosa foi a conscientização pública de que a natureza é vulnerável à intervenção humana. Poucas pessoas até então se preocupavam com problemas de conservação, a maior parte pouco se importava se algumas ou muitas espécies estavam sendo extintas. Mas o alerta de Rachel Carson era assustador demais para ser ignorado: a contaminação de alimentos, os riscos de câncer, de alteração genética, a morte de espécies inteiras... Pela primeira vez, a necessidade de regulamentar a produção industrial de modo a proteger o meio ambiente se tornou aceita.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

BAIXO CARBONO ESTIMULA NEGÓCIOS


Para o Valor, de São Paulo

Empresas brasileiras, sobretudo as que atuam globalmente, entenderam que o caminho rumo à economia do baixo carbono é inexorável e repleto de oportunidades. O Brasil pode ser líder nesse percurso, caso crie um sistema de governança na área. As afirmações são de Tasso Azevedo, que recentemente deixou a direção-geral do Serviço Florestal Brasileiro, para se tornar consultor para florestas e clima do Ministério do Meio Ambiente, e assessor do Fundo Amazônia, do BNDES, um modelo de financiamento para a conservação das florestas em pé. No ministério, Azevedo ajuda a preparar a posição brasileira na 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (15ª COP), a acontecer em Copenhague, Dinamarca, em dezembro. A seguir, os principais trechos da entrevista para o Valor.
Valor: Como o Sr. entende a crescente preocupação das empresas com as mudanças climáticas?
Tasso Azevedo: As evidências científicas trazidas pelo Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas, (IPCC, na sigla em inglês) comprovaram que teremos situações dramáticas, de alto custo para a adaptação, sobretudo se a temperatura global média subir mais de 2º C. Para o Brasil, o risco é ainda maior, pois nossa matriz energética depende do ciclo hidrológico, que seria muito afetado. O risco da não-ação é alto e isso foi entendido pelo meio empresarial.
Valor: Se o movimento começa pelas empresas com atuação global, como irá se ampliar?
Azevedo: Na economia de baixo carbono, a tecnologia de produção dos fornecedores repercute no cálculo das emissões do produto final. Por isso, algumas empresas brasileiras de atuação global começaram a trabalhar com suas cadeias de valor. Mas, para a expansão, é importante que o Brasil defina as regras do jogo. E que estimule as melhores práticas.
Valor: Como fazer isso?
Azevedo: Por exemplo, na reconstrução da indústria automobilística nos EUA, a justificativa ambiental direcionou mudanças econômicas estruturais. O governo impôs modelos de menor consumo e menos emissões atmosféricas e as indústrias perceberam que a economia do baixo carbono representa uma oportunidade. Nesse sentido, se o Brasil se posicionar de forma mais agressiva no cenário internacional, com uma atitude mais proativa de incentivo à adaptação à nova economia, pode assumir a liderança nessa área.
Valor: Poderia detalhar?
Azevedo: O país deveria apoiar a meta global de 2ºC como limite de aumento da temperatura média do planeta. Significa uma redução drástica das emissões até 2050, apenas viável se envolver os países desenvolvidos, obviamente com responsabilidade maior, e também os em desenvolvimento, inclusive Brasil. É como a parábola do barco cheio de furos que começa a afundar. Não basta dizer que quem fez os furos deve tampá-los, enquanto os outros passageiros cruzam os braços.
Valor: Como estimular a economia do baixo carbono?
Azevedo: Tivemos no Brasil um período para criar estabilidade econômica, maior legado do governo anterior. Mais recentemente, focou-se a área social, com importantes conquistas. Agora, precisamos do esforço para criar um Brasil sustentável. Temos o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, com a meta ambiciosa de reduzir em 80% o desmatamento até 2020. Mas devemos avançar, com uma política das mudanças climáticas.
Valor: Na prática, como se daria esse avanço?
Azevedo: A defasagem nas estimativas das emissões nacionais dificulta o planejamento. Elas deveriam ser anuais, mesmo que de baixa precisão, com um inventário completo a cada três anos. Além disso, um órgão setorial deveria ser criado para negociar metas e incentivos com cada setor da economia e mecanismos de controle para a redução das emissões. Também falta uma política de desenvolvimento, em que a economia de baixo carbono seja tema central.
Valor: O financiamento da Redução das Emissões do Desmatamento e da Degradação florestal (Redd), que é polêmico, deve ser aprovado na COP-15?
Azevedo: Não há mais dúvidas que sim. A conservação das florestas é crucial para evitar as principais formas com que a humanidade contribui para o aquecimento global. A mais conhecida é o aumento das emissões dos gases estufa. Mas há a mudança do regime hidrológico: florestas são como uma bomba de água no ciclo hidrológico, levando vapor para a atmosfera. (S.C.)
Fonte: Valor Econômico - SP; 26/08/2009

