segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pesquisa ajudou fazenda baiana a derrotar fungo de cacau

EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo

Se depender do sul da Bahia - mais precisamente da Ilhéus de "Gabriela, Cravo e Canela", de Jorge Amado -, os "chocólotras" podem ter mais esperanças. Vítima do fungo vassoura-de-bruxa, o cacau da região está ressurgindo, com promessa de gerar exportação, incentivar o ecoturismo e ajudar a preservar a mata atlântica.
Ramos de cacaueiro contaminado pelo fungo vassoura-de-bruxa
Um dos exemplos onde esse tripé já existe é a fazenda Porto Novo, que tem entre os sócios o geneticista Gonçalo Pereira, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
"Fechamos negócio com dez navios neste verão para que turistas visitem a fazenda e compreendam desde a cabruca até como se faz chocolate", disse à Folha.
Cabrucas são plantações de cacau misturadas com árvores de mata atlântica, que refrescam o cacaueiro fazendo sombra.
A ligação de Pereira com a região surgiu quando ele resolveu estudar a genética da vassoura-de-bruxa, praga que acabou com a produção cacaueira na Bahia durante os anos 1990. A produção de cacau em Ilhéus despencou das 390 mil toneladas anuais em 1988 para 100 mil toneladas em 2000.
O tempo de prejuízos, porém, começa a virar apenas uma lembrança. Em 2005, a Porto Novo voltou a exportar. "Foram 13 toneladas de cacau. Somos o maior exportador do país", diz Raphael Hercelin, parisiense radicado em Ilhéus que agora administra os 870 hectares da fazenda.

Tentativa e erro
O mérito pelo ressurgimento do cacau em Ilhéus é repartido pela ciência, pela cultura e pelo trabalho empírico --neste caso, o crédito é de Edvaldo Sampaio, de outra fazenda.
O agrônomo, que nunca aceitou a derrota imposta pelo fungo, conseguiu fazer seus pés de cacau reagirem no campo. Primeiro com enxertos de plantas mais resistentes. Depois, com uma adubação especial. E, terceiro, induzindo o florescimento do cacau no primeiro semestre - o fungo, devido ao ciclo, ataca mais no segundo.
Quando o trabalho de Pereira deu os seus primeiros resultados, produtor e cientista uniram seus conhecimentos, e tudo foi para o campo. Sampaio, até então, trabalhava sozinho.
Hoje, explica Hercelin, a receita tem como base os dados empíricos, mas, em alguns casos, a ciência também está presente. Primeiro vem a poda para deixar o cacau forte. Depois a adubação química especial e, em terceiro lugar, o corte dos anéis da planta, necessário para alterar a data de floração.
Mas o trunfo atual da centenária cultura cacaueira baiana é a cabruca, que não existe na África. Além de o cacaueiro ficar à sombra no meio da mata, a diversidade botânica se torna maior. Assim, a área fica mais refratária a eventuais pragas.
Os produtores, dentro desse ressurgimento, reivindicam que esse tipo de plantação seja considerado área de reserva para poderem ampliá-la. Segundo Durval Mello, da ONG Instituto Cabruca, a região tem hoje 400 mil hectares de cabruca.
"Caso a cabruca não seja aceita como reserva", diz o ambientalista, "70% dela deixará de existir". O manejo, que hoje defende Ilhéus do fungo, é apenas o passo inicial. A região, mesmo investindo em cacau fino, não pode ainda produzir como a África.

sábado, 18 de abril de 2009

30° Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Jequié e a 7° Expo Nacional.

