segunda-feira, 13 de abril de 2009

O PROJETO GAVIÃO E A EMBRAPA SEMI-ARIDO (SUDOESTE DA BAHIA)

O Projeto de Desenvolvimento Comunitário do Rio Gavião ainda está em execução. No entanto uma certeza ele tem a oferecer: a possibilidade de se implantar processos econômicos dinâmicos baseados na pequena propriedade familiar. O primeiro estudo de avaliação dos impactos das suas atividades de transferência de tecnologia nas propriedades atendidas pelo Projeto, registrou um aumento da renda bruta média em cerca de 24%.
É um crescimento significativo que ressalta dois objetivos do Pró-Gavião. Primeiro, ele acontece em uma das áreas mais pobres da Bahia, onde estão registrados alguns dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos dentre todos os municípios do estado. O combate a pobreza é a principal meta perseguida pelo Projeto. Segundo, a elevação da renda é constatada num contexto nenhum pouco assistencialista, mas baseado na dinâmica produtiva do semi-árido e em uma visão de mercado, fundamentalmente, local, mas, também, de âmbitos regional e até nacional.
Este aspecto permite a avaliação otimista do projeto porque a infra-estrutura produtiva que se está instalando nas propriedades integrada a um processo de desenvolvimento sustentável baseado em tecnologia de baixo custo de convivência com a seca, um crédito agrícola compatível e organização associativa e cooperativa dos produtores. Nos treze municípios do Sudoeste baiano, na área de abrangência do Pró-Gavião, estes aspectos têm tirado as pequenas propriedades do estado de inércia que se encontravam a muitos anos, onde o produtor apenas sobrevive de forma precária, e levando-as a se constituírem como unidades de produção, geradoras de renda e de emprego.
Para a Embrapa Semi-Árido, os resultados que estão aparecendo com o Pró-Gavião no âmbito da pequena produção em áreas de seca, e como uma afirmação do seu programa de pesquisa e desenvolvimento e do seu amadurecimento institucional para firmar uma cooperação de alto nível com a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), da Secretaria de Planejamento do Governo da Bahia e financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). As competências técnicas estabelecidas nas duas instituições são responsáveis por concepção inovadoras de transferência de tecnologia, que tem tornado possível a agilidade na adoção das técnicas de manejo e produção agropecuária que impactam de forma muito positiva o rendimento das propriedades e das famílias.
O segmento produtivo do Projeto tem encadeado ações consistentes ao longo da sua execução. Um elemento fundamental para isso foi a execução do estudo de “Caracterização dos Sistemas de Produção em Uso” nas pequenas propriedades da área de abrangência do Gavião. Ele foi realizado antes do início das atividades e serviu para radiografar as estratégias produtivas e identificar potencialidades econômicas e planejar as intervenções mais efetivas. De certa forma, o itinerário de ações no âmbito do projeto foi estabelecido a partir desse estudo, de tipologias dos sistemas de produção em uso pelos produtores, realizado pela Embrapa Semi-Árido.
Esse estudo, por exemplo, motivou o empenho das instituições em operar a atividade pecuária como preponderante ao funcionamento sustentável das pequenas propriedades no semi-árido. Pesquisas da Embrapa têm revelado que os animais resistem (menor risco) melhor à seca que os cultivos de grãos (feijão e milho), tradicionalmente plantadas na região. Nesse estudo ainda, se revela que a matriz pecuária regional, bovina não é a mais adequada por se tratar de animais que exigem áreas expressivas de caatinga por criação animal – algo em torno de 15 ha para uma Unidade Animal. A criação bovina tinha sido estimulada indiretamente em política de crédito de instituição pública que passou a financiar cercas com quatro arames, que não impedia animais como caprinos e ovinos de serem contidos na propriedade, o que tornava o manejo difícil. A mudança da matriz pecuária de bovina para ovino-caprina foi embasada em outro estudo: Cadeia Produtiva Caprinos/Ovinos – Elementos para tomada de decisão. A estrutura fundiária das propriedades atendidas pelo Projeto (cerca de 50 ha) mostrava-se mais adequada à criação desses animais de porte pequeno, pois mantinha uma relação melhor entre a capacidade de suporte da área e o tempo de abate.
Enfim, o Projeto Gavião tem sido um excelente ambiente, pela sua formatação, para disseminação das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Semi-Arido, tanto que a infra-estrutura produtiva que se está montando na área do Projeto tem conseguido alterar algumas tendências já comuns na região: os produtores abandonarem suas famílias e propriedade na época de seca e partir para São Paulo, em busca de trabalho. Hoje, já se ouve muitas histórias de que há uma tendência em sentido inverso: quem está fora ouve notícias animadoras de oportunidades de trabalho, de crédito e planejam retornar às suas terras.
(Robert Coelho Correia)

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