ÁGUA GANHA MAIS ATENÇÃO DAS EMPRESAS

Provável escassez do produto nas próximas décadas leva companhias a mapear seu consumo
Andrea Vialli

A utilização de selos em produtos informando quanto foi emitido de carbono (CO2) na sua produção, conhecida como pegada de carbono, já vem sendo adotada por empresas de diferentes setores, como celulose e papel, química e cosméticos. Mas a mais nova tendência entre as empresas é estampar, na embalagem, a informação sobre a quantidade de água necessária para se fabricar um produto, a chamada pegada hídrica.
"O aquecimento global trouxe todas as atenções para os efeitos do carbono no meio ambiente e para os negócios das companhias. Mas, ao lado da questão climática, há uma crise hídrica que começa a preocupar as empresas", afirmou Andrew Savitz, presidente da Sustainable Business Strategies, consultoria americana especializada em estratégia empresarial e autor do livro A Empresa Sustentável. "A água é a ?mudança climática? da próxima década", diz o consultor.
Segundo Savitz, o conceito de pegada hídrica está se fortalecendo nas empresas, especialmente dos setores de agronegócio, bebidas, alimentos e farmacêutica, que são mais dependentes do insumo.
Para criar uma ferramenta de medida da pegada hídrica em âmbito internacional, foi criada uma rede de pesquisas, a Water Footprint Network, formada pelas Nações Unidas, empresas, institutos de pesquisa e ONGs. A primeira empresa a imprimir sua pegada hídrica nas embalagens foi a Raisio, fabricante finlandesa de alimentos. Mas gigantes do consumo, como Unilever e Pepsico, já começam a se interessar pela tendência, que deve chegar às prateleiras dos supermercados nos próximos cinco anos, aponta Savitz. "Grandes empresas alimentícias já começam a perceber que não basta gerenciar a água nas fábricas, criando programas de reúso e reduzindo o desperdício. Para evitar uma crise hídrica no futuro, será preciso trabalhar a cadeia de fornecedores, ou seja, o quanto se gasta de água no campo."
No Brasil, empresas ligadas ao agronegócio já começam a se preparar para a tendência. A Daterra Coffees, empresa de café premium do grupo DPaschoal, teve a primeira fazenda no mundo a obter a certificação ambiental ISO 14.001 e realiza estudos hidrológicos frequentes para monitorar o consumo de águas nas plantações. "Em dez anos, o mercado para cafés finos exigirá padrões mais apurados de sustentabilidade, e a água é um dos pontos cruciais", diz Luis Norberto Paschoal, presidente da DPaschoal. Para se fazer uma xícara de café, são necessários 140 litros de água.
Fonte: O Estado de S.Paulo-SP, 26/08/2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