Local: Parque de Exposições Luiz Braga

Início Quarta, 13/05/2009 às 11:00
Fim : Domingo, 17/05/2009 às 20:50

PECUÁRIA ORGÂNICA: PROCEDIMENTOS BÁSICOS PARA UM BOM MANEJO DA CRIAÇÃO

Quando falamos de animais, normalmente esquecemos do solo. Todavia, na produção orgânica - que privilegia a criação extensiva – um dos princípios básicos é reconhecer o solo como fonte de vida. A qualidade e o equilíbrio da fertilidade do solo (manutenção de níveis de matéria orgânica, promoção da atividade biológica, reciclagem de nutrientes e intervenção controlada sem destruição do recurso natural) são essenciais para a sustentabilidade da propriedade. Assim, na produção orgânica, a saúde animal também está ligada à saúde do solo.
Outro ponto básico é a diversificação da propriedade, que pode ser alcançada com um manejo que utilize o policultivo, pastagens, sistemas agroflorestais, rotações de culturas, cultivos de cobertura, cultivo mínimo, uso de composto e esterco, adubação verde, quebra-ventos e áreas de reserva de mato. Este tipo de manejo potencializa a reciclagem de nutrientes, melhora o microclima local, diminui patógenos e insetos-praga, elimina determinados contaminantes e conserva e melhora a fertilidade do solo e a qualidade da água. É evidente, que as particularidades de cada sistema vão influenciar nestes resultados. No entanto, a diversificação por si só não é suficiente para a otimização do sistema. Faz-se necessário analisar a compatibilidade e complementaridade das explorações, visando a uma maior integração. Ou seja, a diversificação deve ser planejada de forma a integrar um conjunto produtivo (agricultura, floresta e animais), no qual cada atividade esteja relacionada na troca de materiais e benefícios com as outras. Esse procedimento visa impedir que a diversificação gere um sistema de produção descoordenado. Por isso, o planejamento é um requisito fundamental para um bom aproveitamento do potencial da propriedade, fator que permitirá uma maior independência do produtor. O objetivo de apresentar alguns procedimentos básicos para o manejo animal é a obtenção de uma produção orgânica satisfatória mantendo os animais em bom estado de saúde, sobretudo por meio de ações preventivas. Os principais procedimentos para manejo das pastagens, manejo do rebanho e instalações, nutrição e tratamento veterinário são apresentados resumidamente abaixo.

PROCEDIMENTOS TÉCNICOS PARA PRODUÇÃO ANIMAL EM AGRICULTURA ORGÂNICA

ATIVIDADES:

MANEJO DE PASTAGENS

PROCEDIMENTOSRECOMENDADOS
Uso de técnicas de manejo e conservação de solo e água; nutrição das pastagens de acordo com as recomendações; controle de pragas, doenças e invasoras das pastagens de acordo com as normas;
Pastagens mistas de gramíneas, leguminosas e outras plantas (diversificação);
Pastoreio rotativo racional, com divisão de piquetes; manter solo coberto, evitando pisoteio excessivo;
Rodízio de animais de exigências e hábitos alimentares diferenciados (bovinos, eqüinos, ovinos, caprinos e aves);

RESTRITOS
Fogo controlado para limpeza de pastagem;
Pastoreio permanente sob condições satisfatórias;
Estabelecimento de pastagem em solos encharcados, rasos ou pedregosos;

PROIBIDOS
Monocultura de forrageiras;
Queimadas regulares;
Superlotação de pastos;
Uso de agrotóxicos e adubação mineral de alta solubilidade nas pastagens;


MANEJO DO REBANHO E INSTALAÇÕES

PROCEDIMENTOSRECOMENDADOS
Raças animais adaptadas à região; raças rústicas; aquisição de matrizes de criadores orgânicos; animais de fora devem ficar em quarentena;
Instalações adequadas p/ o conforto e saúde dos animais, fácil acesso à água, alimentos e pastagens; espaço adequado à movimentação;
Número de animais p/ área não deve afetar os padrões de comportamento;
Criações de preferência em regime extensivo ou semi-extensivos, com abrigos; No caso das aves, deve haver espaço para acesso à pastagem;
Monta natural para reprodução; e desmame natural;

RESTRITOS
Raças exóticas não adaptadas; Bezerros podem ser adquiridos de convencionais até 30 dias; Aves de até 3 dias podem ser adquiridas de qualquer procedência;
Inseminação artificial sob controle;
Separação dos bezerros por barreiras;

PROIBIDOS
Raças exóticas não adaptadas;
Estabulação permanente de animais;
Confinamento e imobilização prolongados;
Instalações fora dos padrões;
Manejo inadequado que leve animais ao sofrimento, estresse e alterações de comportamento;


NUTRIÇÃO E TRATAMENTO VETERINÁRIO

PROCEDIMENTOSRECOMENDADOS
Auto-suficiência alimentar orgânica; forragens frescas, silagem ou fenação produzidas na propriedade ou de fazendas orgânicas;
Aditivos naturais para ração e silagem (algas, plantas medicinais, aromáticas, soro de leite, leveduras, cereais, outros farelos);
Mineralização com sal marinho;
Suplementos vitamínicos (óleo de fígado peixe e levedura);
Homeopatia, fitoterapia e acupuntura;
São obrigatórias as vacinas estabelecidas por lei, e recomendadas as vacinações para as doenças mais comuns a cada região.

