terça-feira, 19 de maio de 2009

CEPLAC VISITA FAZENDA QUE USA CAL NO CONTROLE DE DOENÇA DO CACAU

Uma equipe multidisciplinar formada por extensionistas e pesquisadores da CEPLAC apresentou relatório ao superintendente Antonio Zózimo de Matos Costa sugerindo o aprofundamento de estudos para melhor avaliação sobre uso da cal na lavoura cacaueira. O documento foi produzido depois de uma visita técnica realizada, no final do mês de abril, à Fazenda Recreio, situada a 22 quilômetros da sede do município de Buerarema.
O objetivo da visita foi observar resultados obtidos com uso da cal hidratada nos cacaueiros da propriedade. Os técnicos da CEPLAC relatam que a fazenda tem estande de cacaueiros das variedades comum, SIC (Seleção do Instituto de Cacau da Bahia), SIAL (Seleção do Instituto Agronômico do Leste) e mistura de híbridos. Os fiscais agropecuários do Centro de Extensão (CENEX) e do Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC) receberam informações do meeiro Cecílio José dos Santos.
Segundo relatos de Cecílio dos Santos, após sua chegada no imóvel foram feitas roçagens manuais, aplicação de herbicidas, poda, desbrota, remoção de vassouras-de-bruxa e outros tratos culturais recomendados pela CEPLAC. Com base na sua experiência, adquirida na cultura de cana-de-açúcar em Alagoas, foi então aplicada cal hidratada, nos meses de fevereiro e setembro de 2008 e fevereiro de 2009, na quantidade de três quilos por tarefa ou 7,5 kg/ha.
Nas três aplicações utilizou-se polvilhadeira costal motorizada. Na primeira vez foi adicionado à cal o inseticida Malation em pó a dois por cento. O meeiro Cecílio dos Santos relatou aos técnicos que a aplicação da cal hidratada, na sua visão, contribuiu para o controle da vassoura-de-bruxa, na eliminação de limo das plantas e aumento da produção.
Pela sua informação, a propriedade que colhia mil arrobas em 65 tarefas, o equivalente a 35 arrobas/hectares, a partir da ocorrência da vassoura, decaiu a 264 arrobas ou nove arrobas por hectare. Mas no primeiro ano, com apenas duas aplicações da cal, foram colhidas 700 arrobas de cacau ou 25 arrobas por hectare. Neste ano, a produção deve retornar às mil arrobas colhidas no passado.
No documento à Superintendência da CEPLAC na Bahia, a equipe técnica informa que o conjunto de práticas agrícolas na área não permite isolar os efeitos da aplicação da cal hidratada. “Sabe-se que existe correlação positiva entre tratos culturais e o aumento da produtividade de cacaueiros”, afirma. Mas há uma ressalva: “Apesar da impossibilidade de isolamento do efeito da cal, percebe-se a redução de limo nos cacaueiros, o que, aparentemente, libera almofadas florais, possibilitando maior floração e, conseqüentemente, frutificação”, anota.
Além de outras considerações, o documento dos técnicos do CEPEC e do CENEX esclarece que os dados de análise de solo revelam alta fertilidade e que “no que se relaciona a uma possível ação do corretivo sobre a vassoura-de-bruxa, trabalhos estão sendo conduzidos pela CEPLAC em condições de Casa de Vegetação e no campo, com o objetivo de se avaliar a ação da aplicação da cal sobre esporulação do fungo Moniliophthora perniciosa (produção de basidocarpos)”.
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DA CEPLACsexta-feira, 15/5/2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O fruto mágico Cacau