SUCESSO

18/08/2009 17:08:26
Sustentabilidade é hoje palavra indispensável quando se formulam programas ou ações através dos quais se pretende acessar novos mercados, principalmente de países desenvolvidos e para os quais se exige competitividade inquestionável.
O etanol do Brasil, produto de grande sucesso, hoje, é parte de um programa de governo, que envolve vários ministérios e organizações públicas, e que, por sua enorme importância estratégica, conta com a coordenação da Presidência da República e, muitas vezes, com a participação direta do próprio Presidente Lula.
Evidentemente, a medida desse sucesso pode ser obtida mediante a utilização de inúmeros parâmetros, de forma que, neste momento, em que a lucratividade das empresas e dos produtores de cana apresenta-se bastante baixa ou até inexistente, esse sucesso pode até ser questionado. Mas, quando se pensa em construir o futuro em bases sólidas, buscando a susten tabilidade em termos sociais, ambientais e econômicos, procurando o acesso a mercados, aproveitando-se das chamadas "externalidades" do produto, a lucratividade atual passa a ser um "detalhe".
Detalhe importante, é verdade, mas que deve ser contraposto às perspectivas futuras da atividade, na certeza de que as dificuldades hoje existentes serão vencidas pelo trabalho incansável de todos que se dedicam a esse programa. O Ethanol Summit retratou bem esse ambiente de otimismo, mesmo diante das dificuldades, que todos consideramos temporárias.
E até mesmo em razão dessas dificuldades, fizemos questão de enfocar a importância de se obter as indispensáveis sustentabilidades sociais e ambientais, de modo a continuarmos a merecer também a, muito necessária e pouco mencionada, sustentabilidade política. Talvez, hoje, pouco mencionada por a termos de modo claro e explícito.
Apoio governamental só se requer quando nos falta, e o Governo do Presidente Lula não tem se omitido no desenvolvimento do Programa de Agroenergia, que se tornou, inclusive, parâmetro para ações junto a países em desenvolvimento em regiões propícias à produção de cana-de-açúcar.
O ETANOL, assim escrito com letras maiúsculas, não por acaso, tornou-se instrumento de relações internacionais, na certeza de que, para alcançarmos novos mercados, exigem-se mais parceiros na produção e a demonstração de que esse produto pode ser fator de desenvolvimento, geração de renda e emprego em regiões hoje carentes nesses aspectos.
O investidor, os empresários e os agricultores acreditaram e continuam acreditando no futuro da energia gerada a partir da cana-de-açúcar. Mais ainda, acreditam nos negócios a partir da cana, fonte de biomassa que se mostra com um enorme potencial econômico, seja através do etanol combustível de primeira geração, seja através do açúcar, do etanol para a indústria química, dos biopolímeros, do uso de etanol nos motores de ciclo Diesel, da cogeração de energia pela utilização do bagaço da cana, do etanol de segunda geração ou ainda do diesel obtido do caldo da cana.
Esse fantástico potencial da cana, já tão bem explorado com tão pequena utilização das produtivas terras brasileiras, gerará cada dia mais riqueza e proporcionará enormes ganhos ambientais ao país, principal mente caso consigamos melhorar nossas condições de competitividade e demonstrar adequadamente nossa sustentabilidade. E as ações governamentais para esse fim, praticamente todas em curso, são fundamentais.
A questão do trabalho rural, que tem de se realizar de forma digna, cumprindo a já adequada legislação brasileira e permitindo que cada dia mais o trabalho direto seja direcionado a atividades menos extenuantes; a gradativa eliminação da queima da cana, que atende objetivos ambientais e sociais; a governança sobre a utilização do solo, através do zoneamento da expansão da cana-de-açúcar cujo trabalho técnico se encontra concluído e em fase de decisão política; a elaboração de padrões de referência e da iniciativa de um programa de certificação que atenda concomitantemente os interesses brasileiros e de nossos clientes; a promoção comercial e a atração de investimentos; o esforço de ampliação do mercado e da oferta de biocombustíveis, tema que nos tem mobilizado intensamente junto a países africanos e latino-americanos; o estabelecimento de um marco legal que traga maior segurança jurídica e permita o maior afluxo de investimentos, inclusive em atividades hoje ainda apenas projetadas, tais como os dutos para transporte da produção e redes de distribuição de energia compatíveis com os planos de expansão do setor para áreas previamente consideradas adequadas para a atividade segundo o zoneamento da expansão do setor.