RESTRITOS
Aquisição de alimentos não orgânicos, equivalente a até 20% do total da matéria seca para animais monogástricos e 15% p/ ruminantes
Aditivos,óleos essênciais, suplementos vitamínicos, de aminoácidos e sais minerais (de forma controlada);
Agentes etiológicos dinamizados (nosódios ou bioterápicos).
Amochamento e castração;

PROIBIDOS
Uso de aditivos estimulantes sintéticos; Promotores de crescimento; Uréia; Restos de abatedouros; aminoácidos sintéticos; Transferência embriões;
Descorna e outras mutilações;
Presença de animais geneticamente modificados;

NOTA: A título de esclarecimento, os procedimentos “recomendados” referem-se a práticas e produtos plenamente aceitos em agricultura orgânica, podendo ser utilizados sem restrições. O uso “restrito” relaciona-se a práticas e produtos que não são plenamente compatíveis com os princípios da agricultura orgânica, devendo ser limitados a usos específicos, como no caso do período de conversão. Os procedimentos “proibidos” referem-se a práticas e produtos não permitidos nos programas de certificação. O uso dessas práticas ou substâncias constitui transgressão grave, que pode resultar em cancelamento do contrato e do uso do selo oficial de garantia.
De acordo com os princípios da agricultura orgânica a atividade animal deve estar, tanto quanto possível, integrada à produção vegetal, visando à otimização da reciclagem dos nutrientes (dejetos animais, biomassa vegetal), uma menor dependência de insumos externos (rações, volumosos) e a potencialização de todos os benefícios diretos e indiretos advindos dessa integração. Portanto, como comentamos, é importante que a criação seja planejada de forma a se integrar nas demais atividades da propriedade. Na prática, a produção animal ainda está pouco integrada à produção vegetal.
No que diz respeito à alimentação dos animais, as normas recomendam a produção própria dos alimentos orgânicos (volumosos e concentrados) por meio da formação e manejo das pastagens, capineiras, silagem e feno. Neste aspecto, é importante que a maior parte da alimentação seja orgânica e venha de dentro da propriedade. Além dos bovinos, a alimentação de outros animais, deve ser complementada com material verde fresco (hortaliças, rami, guandu, gramíneas e outros). Inicialmente, os animais deverão ser alimentados com no mínimo 50% de produtos orgânicos. Com o passar do tempo serão toleradas percentagens de no máximo 20% de alimentação de origem não orgânica.
Em relação ao tratamento veterinário, o objetivo principal das práticas de criação orgânicas é a prevenção de doenças. Saúde não é apenas ausência de doença, mas habilidade de resistir a infecções, ataques de parasitas e perturbações metabólicas. Desta forma, o tratamento veterinário é considerado um complemento e nunca um substituto às práticas de manejo. O princípio da prevenção sempre vem em primeiro lugar e, quando é preciso intervir, o importante é procurar as causas e não somente combater os efeitos. Por isso, é importante a busca de métodos naturais para tratamento veterinário. O tratamento homeopático já vem sendo utilizado com bons resultados e diminuição de custos.
Em relação ao manejo do rebanho, as instalações (galpões, estábulos, galinheiros e outros) devem ser adequadas ao conforto e saúde dos animais, o acesso a água, alimentos e pastagens também deve ser facilitado. Além disso, as instalações devem possuir um espaço adequado à movimentação e o número de animais por área não deve afetar os padrões de comportamento. De forma geral, sugere-se que o regime de criação seja de preferência extensivo ou semi-extensivo, com abrigos. As mutilações de animais e utilização de substâncias destinadas à estimular o crescimento ou modificar o ciclo reprodutivo dos animais são contrários ao espírito da produção orgânica e, portanto, são proibidos. O transporte dos animais deve ser efetuado de forma a respeitar os animais, evitando qualquer tipo de brutalidade inútil. Além disso, o abatedouro deve ser o mais próximo possível das propriedades.
Em síntese, a qualidade de vida do animal tem profunda relação com a possibilidade do animal adoecer. Assim, um animal que é confinado com grande concentração de indivíduos, espaço limitado para locomoção, sem possibilidade de expressar seus modos naturais de comportamento, fica profundamente perturbado, sujeito a manifestações de estresse e sistema imunológico. Como qualquer indivíduo nessas condições, os animais ficam mais propensos a doenças. Além de ajudar no equilíbrio técnico e ecológico da propriedade, a produção animal contribuí eficazmente na geração de renda. Para se ter uma idéia, de um conjunto de 57 propriedades orgânicas que acompanhamos na região metropolitana de Curitiba, as que obtiveram melhor desempenho econômico foram aquelas que tinham a produção animal como “carro-chefe”, aliado à transformação de produtos vegetais. Todavia, constatamos algumas dificuldades para expansão mais rápida da pecuária orgânica.
Segundo os criadores que mantivemos contato no estudo citado anteriormente, para o produtor que está iniciando na pecuária orgânica o principal entrave está relacionado à dificuldade de cumprir todas as normas exigidas pela certificadora, mostradas resumidamente no quadro 1. Além disso, existe o problema da comercialização de produtos animais orgânicos pela falta de uma legislação adequada aos alimentos orgânicos de origem animal. Para ilustrar a necessidade urgente de uma legislação para o setor, vale lembrar que no Paraná um grupo de agricultores do município de Witmarsun, a cerca de 60 km de Curitiba, já vêm produzindo leite orgânico, sem ter a autorização para constar no rótulo o nome “leite orgânico”. A saída dos produtores foi colocar no rótulo uma chamada dizendo que o leite foi produzido sem a utilização de ingredientes químicos desde a produção até o empacotamento.
Para finalizar, cabe destacar que ainda existe um grande trabalho de pesquisa e desenvolvimento a ser realizado para que os consumidores possam desfrutar de derivados de produtos animais orgânicos em quantidade, qualidade, diversidade e regularidade. De qualquer forma, existem muitas oportunidades e quem sair na frente terá um bom mercado para explorar.