sábado, 9 de maio de 2009

Forragicultura: Sistemas agroflorestais e a conservação do solo

Os sistemas agroflorestais têm sido preconizados como sustentáveis, ou seja, capazes de produzir para o presente momento, mantendo os fatores ambientais, econômicos e sociais, em condições de serem utilizados pelas gerações futuras. Estes sistemas também têm sido divulgados como uma solução alternativa para a recuperação de áreas degradadas, envolvendo não só a reconstituição das características do solo, como também a recuperação da terra, também denominado sítio, o qual envolve todos os fatores responsáveis pela produção em harmonia com o ecossistema: o solo, a água, o ar, o microclima, a paisagem, a flora e a fauna.
Este tipo de uso do solo é uma forma de plantio na qual se combinam espécies arbóreas lenhosas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos agrícolas e/ou animais, de forma simultânea ou em seqüência temporal e que interagem econômica e ecologicamente. E um dos aspectos positivos é a sustentabilidade desses sistemas com a presença de árvores, que têm a capacidade de capturar nutrientes de camadas mais profundas do solo, reciclando com uma maior eficiência e uma cobertura maior da terra.
Os sistemas agroflorestais têm sido divulgados como uma alternativa para o melhoramento da produtividade de sítios pobres ou degradados.Os sistemas agroflorestais (SAF’s) podem tornar produtivas áreas degradadas, melhorando sua função social e ecológica. A liteira produzida pelos componentes agroflorestais é um forte agente promotor desta recuperação. Os sistemas agroflorestais como alternativas de uso da terra promovem o aumento no nível de carbono orgânico no solo, quando comparados a florestas primárias.Os sistemas agroflorestais acumulam carbono ao longo do tempo, que podem recuperar quantidades perdidas durante a derruba e queima de florestas primárias, podendo funcionar como banco de estoque de carbono, recuperando entre 54% e 82% do carbono contido na floresta, num período de 15 anos. As vantagens para o uso deste tipo de sistema de cultivo em relação aos convencionais, tanto econômicas, como ambientais, são várias, entre as quais a combinação de produtos de mercado e de subsistência que permite limitar os riscos assumidos pelos agricultores familiares, sejam eles riscos climáticos ou riscos de mercado; a diversidade de espécies permite a obtenção de um número maior de produtos e/ou serviços a partir de uma mesma unidade de área, tanto para a subsistência da família quanto para o mercado; a área com sistema agroflorestal pode ser usada permanentemente, minimizando a necessidade de derruba e queima de novas áreas e aumentando as chances de fixação do homem no campo; e a alternativa para aproveitamento de áreas já alteradas ou degradadas. Também diminui a demanda de fertilizantes em razão da eficiente ciclagem e da adubação orgânica, melhora as propriedades físicas e biológicas do solo e permite a preservação da biodiversidade.Área degradada é sinônimo de terra improdutiva, envolvendo alterações negativas no clima, hidrologia, paisagem, flora e fauna. É, portanto, um conceito mais amplo do que a degradação da fertilidade do solo, a qual reduz a capacidade de suporte do crescimento de plantas em bases sustentáveis, sob dadas condições de clima e outras relevantes propriedades da terraDentre as inúmeras implicações entre os SAF e o controle da erosão dos solos destacam-se os efeitos dos SAFs na manutenção da fertilidade do solo deveriam ser considerados conjuntamente com os efeitos diretos no controle da erosão, os SAFs apresentam potencial para controle da erosão por meio da cobertura fornecida pelas copas e serapilheira, em adição ao papel das árvores como barreiras para o escorrimento superficial de água; em regiões de clima seco, o controle da erosão deveria ser avaliado em conjunto com o papel das árvores no manejo da água; sistemas silvipastoris deveriam ser incluídos quando se avalia o potencial de sistemas para o controle da erosão.A matéria orgânica do solo fornecida pelos sistemas agroflorestais é de fundamental importância para a recuperação das áreas degradadas, as quais podem ser assim resumidas tendo como importâncias principais boas condições físicas do solo, incluindo a capacidade de retenção de água; provem um balanceado do suprimento de nutrientes, protegendo-os contra a lixiviação até serem liberados pela mineralização; permite o melhor uso de fertilizantes por meio do melhoramento da capacidade de troca catiônica. Até o momento, as pesquisas têm demonstrado que a produção de biomassa que retorna ao solo, em sistemas agroflorestais é equiparada àquela produzida sob vegetação natural, quando se considera a mesma zona climática.
Os sistemas agroflorestais são preconizados como alternativas á monocultura agrícola, por serem capazes de manter a fertilidade dos solos e a sustentabilidade. Em estudos realizados no cerrado, foi concluído que pode ocorrer melhoria da fertilidade do solo nesses sistemas, principalmente devido a maior produção de fitomassa.Sabemos que o fósforo é fundamental para a atividade metabólica de qualquer ser vivo e estará disponível se assim se fizer necessário. Há muito fósforo estocado em grande parte dos solos tropicais, embora em muitos deles a análise de laboratório acuse somente traços de fósforo disponível. Fósforo não é problema, basta que criemos condições para que seja disponibilizado. A maior fonte de fósforo, viável para uma agricultura realmente sustentável, é a matéria orgânica, e torna-se disponível quando dinamizamos o sistema e criamos condições propícias para a vida do solo.Com a avaliação da biota do solo em modelos agroflorestais já foram constatados que os sistemas contribuem para a recuperação dos solos degradados de pastagem de forma mais rápida e eficiente do que a regeneração natural, observando-se também uma relação positiva entre densidade, porosidade total e umidade do solo, sugerindo que o papel da macrofauna do solo como um forte componente dos sistemas agroflorestais.A produção de serrapilheira em sistema agroflorestal consorciando castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa) e cupuaçu (Theobroma grandiflorum) representou uma fonte de ingresso de nutrientes para a produção de frutos de cupuaçu e a produção de biomassa aérea da castanha-do-Brasil não foi afetada pela consorciação, em estudo feito em solo de baixa fertilidade no estado de Rondônia.Considerando-se as características do SAFs pode-se concluir que esses são os sistemas mais apropriados ás condições ambientais dos trópicos úmidos de solos quimicamente pobres.No entanto, sistemas agroflorestais não são uma panacéia para a solução de todos os problemas. Faz-se necessário estar sempre atento ao mercado, e produzir somente o que tiver maior possibilidade de comercialização. Os sistemas precisam ser compostos por espécies com as quais os produtores tenham alguma intimidade.Autores: Marilia Locatelli, engenheira florestal, pesquisadora da Embrapa Rondônia, Porto Velho (RO), Rafael de Souza Macedo, estagiário, Abadio Hermes