Evidentemente essa rápida relação de pontos importantes não esgota os desafios que temos a enfrentar. Tanto eu, na qualidade de representante do Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, quanto Carlos Cristo, que, no painel de encerramento do Ethanol Summit, representou o Ministro do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio Exterior, Miguel Jorge, demonstramos reconhecer essas necessidades e nosso entusiasmo com esses desafios.
Demonstramos nossa satisfação com a possibilidade de atendermos objetivos econômicos, sociais e ambientais com um mesmo programa.
Mas, além de nós, assim também se pronunciaram, no Ethanol Summit, outros importantes membros do Governo Federal, como a própria Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, confirmando as ações diárias dos ministérios de Relações Exteriores, de Minas e Energia, do Trabalho, do Meio Ambiente, de Ciência e Tecnologia, de nossas empresas, institutos, agências e instituições financeiras, como a Embrapa, CONAB, Apex, ABDI, Inmetro, BNDES, Banco do Brasil.
Temos procurado contribuir de forma ativa e prática para o efetivo sucesso da atividade, mediante ações coordenadas com a iniciativa privada, seguindo a clara direção do Presidente da República e de todos os ministérios envolvidos.
E, com tudo isso, falta-nos coroar o esforço com o indispensável lucro, com a viabilidade econômica, cuja falta pode colocar em risco a adequada evolução de um projeto vencedor.
Abrir mercados, estreitar nossa relação com o benéfico concorrente etanol de milho norte-americano, esperar que se conclua a contento um doloroso processo de consolidação do setor, que se coordene melhor o crescimento da oferta com o crescimento da demanda, que se instituam relações ou contratos de longo prazo entre produtores e distribuidores, que possam garantir menor risco à atividade e maior possibilidade de retorno aos investidores, são desafios presentes.
De produtores agrícolas passamos a produtores de energias. Etanol e energia elétrica gerada pelo bagaço da cana apresentam condição diversa de comercialização.
Enquanto o primeiro é mercadoria agrícola, o segundo é energia. Enquanto o primeiro se vende por preço "do minuto", o segundo se contrata através dos leilões de energia, como se contrata energia de hidrelétricas ou de usinas nucleares.
Mas ambos exigem investimentos de longo prazo, cuja rentabilidade futura depende de fatores difíceis de se prever. E ambos se revestem de importância estratégica que requer certa garantia de fornecimento futuro, de abastecimento seguro, sem a qual o Estado também pode não se sentir seguro.
E, considerando nosso esforço para a abertura de mercados externos, o que exigirá logística diferenciada e também contratos de longo prazo com empresas de terceiros países, cabe-nos perguntar se o necessário marco regulatório deve nos assegurar melhores condições a respeito.
Como se tratará a estabilidade do percentual de mistura de álcool anidro na gasolina ao longo do tempo, como se disciplinará a cobrança pelo uso de dutos a serem construídos garantindo investidores e usuários, como se evitarão eventuais constrangimentos e negócios na exportação, caso a oferta seja insuficiente por algum motivo independente da vontade dos produtores?
Muitas questões ainda devem ser melhor analisadas nesse programa de indiscutível sucesso. Questões que exigirão que a ação do Estado se coordene e se compatibilize com os interesses dos produtores e investidores.
Participei do painel de encerramento do Ethanol Summit, que congregou representantes de diversos segmentos empresariais, governamentais e científicos, que, embora defendendo diferentes posições e pensamentos, tinham em comum o absoluto envolvimento e comprometimento com o setor.
De maneira geral todos demonstraram otimismo e ciência das responsabilidades que cabem a cada um para levar avante este megaprojeto, que tem impressionado o mundo da energia.
O sucesso não é apenas uma constatação, um desejo continuado. Deve ser também um compromisso de todos, a justificar esse notável esforço da sociedade brasileira, que certamente a distinguirá no futuro ainda mais que já o faz hoje.
O Brasil pode se orgulhar de produzir um combustível limpo, em condições de sustentabilidade que evolui e evoluirá ainda mais, que, por ser renovável, garantirá a nós maior soberania nacional e, por ser socialmente adequado e regionalmente disperso, irradiará desenvolvimento e contribuirá para a paz social, no Brasil e no mundo.
Sucesso é o que verificamos hoje e o que desejamos para o futuro do etanol.