Moacir Roberto Darolt, Engenheiro Agrônomo, Doutor em Meio Ambiente, Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR).

Cultivo do Maracujá

Petrus Luiz de Luna Pequeno1


Introdução

O maracujá é uma trepadeira originária da América Tropical, que pode atingir de 5 a 10 m de comprimento, e exige sistemas de condução, que são suportes que se assemelham a "cercas" ou caramanchões.

É um fruto rico em minerais e vitaminas, principalmente A e C. Possui ainda princípios ativos nas folhas que são usados como sedativo e antiespasmódico. Apresenta frutos com peso entre 43 e 250 g. A produtividade média é de 12 a 15 t/ ha, havendo potencial para produção de 30 a 35 t/ha. Seu cultivo é indicado para regiões tropicais e subtropicais.

Clima e Solo

O maracujazeiro adapta-se nas regiões com altitude variando de 100 a 900 m, temperaturas entre 21 e 32º C e precipitação anual entre 800 e 1.750 mm. Deve se evitar o plantio nos períodos em que a floração possa coincidir com a estação chuvosa, por dificultar a polinização em virtude do grão de pólen "estourar" em contato com a umidade. Áreas com alta incidência de ventos, também são desaconselháveis para a cultura. Os tipos de solos ideais são aqueles profundos com textura média e bem drenados, que não sejam pedregosos, com faixa de pH entre 5,5 6,0.

Preparo do Solo

Normalmente, uma aração e uma gradagem são suficientes, dependendo das condições do terreno. Por ocasião da gradagem, se necessário, pode-se efetuar a adição de calcário para correção da acidez, de acordo com a análise de solo.

Preparo de Sementes e de Mudas

As sementes devem ser coletadas dos frutos de plantas matrizes sadias (de melhor desenvolvimento, produtividade e precocidade), previamente selecionadas. São colhidos os maiores frutos maduros, de boa qualidade e com maior quantidade de suco. Selecionados os frutos, as sementes podem secar em seu interior ou serem colhidas e colocadas em um recipiente de louça ou vidro para a fermentação, sem adição de água, por dois a seis dias. A finalidade deste procedimento é separá-las da mucilagem que as envolve. Em seguida são lavadas e colocadas sobre um papel para secagem à sombra.

As sementes devem ser usadas logo após a secagem, pois ao longo do tempo vão

perdendo sua capacidade de germinação. O fruticultor deve retirar e plantar sementes de vários frutos colhidos em diferentes plantas, e não de muitos frutos colhidos de uma mesma ou de poucas plantas. Isso se deve ao fato do maracujazeiro ser uma planta que apresenta auto-incompatibilidade.

A semeadura normalmente é feita em sacos de polietileno de 10 x 25 cm ou 18 x 30 cm, contendo uma mistura de três partes de terra para uma de esterco, sendo a mistura previamente tratada, a fim de se obter mudas sadias.