Vieira, engenheiro florestal, pesquisador da Embrapa Rondônia, Porto Velho (RO)Marilia Locatelli, Rafael de Souza Macedo e Abadio Hermes VieiraFonte: Embrapa Rondônia Os sistemas agroflorestais têm sido preconizados como sustentáveis, ou seja, capazes de produzir para o presente momento, mantendo os fatores ambientais, econômicos e sociais, em condições de serem utilizados pelas gerações futuras. Estes sistemas também têm sido divulgados como uma solução alternativa para a recuperação de áreas degradadas, envolvendo não só a reconstituição das características do solo, como também a recuperação da terra, também denominado sítio, o qual envolve todos os fatores responsáveis pela produção em harmonia com o ecossistema: o solo, a água, o ar, o microclima, a paisagem, a flora e a fauna.Este tipo de uso do solo é uma forma de plantio na qual se combinam espécies arbóreas lenhosas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos agrícolas e/ou animais, de forma simultânea ou em seqüência temporal e que interagem econômica e ecologicamente. E um dos aspectos positivos é a sustentabilidade desses sistemas com a presença de árvores, que têm a capacidade de capturar nutrientes de camadas mais profundas do solo, reciclando com uma maior eficiência e uma cobertura maior da terra.Os sistemas agroflorestais têm sido divulgados como uma alternativa para o melhoramento da produtividade de sítios pobres ou degradados.Os sistemas agroflorestais (SAF’s) podem tornar produtivas áreas degradadas, melhorando sua função social e ecológica. A liteira produzida pelos componentes agroflorestais é um forte agente promotor desta recuperação. Os sistemas agroflorestais como alternativas de uso da terra promovem o aumento no nível de carbono orgânico no solo, quando comparados a florestas primárias.Os sistemas agroflorestais acumulam carbono ao longo do tempo, que podem recuperar quantidades perdidas durante a derruba e queima de florestas primárias, podendo funcionar como banco de estoque de carbono, recuperando entre 54% e 82% do carbono contido na floresta, num período de 15 anos. As vantagens para o uso deste tipo de sistema de cultivo em relação aos convencionais, tanto econômicas, como ambientais, são várias, entre as quais a combinação de produtos de mercado e de subsistência que permite limitar os riscos assumidos pelos agricultores familiares, sejam eles riscos climáticos ou riscos de mercado; a diversidade de espécies permite a obtenção de um número maior de produtos e/ou serviços a partir de uma mesma unidade de área, tanto para a subsistência da família quanto para o mercado; a área com sistema agroflorestal pode ser usada permanentemente, minimizando a necessidade de derruba e queima de novas áreas e aumentando as chances de fixação do homem no campo; e a alternativa para aproveitamento de áreas já alteradas ou degradadas. Também diminui a demanda de fertilizantes em razão da eficiente ciclagem e da adubação orgânica, melhora as propriedades físicas e biológicas do solo e permite a preservação da biodiversidade.Área degradada é sinônimo de terra improdutiva, envolvendo alterações negativas no clima, hidrologia, paisagem, flora e fauna. É, portanto, um conceito mais amplo do que a degradação da fertilidade do solo, a qual reduz a capacidade de suporte do crescimento de plantas em bases sustentáveis, sob dadas condições de clima e outras relevantes propriedades da terraDentre as inúmeras implicações entre os SAF e o controle da erosão dos solos destacam-se os efeitos dos SAFs na manutenção da fertilidade do solo deveriam ser considerados conjuntamente com os efeitos diretos no controle da erosão, os SAFs apresentam potencial para controle da erosão por meio da cobertura fornecida pelas copas e serapilheira, em adição ao papel das árvores como barreiras para o escorrimento superficial de água; em regiões de clima seco, o controle da erosão deveria ser avaliado em conjunto com o papel das árvores no manejo da água; sistemas silvipastoris deveriam ser incluídos quando se avalia o potencial de sistemas para o controle da erosão.A matéria orgânica do solo fornecida pelos sistemas agroflorestais é de fundamental importância para a recuperação das áreas degradadas, as quais podem ser assim resumidas tendo como importâncias principais boas condições físicas do solo, incluindo a capacidade de retenção de água; provem um balanceado do suprimento de nutrientes, protegendo-os contra a lixiviação até serem liberados pela mineralização; permite o melhor uso de fertilizantes por meio do melhoramento da capacidade de troca catiônica. Até o momento, as pesquisas têm demonstrado que a produção de biomassa que retorna ao solo, em sistemas agroflorestais é equiparada àquela produzida sob vegetação natural, quando se considera a mesma zona climática.Os sistemas agroflorestais são preconizados como alternativas á monocultura agrícola, por serem capazes de manter a fertilidade dos solos e a sustentabilidade. Em estudos realizados no cerrado, foi concluído que pode ocorrer melhoria da fertilidade do solo nesses sistemas, principalmente devido a maior produção de fitomassa.Sabemos que o fósforo é fundamental para a atividade metabólica de qualquer ser vivo e estará disponível se assim se fizer necessário. Há muito fósforo estocado em grande parte dos solos tropicais, embora em muitos deles a análise de laboratório acuse somente traços de fósforo disponível. Fósforo não é problema, basta que criemos condições para que seja disponibilizado. A maior fonte de fósforo, viável para uma agricultura realmente sustentável, é a matéria orgânica, e torna-se disponível quando dinamizamos o sistema e criamos condições propícias para a vida do solo.Com a avaliação da biota do solo em modelos agroflorestais já foram constatados que os sistemas contribuem para a recuperação dos solos degradados de pastagem de forma mais rápida e eficiente do que a regeneração natural, observando-se também uma relação positiva entre densidade, porosidade total e umidade do solo, sugerindo que o papel da macrofauna do solo como um forte componente dos sistemas agroflorestais.A produção de serrapilheira em sistema agroflorestal consorciando castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa) e cupuaçu (Theobroma grandiflorum) representou uma fonte de ingresso de nutrientes para a produção de frutos de cupuaçu e a produção de biomassa aérea da castanha-do-Brasil não foi afetada pela consorciação, em estudo feito em solo de baixa fertilidade no estado de Rondônia.Considerando-se as características do SAFs pode-se concluir que esses são os sistemas mais apropriados ás condições ambientais dos trópicos úmidos de solos quimicamente pobres.
No entanto, sistemas agroflorestais não são uma panacéia para a solução de todos os problemas. Faz-se necessário estar sempre atento ao mercado, e produzir somente o que tiver maior possibilidade de comercialização. Os sistemas precisam ser compostos por espécies com as quais os produtores tenham alguma intimidade.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Fazenda da Cal (Sr. Cecílio)