Manoel Vicente Fernandes Bertone Secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 021-05
Fonte: Revista Opiniões

sábado, 15 de agosto de 2009

HOMEM FAZ "TRABALHO" DA MAMANGAVA NO BRASIL


De São Paulo
O aluguel de abelhas para polinização no Brasil tem forte potencial, mas ainda é um negócio incipiente. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), há casos pontuais desse tipo de serviço nas plantações de melão no Rio Grande do Norte e Ceará, e também nas lavouras de maçã de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
"É um assunto que se discute há algum tempo, mas ainda são casos restritos", diz Bráulio Dias, diretor de Conservação de Biodiversidade do MMA. As colmeias, em geral, são do mesmo município ou de localidades vizinhas.
Segundo ele, falta ainda ao produtor agrícola brasileiro o conhecimento sobre a importância da polinização. "Quando a safra não é boa, o produtor tende a achar que é culpa da falta de nutrientes no solo ou de água. Raramente ele pensa que pode ter sido um déficit de polinização".
O maracujá é um caso clássico, explica Dias. A falta de criadores da mamangava - uma abelha graúda e preta, popularmente conhecida como vespa-de-rodeio - levou os produtores paulistas da fruta a lançar mão da polinização manual. "Não é a resposta mais sustentável nem barata", afirma o representante do governo. "E ainda equivale a cerca de 20% do custo de produção do maracujá".
É um trabalho delicado, preferencialmente realizado por mulheres. Com dedais de flanela, os trabalhadores dessas lavouras passam de planta por planta, entre às onze da manhã e às cinco da tarde (período em que as flores se abrem), para retirar o pólen de uma flor e depositá-lo em outra.
"A polinização do maracujá é praticamente 100% manual, mas tradicionalmente foi assim", diz Angelo Rossi, presidente da Associação de Fruticultura da Região de Vera Cruz. "São três pessoas por hectares, que além da polinização fazem o manejo. A polinização manual, portanto, está incorporada no custo".
Breno Magalhãoes Freitas, agrônomo e professor da Universidade Federal do Ceará, acredita que se houvesse mais criadores da mamangava no país, isso não seria mais preciso. "A abelha faz isso de graça", diz, lembrando que nas plantações de graviola, no Nordeste brasileiro, o custo de produção também é alto devido à falta de polinizadores naturais.
O pesquisador vai além: afirma que se o Brasil não investir em criação de espécies diferentes de abelhas, corre o risco de passar pela mesma experiência dos Estados Unidos. Aqui, assim como no país da América do Norte, a maioria esmagadora desses insetos pertence à espécie Apis melliferas, a abelha europeia ou africanizada.
"Nos EUA, uma suposta doença [a desordem de colapso de colônias, cuja sigla em inglês é CCD] pode ser responsável pelo declínio na população. Se acontece isso aqui, teremos problemas".
A vantagem dessa espécie é que ela é uma abelha "generalista" - poliniza praticamente todas as plantas. Outro ponto a seu favor é a caractarística altamente social desse grupo, que vive em grandes números. "São populações de 60 mil, 80 mil abelhas por colmeia", acrescenta Freitas. "Daí a sua preferência pelos criadores".
Na tentativa de mapear melhor esse mercado, o Ministério do Meio Ambiente lançou, em 2004, um edital para pesquisa com 20 culturas do país - maracujá entre elas. Os 13 projetos escolhidos receberam em média R$ 100 mil, cada, para apresentar um relatório técnico que contemplasse detalhes sobre os polinizadores, suas demandas e a biologia das plantas. A ideia é produzir literatura de alto nível nacional e manuais para os produtores. (BB).
Fonte:Valor Econômico - SP 13/08/2009.