Em cada saco plástico colocam-se de 4 a 6 sementes, a 1 cm de profundidade, cobrindo-as com leve camada de terra. Quando as mudas estiverem com 3 a 5 cm de altura, efetua-se o seu desbaste deixando apenas a mais vigorosa. O transplante das mudas para o local definitivo deve acontecer quando as plantas tiverem de 15 a 25 cm de altura (ou até 30 cm). Nesta fase se inicia a emissão das gavinhas, filamentos que se enrolam nos suportes e servem para firmar as ramas do maracujazeiro, o que ocorre entre 45 a 70 dias após a semeadura.

Espaçamento

Para culturas mecanizadas o espaçamento entre linhas deverá ser de 4 m e para cultivo manual deverá ser de 2,5 metros. O espaçamento entre plantas na linha deverá ter no mínimo 5 m, sendo mais adequado o espaçamento de 6 m.

Plantio

O plantio deverá ser realizado no início das chuvas. As covas deverão ter aproximadamente 40 cm de largura, 40 cm de comprimento e 40 cm de profundidade, momento em que se aproveita para realizar a adubação orgânica adicionando-se 500 g de esterco de curral curtido por cova. Irrigam-se as plantas após o plantio, repetindo-se a irrigação sempre que necessário. Logo após o plantio no campo, as plantas devem ser tutoradas com varas ou barbantes para a condução até o arame do sistema de condução.

Calagem e Adubação

A calagem deverá ser feita de acordo com a quantidade de calcário recomendada na análise do solo, podendo ser incorporado no preparo do solo ou na cova junto com o esterco. No plantio pode-se aplicar 150 gramas de superfosfato simples e 90 gramas de cloreto de potássio. Trinta dias após o plantio, aplicar em cobertura 80 gramas de sulfato de amônio, repetindo-se duas ou três vezes espaçadas de 30 a 40 dias. No período de frutificação, aplicar 150 gramas de sulfato de amônio e 120 gramas de cloreto de potássio, por cova, repetindo-se as mesmas dosagens 160 dias após.

Sistemas de Condução

A espaldeira vertical com um único fio é um dos sistema mais utilizados. No entanto, pode ter de um a três fios de arame liso. É uma cerca formada por mourões de madeira, espaçados de 4 a 6 m, normalmente 5 m, colocando-se um fio de arame liso nº 12 no ápice dos postes e os demais, se existirem, dispostos a 40 e 80 cm respectivamente abaixo dele. De um modo geral, o sistema de condução por espaldeiras verticais é muito utilizado nos pomares brasileiros.

Recomenda-se que a cerca tenha altura livre de 2,0 m e no máximo 120 m de comprimento, constituída de postes de 10 cm de diâmetro nas extremidades e a cada 40 m utiliza-se postes com diâmetro superior a 20 cm, chamados de esticadores, os quais devem ser enterrados a pelo menos 1 m de profundidade.

Polinização

A polinização poderá ser feita por insetos ou manualmente. Neste caso o produtor deverá retirar pólen de uma flor e colocar em outra flor e jamais na mesma. Todo o

processo deverá ser feito no mesmo dia em virtude das flores permanecerem abertas por um único dia iniciando 12:30 horas e terminando a partir das 18:00 h.

Renovação e Tratos Culturais

A cada 2 anos deverá ser feita a renovação da cultura.

Tratos culturais

O roço é o método melhor empregado deixando-se o material roçado como cobertura do solo e fonte de nutrientes. Deve-se evitar o uso de grade ou enxada rotativa pelo risco de danos ao sistema radicular da planta.

Pragas e doenças

Superbrotamento

Provoca redução do tamanho da planta e brotamento excessivo dos ramos. As folhas ficam bronzeadas e amarelecidas nas margens. Ocorre queda de flores e frutos. As causas podem ser nutricionais, ataque de insetos ou de doenças. O controle deve ser preventivo, pelo uso de mudas sadias eliminação de plantas infectadas no pomar e uma adubação equilibrada.

Murcha-de-Fusário

Provocada por um fungo, acarreta murcha, amarelecimento e morte da planta em qualquer fase de desenvolvimento. Na parte inferior do caule, observa-se escurecimento interno quando se faz um corte.

Controle: É feito preventivamente através do plantio de mudas sadias, evitando-se áreas mal drenadas e com muita matéria orgânica. Evitar também o plantio de maracujá-roxo junto com a cultura e ferimentos nas raízes quando fizer a limpeza manual.