Fazenda Recreio - São José da Vitória - BA
Visita realizada em 06/05/2009 - Cacauicultores de diversas localidades

sábado, 2 de maio de 2009

Polinização artificial em cacaueiro

José Eduardo Mamédio
(Parte do Relatorio de Estágio realizdo na Vale do Juliana Fazendas - Igrapiúna - BA)

A polinização artificial em cacaueiro é realizada em função da baixa produtividade hoje existente causada pela clonagem, na sua maioria, com material genético incompatível. Tem o objetivo de aumentar a quantidade de frutos por planta (de acordo a capacidade de cada planta) aumentando a produtividade da área.
O Programa de Polinização Manual em cacaueiros começou a ser realizado na Vale do Juliana Fazendas (VJF) há aproximadamente oito anos (2001), tendo como objetivo a elevação e/ou antecipação da produtividade dos cacaueiros clonados. Inicialmente foram treinados, por colaboradores da Ceplac, parte dos Parceiros Agrícolas, seus familiares e os Técnicos Agrícolas (Empresários Parceiros), visando formar multiplicadores. No segundo semestre de 2002, após os testes realizados no ano anterior, chegou-se à conclusão de que o programa era viável, podendo assim ser multiplicado em todas as glebas da VJF. Hoje a polinização artificial é feita pelos próprios parceiros e suas famílias, principalmente mulher e filhos com idade acima de 16 anos.