ALUGUEL DE ABELHAS, OPÇÃO DE NEGÓCIO NOS EUA

Bettina Barros, de São Paulo
Centenas de milhares de abelhas estão sendo transportadas de costa a costa dos Estados Unidos para fazer o trabalho de polinização das culturas agrícolas no país. Levadas em caixas por longos caminhões, as colmeias cruzam as estradas federais partindo dos mais distintos pontos - da Flórida e Dakota do Norte a Montana - para a Califórnia, onde são aguardadas todo início de fevereiro nos campos de amêndoas em floração. Um mês depois, seguem para os pomares de maçã, cereja e pera de Washington e Oregon, no norte do país. E só então, já por volta do meio do ano, retornam a seus Estados originais para, finalmente, produzir mel.
É, sem dúvida, um dos maiores movimentos de migração de trabalhadores dentro de um único país na era moderna. A polinização remodelou a indústria de abelhas nos EUA, envolvendo até 10 bilhões de insetos por ano e garantindo a sobrevivência de setores da agricultura que, caso contrário, minguariam com safras de alcance limitado. Ao mesmo tempo, deu novo fôlego aos apicultores americanos. Há pelo menos duas décadas eles sofrem contração no mercado de mel.
"Buscávamos uma forma de diversificar os negócios e ir contra o ditado "if there"s no honey, there"s no money" [se não há mel, não há dinheiro]", explicou o apicultor Brent Woodworth, da Dakota do Norte, em entrevista ao Valor.
Woodworth é um entre as centenas de produtores de mel que passaram a alugar suas colmeias para "serviços ambientais" até então prestados gratuitamente pela natureza. Da Dakota do Norte, onde tem sua fazenda, ele percorre 2,5 mil quilômetros (praticamente dois dias de viagem) até a Califórnia com cerca de 4 mil colmeias que, no período de 30 dias, polinizam 25 pomares no Estado.
É um longo caminho, diz ele, mas no fim do dia, deduzidos os gastos, o aluguel de colmeias para polinização vale cada quilômetro. "Representa hoje 50% da minha receita". Em 2008, Woodworth recebeu US$ 580 mil ( R$ 1 milhão) para soltar as abelhas entre amendoeiras e deixá-las carregar o pólen de uma árvore a outra.
A Califórnia é o Estado americano que mais tem requerido esse tipo de serviço. Responsável por 85% da oferta mundial de amêndoas, a região viu expandir a área com o fruto a taxas médias de 20% em uma década, atingindo 271 mil hectares no ano passado, diz Orion Johnson, da Associação de Apicultores da Califórnia.
"Simplesmente não há abelhas suficientes para tanta área plantada assim. E sem polinização, não há amêndoas", diz o especialista. Sem a produção de amêndoas, a Califórnia deixaria de movimentar estimados US$ 2 bilhões por ano.
Johnson nem espera a pergunta para dar a resposta: é preciso quase 1,5 milhão de abelhas para fazer o trabalho, uma média de duas colmeias por acre, o que equivale a 20% dos custos operacionais da produção. A criação na Califórnia, porém, é de apenas 475 mil colmeias. "Precisamos importar anualmente 1 milhão de colmeias", explica Johnson.