Verrugose e Antracnose

São causadas por fungos e atacam principalmente os frutos no campo e após a colheita. A verrugose caracteriza-se por lesões verrugosas na superfície do fruto, diminuindo o valor comercial do mesmo, apesar de não afetar a semente nem o suco. A antracnose, caracteriza-se por manchas circulares, deprimidas, de coloração marrom-clara a escura. As lesões afetam a polpa do fruto.

Controle: Eliminação de folhas e frutos atacados e pulverização com fungicidas cúpricos (Agrinose, Cupravit ou Cobre Sandoz) na dosagem de 250 a 350g/100 litros de água, ou fungicidas carbamatos (Manzate D) na dosagem de 150 a 200g/100 litros de água, com intervalos de aplicação de 14 a 30 dias em função das condições favoráveis às doenças.

Lagartas

Provocam destruição de folhas, corte das brotações novas e raspagem dos ramos das plantas.

Controle: inseticida à base de Bacillus thuringiensis (Dipel PM) na dosagem de 100g/100L de água, adicionando espalhante adesivo à calda de inseticida. Repetir duas vezes em intervalos semanais.

Percevejos

Provocam a queda dos botões florais e frutos novos e a murcha dos frutos maiores

que enrugam e crescem deformados.

Controle: Produtos como Carbaryl (Sevin 850 PM), podem ser utilizados na dosagem de 20g/20L de água, repetindo-se duas a três vezes, conforme a infestação, em pulverizações espaçadas de dez dias.

Moscas-das-frutas

As larvas destroem a polpa dos frutos, inutilizando-os para o consumo. Os frutos mais desenvolvidos não amadurecem e murcham.

Controle: Através de iscas envenenadas as quais devem ser aplicadas de 15 em 15 dias, apenas de um lado da planta e de forma descontínua. A isca deve ser preparada com 5 kg de melaço ou açúcar, misturados ao inseticida Fenthion (Lebaycid 500) na dosagem de 50ml/100L de água, normalmente em três aplicações espaçadas de oito a dez dias.

Podas

A poda de formação deve ser efetuada após o transplantio, colocando-se ao lado da muda, um tutor ao qual a planta é fixada periodicamente por meio de um amarrilho, ocasião em que são eliminadas todas as brotações laterais, deixando-se apenas uma haste única e contínua até atingir o primeiro fio de arame. Se o sistema de latada for de dois fios, são deixados dois brotos laterais, que são amarrados, horizontalmente, em sentidos opostos. A haste central continua sendo desbrotada, crescendo, até ultrapassar o fio superior, em cerca de 20cm, quando é feito o seu desponte, de modo a obter dois ramos, que serão presos no arame, um para cada lado. Os ramos laterais e os cordões são periodicamente fixados aos arames, até a estaca, quando é feita a poda da extremidade para favorecer o aparecimento das brotações laterais.

Dos cordões saem as brotações laterais, que crescem verticalmente e formam a cortina produtiva. Outra poda realizada é a de limpeza, onde se faz a eliminação de ramos secos e doentes, e dos ramos que alcançam o solo, deixando-os a 20cm da superfície.

Colheita

É feita quando os frutos apresentam coloração verde-amarelada cortando-se o pedúnculo. Outra maneira é a catação diária de frutos caídos ao chão, prática que deve ser evitada visto que pode levar a uma redução da vida de prateleira da fruta, perda de peso e possíveis contaminações.


1. Eng. Agrôn., M.Sc., bolsista CNPq/Embrapa Rondônia, Caixa Postal 406, CEP 78900-970, Porto Velho, RO.




SAF's:cacaueiros e seringueiras

Possibilidades de estabelecimento de SAFs com cacaueiros e seringueiras

A seringueira é uma espécie arbórea que, em algumas situações pode atingir até 20 metros de altura, normalmente é plantada em espaçamentos maiores e demora de sete a oito anos para entrar em produção. Tudo isso evidencia a necessidade da adoção de estratégias que venham promover um melhor uso da terra. Para tanto, alguns arranjos de plantio estão sendo recomendados pela CEPLAC para o estabelecimento das SAFs, cujos detalhes serão apresentados a seguir:

a) Introdução de cacaueiros híbridos sob seringais adultos - Este sistema pioneiro originou-se por iniciativa dos próprios produtores baianos, que decidiram introduzir cacaueiros sob o dossel de seringais decadentes. O reduzido estande de seringueiras por área favoreceu o desenvolvimento dos cacaueiros, dada a maior penetração de luz. Atualmente, esta prática tem-se tornado bastante comum entre os heveicultores da região sudeste baiana e estima-se que aproximadamente 8.000 hectares estejam em sistema consorciado com o cacaueiro. No entanto, muitos seringais foram originalmente estabelecidos no espaçamento de 7,0 m x 3,0 m o que não se adequam para o consórcio, especialmente se o estande de plantas tiverem próximo ao do original (476 plantas/ha). Além do mais, se foram formados por clones com copa mais densa e com ramificações laterais bastante desenvolvidas, proporcionando um sombreamento excessivo para os cacaueiros.