É uma prática que exige boa visão e coordenação motora, pois as flores do cacaueiro são pequenas e bastante sensíveis. A polinização manual é realizada com uma pinça comum, de ponta fina, para retirar o pólen da flor doadora e depositar no estigma da flor receptora; um tubo de isopor para acondicionar as flores doadoras de pólen; e fita leitosa para marcação da plantas e quantidade de flores polinizadas. As flores doadoras de pólen são coletadas no mesmo dia da prática e a polinização sempre é feita nas horas mais frescas do dia, de preferência pela manhã.



Naturalmente a polinização das flores do cacaueiro é feita por pequenas moscas da família Díptera, gênero Forcipomya. Esses insetos/mosquinhas, por serem larvas semi-aquáticcas, se reproduzem na natureza em locais do tipo bromeliáceas, pseudo-caules de bananeira, detritos orgânicos e cobertura morta. Sendo assim, evitar a destruição destes locais e redução da aplicação de agrotóxicos é de suma importância para uma maior produtividade das plantas. Outro inseto que também colabora com a polinização é uma pequena formiga denominada caçarema (Azteca chartifex), que expele uma substância que atrai os insetos polinizadores.

O modelo seguido na empresa estabelece a realização da polinização artificial de no máximo 40 flores por planta, utilizando pólen de cacaueiros autocompatíveis em especial da variedade Catongo (flor branca), no período de 7 meses no ano (março, abril, maio, junho, outubro, novembro e dezembro), época com maior número de flores viáveis. Um homem poliniza em média 350 flores por dia, com índice de pegamento de 50% (avaliado de 7 a 15 dias após a realização da prática) e índice de sobrevivência de 70%. Em média, cada 900 flores polinizadas resultam em 1 @ (arroba*) de cacau seco colhida.
*1@ de cacau equivale a 15 kg de amêndoas secas
Breve Revisão Bibliográfica
Apesar do cacaueiro apresentar flores hermafroditas e homógamas, sua polinização se limita quase exclusivamente ao concurso de algumas espécies de micromoscas Forcipomyia, embora insetos tais como tripes, formigas e afídeos possam promover polinização acidental (Chapman; Soria, 1983) citado por Dias, 2001.
A polinização artificial no cacaueiro tem sido estudada na região cacaueira da Bahia, principalmente, para verificar o grau de compatibilidade entre plantas que apresentam tolerância à doenças (Pinto,1998). Em se tratando de polinização, Dias (2001) destaca que o número de pólen por flor é cerca de 14 mil e, recomenda uma leve fricção no estigma com até três anteras. Na produção comercial de frutos é uma técnica controversa para uso rotineiro, pois depende do preço do produto, do operador, do clone e das condições ambientais. O índice de pegamento na polinização artificial em geral é inferior a 20% (Sodré et al., 2003).
Sodré et al. (2003) concluíram em seu trabalho que semelhanças estruturais do estilete, ovário e estigma, identificadas através de técnicas em microscopia eletrônica, sugerem que os grãos de pólen podem germinar nesses pontos e não apenas no estigma da flor do cacaueiro, aumentando desta forma a eficácia no pegamento ao se fazer a polinização artificial também nestes pontos.

Referências Bibliográficas
DIAS. L. A. S. Melhoramento Genético do Cacaueiro. FUNAPE, UFG, Viçosa, MG, 2001, 578 p.
PINTO, L.R.M & PIRES, J.L. Seleção de Plantas de Cacau Resistentes à Vassoura-de-bruxa. Ilhéus. CEPLAC/CEPEC.1998. Boletim Técnico nº 181.
SODRÉ, G. A. et al. Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) para estudo de características morfológicas da flor do cacaueiro. Agrotrópica, v. 15, nº 3, 2003, Ilhéus, BA, Brasil, CEPLAC/CEPEC.

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"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, e depois perdem o dinheiro para a recuperar. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro.
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