E elas vêm de todos os lados. Dois terços da população total de abelhas nos Estados Unidos, majoritariamente formada pela espécie europeia Apis melliferas, começam a ser transportadas todos os anos entre dezembro e janeiro para chegar no início de fevereiro nos campos do Vale Central californiano, quando a floração das amendoeiras se inicia. Flórida, Minnesota, Dakota da Norte e Montana são fornecedores importantes.
O setor de amêndoas é o mais dependente das abelhas por ter um tamanho representativo, mas o papel desses insetos na natureza é muito mais amplo: até onde se sabe, 90 espécies de plantas necessitam das abelhas para fecundação, em colheitas avaliadas em US$ 15 bilhões por ano, US$ 6 bilhões apenas na Califórnia.
Após o período de floração nas amendoeiras, os caminhões seguem para os pomares de maçãs, pêras e cerejas no norte do país, antes de voltar para seus Estados de origem para dedicar-se exclusivamentre à produção de mel.
É uma via-crúcis continental que gera renda mas, como toda atividade, está sujeita a intempéries. O inverno rigoroso e as longas distâncias de estrada estressam as colmeias, explica Woodworth, o apicultor da Dakota do Norte. "Entre 10% e 20% das abelhas morrem no caminho ou chegam fracas e vulneráveis a doenças nos pomares", diz ele.
A lei de oferta e demanda também rege esse mercado. Os apicultores cobram de US$ 140 a US$ 170 por colmeia alugada. Trinta anos atrás, quando ainda era um negócio mais tímido, saía por US$ 20.
A guinada nos preços tem algumas explicações. Uma delas é o próprio declínio na população das colmeias nos EUA. Segundo o USDA, o Departamento de Agricultura americano, há hoje 2,4 milhões de colméias no país, 25% a menos que nos anos 1980. Não à toa, de lá para cá, o número de apicultores do país também caiu pela metade. Uma queda generalizada, que trespassa todos os Estados.
Uma das suspeitas mais fortes - ou menos contestada - é o modo de produção agrícola. O uso extensivo de agrotóxicos no campo, desde os anos 70, pode ter afetado o sistema imunológico das abelhas, provocando o seu desaparecimento em massa. Mais recentemente, um novo fator veio à baila: atende pela sigla CCD em inglês, de "desordem de colapso de colônias", um fenômeno misterioso que nenhum entendido do mundo ainda arriscou a explicar com precisão científica.
Outra suspeita é o próprio aluguel de abelhas para polinização, que, ao juntar insetos de diferentes localidades, acaba ajudando a espalhar doenças. Uma colônia infectada da Flórida, por exemplo, pode contaminar um grupo de Montana que estiver "trabalhando" em pomares adjacentes.
"Por ora, nada é certo. O CCD pode ser a combinação de tudo o que é ruim à indústria das abelhas", diz Johnson, da Associação de Apicultores da Califórnia.
Fonte: Valor Econômico - SP