b) Plantio simultâneo da seringueira e cacaueiro em renques duplos – O plantio dos cacaueiros e das seringueiras deverá ser feito simultaneamente e em faixas alternadas, com variadas opções de espaçamento entre plantas dentro das faixas ocupadas por cacaueiros ou por seringueiras. O arranjo de espaçamento a ser adotado para ambas as culturas depende daquela que se quer privilegiar, conforme indicado na tabela 1.

Tabela 1 - Dispositivo de plantio da seringueira em renques duplos e do cacaueiro em filas quádruplas e quíntuplas.

Espaçamento Seringueira

Densidade (plantas/ha)

Espaçamento Cacaueiro

Densidade (plantas/ha)

a) Previlegiando a seringueira

13,0 m x 3,0 m x 2,5 m

500

3,0 m x 3,0 m

784

14,0 m x 3,0 m x 2,5 m

470

3,0 m x 2,5 m

941

b) Previlegiando o cacaueiro

13,0 m x 3,0 m x 3,0 m

417

2,0 m x 3,0 m

1042

14,0 m x 3,0 m x 3,0 m

392

3,0 m x 2,0 m

1176


O custo inicial de implantação é relativamente alto e, por isso, a intercalação com outras culturas de ciclos curto ou semi-perene é recomendável especialmente para pequenos agricultores. Estas gerarão receitas adicionais que poderão ajudar na amortização dos custos de manutenção das culturas principais, nos primeiros três anos. Espécies, como exemplo, milho, mandioca, mamão, banana da prata e da terra, abacaxi, feijão, andu, entre outras, são perfeitamente adequadas para esse tipo de sistema. A maioria delas também proverá um sombreamento provisório bastante adequado aos cacaueiros, além de manter a área livre de plantas invasoras, eliminando a concorrência. No entanto, é bom salientar que a adoção de culturas secundárias depende da experiência do produtor e do mercado para sua comercialização.

Uma unidade demonstrativa usando este modelo encontra-se estabelecida desde 1999 no Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC/CEPLAC) e tem servido como instrumento de difusão e orientação para extensionistas e produtores que têm interesse em adotar esse sistema de cultivo. Este sistema de plantio, inclusive já vem sendo explorado comercialmente por produtores e empresas privadas da região, a exemplo da Fazenda Porto Seguro do grupo Agrícola Cantagalo e das Fazendas Reunidas São George, apoiada pelo grupo Almirante Cacau. Nessas últimas áreas, inúmeras combinações enxerto x porta-enxerto de cacaueiros serão avaliadas e o plantio está sendo realizado em solos com diferentes topografias, porém bastantes representativos da região cacaueira baiana. Até mesmo os solos hidromórficos com pouca opção de cultivo estão sendo considerados. Uma vez que as seringueiras com maior capacidade de absorção de água, podem funcionar como uma bomba d’agua, melhorando as condições gerais de cultivo para os cacaueiros, podendo se constituir numa solução para o aproveitamento deste tipo de solos.

c) Substituição das eritrinas por seringueiras - Grande parte dos cacauais baianos, em torno de 200 mil hectares (CENEX/CEPLAC), são sombreados com eritrinas. A substituição dessas eritrinas por seringueira, espécie de alto valor econômico, está sendo encorajada diante das perspectivas promissoras do mercado mundial da borracha, além das informações tecnológicas que a CEPLAC dispõe sobre o cultivo. É importante ainda ressaltar que a eliminação das eritrinas não causará qualquer impacto ao meio ambiente, por ser uma espécie exótica ao ecossistema cacaueiro e de baixo valor econômico.

Preferencialmente, a substituição deve ser feita em áreas onde há irregularidades no sombreamento e de maneira a causar os menores danos possíveis aos cacaueiros remanescentes, quer seja em lavouras já renovadas ou em processo de renovação e também em lavouras altamente atacadas por vassoura-de-bruxa.