terça-feira, 11 de agosto de 2009

SETOR QUER CRÉDITO CARBONO PARA INICIATIVAS AMBIENTAIS

Priscila Machado
SÃO PAULO - A iniciativa privada do agronegócio brasileiro quer transformar desmatamento, redução de queimadas e manutenção de matas ciliares em crédito de carbono. Estima-se que o País teria o equivalente a até US$ 2 bilhões em papéis com potencial de serem negociados no comércio internacional nesse segmento.
O setor já está se organizando para que o pleito seja levado pelo Itamaraty para a mesa de negociação da Conferência das Partes (COP-15) da Convenção do Clima, que se realizará em Copenhagen, em dezembro deste ano. No entanto, a iniciativa de transformar o País no que chamam de prestador de serviços ambientais pode esbarrar justamente no âmbito governamental, já que outras agendas, de caráter político, estarão em pauta.
Para as entidades que compõem a Associação Brasileira de Agrobusiness (Abag) iniciativas como a redução do desmatamento e outros serviços ambientais devem ser remuneradas com financiamento direto. Segundo Carlo Lovatelli, presidente da Abag e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), isso geraria um mercado que atrairia fundos nacionais e internacionais. "Pode ser feita uma bela produção disso para ser colocada no mercado e o governo substituiria ações de controle no agronegócio brasileiro", disse Lovatelli na abertura da 8ª edição do Congresso Brasileiro de Agribusiness, que começou ontem e acaba hoje, em São Paulo. Segundo ele, o País está fazendo sua parte na preservação ambiental, mas não está conseguindo a contrapartida de forma adequada.
Ingo Plöger, presidente da IP Desenvolvimento, consultoria especializada em sustentabilidade e internacionalização, explica que há dois mercados de crédito de carbono: um atrelado ao Protocolo de Kyoto e outro liderado pelos Estados Unidos, que negociam seus papéis na Bolsa de Chicago. "Será difícil o Brasil recolocar esses itens na pauta das Nações Unidas (ONU) porque o governo brasileiro está comprometido com Kyoto e poderia ficar numa situação política delicada", afirmou. "O setor privado agrícola tem interesse, mas o governo está em uma saia-justa", destacou Plöger, também diretor da Abag.
Presente no evento da Abag, Geraldo Fontelles, ministro interino da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), disse que o assunto já está tramitando no Congresso Nacional. "É interesse do governo beneficiar produtores que aderem a critérios de sustentabilidade", afirmou. Ainda segundo o ministro, o governo federal já vem agindo nesse sentido, concedendo limites maiores de empréstimo a quem preserva o meio ambiente.
Para Roberto Rodrigues, ex-ministro do Mapa e coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a quatro meses do evento sobre mundanças climáticas da ONU, as entidades do setor têm projetos avançados na área de sustentabilidade, mas ainda falta unidade ao discurso. "O tempo é curto para que o governo se organize e articule melhor. Há muitas visões divergentes", avalia. "É preciso harmonizar essa questão dentro do governo", completou Rodrigues.
Em São Paulo, o governo do Estado deve divulgar em setembro a lei de pagamento por serviços ambientais que destina recursos a quem preservar a água.
Parte do aporte poderá ser gerado pela cobrança pelo uso da própria água. A informação foi dada por João Sampaio, secretário de Agricultura de São Paulo, que destacou que a questão da sustentabilidade esbarra na renda.
Em 2008, o desmatamento da Amazônia no território brasileiro contribuiu com aproximadamente 2,5% das emissões globais de gases do efeito estufa (GEEs), responsáveis pelo aquecimento global, de acordo com cálculos preliminares feito por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Estados Unidos
O Senado norte-americano já está examinando um projeto de lei que prevê a implantação de um sistema de redução nas emissões do país que, se aprovada, aumentará o poder de negociação dos produtores rurais dos Estados Unidos no mercado de créditos de carbono. De acordo com levantamento da Agência de Proteção Ambiental (EPA), a receita bruta anual com a venda de créditos de carbono pelos produtores poderia chegar a US$ 2,1 bilhões no cenário de curto prazo (2012-2018), US$ 7,6 bilhões no de médio prazo (2027-2033) e US$ 28,4 bilhões na projeção de longo prazo (2042-2048). As novas metas também deverão ter efeito direto nos preços, que subiriam de US$ 13 a tonelada (2012) para US$ 16 (2020), US$ 27 (2030) e US$ 70 (2050), de acordo com as projeções da EPA.
A iniciativa privada do agronegócio brasileiro quer transformar desmatamento, redução de queimadas e manutenção de matas ciliares em créditos de carbono. Estima-se que o País tenha o equivalente a até US$ 2 bilhões em papéis com potencial de serem negociados no comércio internacional nesse segmento. O setor já está se organizando para que o pleito seja levado pelo Itamaraty à mesa de negociações da Conferência das Partes (COP-15) da Convenção do Clima, que se realizará em Copenhagen, em dezembro.
Fonte: DCI - SP, 11/08/2009.

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