No primeiro caso, a eliminação das eritrinas ou outras espécies afins deve ser feita gradativamente, fazendo-se primeiramente a retirada dos galhos laterais mais grossos. Deve-se ter sempre o cuidado em manter o equilíbrio da planta para evitar danos maiores pelo seu tombamento, deixando-se ao final, a planta com apenas o fuste principal. Dependendo do fim a que se pretenda dar ao fuste, este poderá ser derrubado manual ou quimicamente.

No segundo caso, as eritrinas poderão ser derrubadas, sem os cuidados mencionados anteriormente, direcionando o tombamento das mesmas para os locais da área com maior falha de cacaueiros. Em ambas as situações a madeira deve ser aproveitada pelo mercado regional na fabricação de caixotes para mamão e hortaliças, caixão de defunto, forro entre outros usos, amortizando com isso os custos da sua substituição.

Tabela 2 – Simulação do custo adicional da renovação de 1,0 ha de cacaueiros com a substituição das eritrinas por seringueiras.

Estande da seringueira

Plantas/ha

Seringueira *

R$

Cacau**

R$

Custo Adicional da Substituição%

222

1.147,50

4.666,18

19,7

267

1.241,90

4.666,18

21,0

333

1.314,50

4.666,18

22,0

444

1.436,60

4.666,18

23,5

* custo da implantação das seringueiras mais a retirada das eritrinas.
** custo da renovação de cacaueiros considerando-se um estande de 600 plantas/ha


É importante ressaltar que na implantação deste sistema misto continuo, apenas os custos advindos do plantio das seringueiras e remoção das eritrinas serão acrescidos. E estes sofrerão variações em decorrência do espaçamento e do tipo de muda a serem utilizadas (Tabela 2).


A densidade populacional da seringueira poderá variar de 222 a 444 plantas por hectare e a mesma será estabelecida nas entrelinhas dos cacaueiros remanescentes (Tabela. 3). A opção por um ou outro espaçamento deve ser feita pelo produtor de acordo com a disponibilidade dos recursos financeiros, topografia da área, idade e densidade do cacaual, etc. Por outro lado, os custos de manutenção não sofrerão muita alteração, uma vez que os tratos culturais comumente dispensados aos cacaueiros atenderão de maneira indireta e satisfatoriamente às exigências das seringueiras.

Tabela 3 - Dispositivo de plantio da seringueira em linhas simples e renques duplos

Espaçamento da seringueira

Plantas/hectare

Espaçamento da seringueira

Plantas/hectare

9,0 m x 2,5 m

444

9,0 m x 3,0 m

370

12,0 m x 2,5 m

333

12,0 m x 3,0 m

277

15,0 m x 2,5 m

267

15,0 m x 3,0 m

222

15 m x 3,0 m x 2,5 m*

444

15 m x 3,0 m x 3,0 m*

370

*Apenas neste espaçamento em linhas duplas há redução do estande de cacaueiros para 780 plantas/ha, nos demais será mantida a mesma densidade de 1111 plantas/ha.

Considerações finais

O Estado da Bahia poderá voltar a ocupar uma posição de destaque mundial na produção de borracha e cacau, com a ampliação da área plantada com seringueiras, em sobreposição às áreas de cacau, que geralmente estão estabelecidas em solos de alta fertilidade. Se por exemplo 40% das áreas de cacau formadas pelo processo de derruba total forem consorciadas, isto irá representar em uma expansão de 80 mil hectares de seringueiras, a um custo extremamente reduzido, ou seja, no máximo até 30% a mais do custo da implantação da lavoura do cacau solteiro. A produtividade desses seringais será certamente superior à dos seringais solteiros estabelecidos em solos de menor fertilidade, visto que estarão sendo utilizados clones de alta produção e com maior resistência às principais doenças. O mesmo acontecerá com os cacaueiros que terão também as condições gerais de cultivo melhoradas.

A adoção desses sistemas irá garantir maiores oportunidades de emprego e renda, devido ao maior uso de mão-de-obra nas diferentes fases de desenvolvimento e com conseqüente fixação do homem no campo, proporcionando melhorias nas condições gerais de vida à comunidade local. Além do mais, estaremos explorando o potencial de seqüestro de carbono atmosférico das duas culturas, pois se têm registros de que as seringueiras retiram quantidades de CO2 idênticas às essências florestais, inserindo-se perfeitamente dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Fonte: Ceplac


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"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, e depois perdem o dinheiro para a recuperar. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro.
Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido..." (Confúcio)

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